Por Marcelo Mendez*
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| Frederico Fellini |
A poesia intensifica a veemência daqueles que se indignam com as injustiças.
Mesmo quando se viu em meio a uma crise criativa o mestre não se fez de rogado; Filmou exatamente o seu próprio deserto de ideias com o sensacional FELLINI OITO E MEIO. Trazendo tudo isso para a crônica, chego a conclusão de que, embora nem um pouco genial como Fellini, os meandros da escrita te fazem falar de tudo que se vê e também do nada que vez por outra acomete los escribas como yo. E nosso futebol paulista aqui, vez por outra me deixa exatamente nessa situação.
Caro amigo leitor, eu bem sei e entendo as novas diretrizes que se envolvem em nosso futebol enquanto business. Claro que vivemos uma época em que as contas estão altas e para paga-las nosso futebol precisa de gerar receitas e ter ideias novas. Mas alguma ta errada nessa equação...
Na última semana, se falou muito mais da DIS, do Marketing, do Empresário Tal, da Empresa de marcas, sei lá o que da apresentação de fulano, do outro que bebe muito, de um que não bebe nada... Tudo em nosso futebol, ficou a cargo de coisas que aconteciam bem longe das 4 linhas. E óbvio que isso se explica facilmente. Vejam a rodada de ontem:
Não foi das piores; Tivemos uma beleza de partida jogada pelo São Paulo batendo o pobre Noroeste por 4x1. Teve o São Caetano vencendo o Corinthians, meio desinteressado, dispersivo, com dois laterias jogando muito mal, no Pacaembu por 2x1 e mais o Santos, que na estreia do técnico Muricy, se preocupou muito mais em cavar cartões para se cumprir na ultima rodada, do que em jogar futebol propriamente dito. Resultado disso, foi um virginal e cafajeste 0x0 no placar.
Em tempos portanto onde o “nada” tenta persuadir a crônica é perfeitamente comum que o personagem mor, pouco glamouroso, sem nenhum charme ou elã, surja das mais improváveis laudas de nosso esporte. Nessas aqui, será o meu Palmeiras a bola da vez...
Como diria aquele outro “Esqueçam da minha obra”. O meu Palmeiras de hoje não tem nada, absolutamente nada que encantou mundo outrora. Não é mais um reles arremedo daquele time que se eternizou na história ludopédica como “A Academia”, tamanha a excelência de seu futebol. Não tem mais um Chinesinho, um Dudu, um Julinho botelho, um Mazola, um Leivinha, um Edmundo, um Evair, nem a arte de Rivaldo, Djalminha ou Alex. É um time perfeitamente adaptado aos tempos modernos, muito longe de qualquer encanto poético.
Joga com verdadeiros guerreiros, dotados de uma disciplina de fazer inveja aos Rei Leônidas de Esparta e em tempo; O fato de Luiz Felipe Scolari conduzir jogadores como Márcio Araújo, Tinga, Danilo, Thiago Heleno, Adriano, Chico, Luan e afins para o primeiro lugar do certame, é algo tão edificante quanto a resistência de Sparta ante os ataques de Rei Xerxes na batalha de Termópilas! Mas aí vem a disciplina...
Imbuídos de um sentimento acomodado de inferioridade técnica, os jogadores de meu Palmeiras, não se incomodam de disputar cada bola, como um adolescente batalha pelo seu primeiro beijo; Que dedicação!
São 11 jogadores marcando o tempo todo; O ótimo Kleber, marca a saída de bola dos zagueiros adversários; Adriano, pega um dos volantes; Os meias, jogam abertos bloqueando as laterais; Os dois volantes marcam os dois meias deixando assim a zaga, com uma ótima folga para conter o quase sempre solitário centroavante do outro time. Dessa forma sofrida e consciente, o Palmeiras vem galgando ponto a ponto seus objetivos. Chega em primeiro na tabela do Paulistão, vem com força na Copa do Brasil e pasmem; Passa até a dar uma esperançazinha em seu torcedor. Compreensível.
Em uma época onde não existe e nem há a menor possibilidade de surgir alguma coisa aparecida com Zidane, Platini ou Zico, onde Santos e Barcelona são os últimos refúgios para quem gosta de futebol no lugar dessa corrida de cavalos que se vê nos campos de futebol de hoje em dia, o torcedor, mais cedo ou mais tarde vai desistir de esperar por alguma magia, algum encanto e, no lugar disso, passará a torcer pelo “resultado” tão decantado pelos “Pofexô” do banco de reservas. No sábado ultimo foi assim.
Jogando de maneira mecânica, pragmática e “eficiente” como diria o outro, o Palmeiras contou com sua ótima jogada de bola parada para bater o decadente Grêmio Prudente no Canindé, por 2x0. O resultado mantém o verde de Parque Antártica em um incrível primeiro lugar do campeonato paulista. A julgar pelo que se viu, creio que não devo sonhar com nada muito diferente do que vem sendo mostrado pelo meu Verde, ma vá... Daqui um tempo, do jeito que a coisa está, se ouvirá das arquibancadas o seguinte coro:
“Três pontos, três pontos, três pontos...”
*Mercelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor, webmaster e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
