Do Vinil pro CD ou Vice e Versa... Cassetes parte 1 - Pirataria Old School

Eu sei que o assunto dessa coluna é discos em vinil e cds, mas a idéia de escrever sobre isso surgiu de uma arrumação aqui em casa, onde no meio da bagunça comecei a resgatar os álbuns que estavam representados nesses dois formatos na nossa coleção. Foi nessa mesma bagunça que também achei algumas caixas de sapatos cheias de fitas cassete, e é exatamente por isso que elas recebem esse aval para estar aqui hoje.

Já li algumas matérias por aí, dizendo da dificuldade que algumas pessoas tem de se desfazer das coisas. Tá certo que existem alguns casos que extrapolam os limites da razão e acabam virando caso médico ou de polícia, mas como ainda não estamos nesse grupo, eu acho, não vejo nada demais em guardar algumas coisinhas.

Entre revistas, ingressos de shows e cinema, flyers de festas e outras coisas, as fitas cassete são umas sobreviventes cascudas das arrumações, tanto das minhas, quanto às da minha mulher. Aliás, são as fitas de Lovely Rita que fazem a história de hoje.

Começa assim:
Once upon a time um mundo sem computadores, sem gravadores de cds, sem Internet, sem MP3, enfim, sem quase porra nenhuma! E nesse mesmo mundo havia uma garota que gostava de música e não dispunha de muita grana para gastar com coisas supérfluas, para alguns é claro, como discos de rock, por exemplo.

É, mas essa garota tinha muitos amiguinhos, e esses amiguinhos compravam discos e os emprestavam para que ela pudesse gravá-los em fitas cassete, e assim também ouvi-los na sua casa na hora que quisesse.

O compartilhamento de músicas também era grande naqueles tempos, ao contrário do que dizem hoje os executivos de gravadoras, bastava uma pessoa comprar um disco que logo ele se multiplicava em 10, 20 ou 30 às vezes. Não me lembro de nenhuma empresa do ramo ter falido nessa época, não por esse motivo.

Foram muitos os discos transportados para o mundo dos cassetes caseiros pelas mãos da nossa heroína: The Cramps, Sonic Youth (quase toda discografia até 1992), The Stooges, The Trashmen, Morphine, Beastie Boys, New York Dolls, Ramones, Frank Black e mais um bocado.

Bem, passados 20 e poucos anos, o mundo deu um nó, o que parecia coisa do desenho dos Jetsons, hoje é a mais pura realidade, telefone com imagem e outras coisas do tipo. Em alguns aspectos ficou até mais legal, isso é indiscutível, mas em outros ficou mais frio.

No caso das cópias de discos, você precisava conhecer o dono da matriz, ou pelo menos ser amigo do amigo do cara para conseguir por as mãos na obra, literalmente. Se bem que, com o advento do “duplo deck”, a distância entre a matriz e a cópia começou a ganhar status futurista.

A coleção de cópias em cassete dessa garota, ainda hoje embalam as tardes da pequena estamparia de camisetas que ela e o seu marido montaram na lavanderia de casa. E pelo jeito essas fitinhas não serão descartadas tão cedo!

The End
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