Do Vinil pro CD ou Vice Versa... Ramones - Brain Drain

Por Claudio Cox

Essa semana fez 10 anos que Joey Ramone morreu. Pensei em escrever alguma coisa para postar no Pastilhas no dia mesmo, 15 de abril, mas acabei só postando uma foto dele e um vídeo dos Ramones tocando “The KKK to my Baby Away” na Suécia em 1981.

Escolhi essa música por achar que ela é a que mais representa a personalidade de Joey Ramone, um eterno romântico solitário fissurado por rock and roll. Essa música foi encartada no álbum “Plesant Dreams” de 81 e fala quase que explicitamente da namorada que o guitarrista da banda, Johnny Ramone, “roubou” dele na época.

Esse caso nunca foi resolvido entre eles, ficaram praticamente o resto das suas vidas sem se falarem, o que deve ter sido muito foda por estarem na mesma banda e dividirem nas longas turnês além do palco, vans, ônibus e aviões. Enfim, as histórias são longas e estão por aí em vídeos, livros, revistas e etc, e foi exatamente pra fugir disso que resolvi homenagear esse grande cara aqui na nossa coluninha dominical.

Os Ramones já apareceram por aqui com o classicão “Rocket to Russia”, que na minha opinião está entre os 10 mais importantes da história, no entanto o álbum de hoje, “Brain Drain”, pode não ser tão influente quanto o “Rocket”, mas tem um lugar especial na história da banda e na minha também.

Esse disco foi lançado em 1989 e foi adquirido por esse mano aqui logo que apareceu nas lojas da terrinha. Naquela época de informação quase zero, o que evidenciou esse lançamento foi o fato da faixa “Pet Sematary” ter sido incluída na trilha do filme de mesmo nome, aliás, a faixa foi feita por encomenda, Stephen King, autor do conto “Pet Sematary”, de onde o filme saiu, menciona os Ramones diversas vezes nas páginas do livro, e meio que “pediu” para que os caras fizessem parte da trilha.

O vídeo clipe da faixa virou hit num dos únicos programas de vídeos da época, senão o único: o Clip Trip. O filme também não demorou em aparecer nas locadoras, se não me engano nem chegou a passar nos cinemas daqui, fato que acelerou a vinda dele para o mundo dos VHS.

Posso dizer que “Pet Sematary” foi o começo de uma relação mais estreita da minha pessoa com a sétima arte, mais especificamente com os filmes de terror, mais especificamente ainda com os filmes B. Tudo isso por “culpa” dos Ramones.

Assisti umas 5 ou 6 vezes esse filme na época, e olha que nem vídeo cassete eu tinha em casa. Lembro que rolavam uns rateios para alugar as fitas, deviam ter uns 4 vídeo cassetes na minha vila, então o dono entrava com o aparelho e o resto da rapaziada entrava com o aluguel dos filmes.

“Brain Drain” ficou marcado também como o último álbum com o lendário Dee Dee Ramone. Dee Dee lançou em 1997, um ano após os Ramones encerrarem oficialmente as atividades, “Lobotomy: Surviving the Ramones”, uma autobiografia de seus tempos de baixista da banda, e nela tem um trecho sobre o nosso álbum de hoje:

"Foi duro gravar o álbum “Brain Drain” porque todo mundo jogava a bomba para mim. Eu tinha medo de ficar perto deles. Isso me deixava louco. Eu não queria nem tocar naquele álbum. Todos na banda tinham problemas; problemas com a namorada, problemas com dinheiro, problemas mentais."

Apesar desse clima pesado entre os integrantes, se bem que isso já vinha desde o começo dos anos 80, “Brain Drain” é um bom disco. Foi o inicio da última e mais bem sucedida fase da banda, comercialmente falando.

De 1989 a 1991, a banda substitui o “insubstituível” baixista Dee Dee por um garoto chamado Christopher Joseph Ward, que logo virou CJ Ramone, ganhou fôlego novo, engatou uma turnê que resultou no antológico “Loco Live”, gravado em Barcelona, e fez 3 apresentações memoráveis no Dama Xoc em São Paulo.

Nesse mesmo período conheci os caras com quem formei algum tempo depois minha primeira banda, comecei a trabalhar com serigrafia, vi o meu primeiro show de rock - Titãs no Clube Aramaçan em Santo André - se bem me recordo acho que esse foi em 88, mas...vi ainda vários shows de aniversário da rádio 97 FM, que era aqui da cidade e era rock, no mesmo Aramaçan, outros tantos no clássico Aeroanta em SP, e por fim o primeiro show “gringo” da minha vida: Ramones no Dama Xoc, dia 30 de abril de 1991.

Do you remember rock and roll radio? Eu quase me lembro!!!

PS: Não sei nem quando nem onde comprei a versão digital do álbum, deve ter sido em alguma liquidação desses hipermercados por aí...
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