Por Marcelo Mendez
E cá estamos novamente nessa segunda feira chuvosa para tratar do futebol nosso de quase todo dia. Talvez, muito em função dessa overdose de futebol que assola as TVs, radio e internet, os exageros e dicotomias envolvendo o esporte ludopédico pipoquem aos borbotões. Um deles tem muito a ver com o que acontece com nosso clássico dominical.
Em uma rodada em que o Corinthians empatou virginalmente em ribeirão preto com o Botafogo, por 0x0, onde Lucas marcou um gol em Barueri daqueles que lavam a alma dos apaixonados por futebol, tão vitimados por caneludos e retranqueiros, a tônica da minha crônica aqui no Canela de Ferro falará do que aconteceu na Vila Belmiro. Não que o clássico não mereça de minha parte essas linhas. Pelo contrário...
Santos x Palmeiras são responsáveis por páginas lidíssimas da história do futebol mundial. Nos anos 60, quando o alvinegro da Vila Belmiro era o maior time do mundo, com um ataque avassalador, responsável por mais de 2000 mil gols assinalados, Doval, Coutinho, Pelé e Pepe, só eram parados pelo time que ficou conhecido como “A academia” tamanha a excelência do seu futebol. Para esse Palmeirense que vos escreve é um deleite lembrar de uns caras como Chinesinho, Dudu, Ademir Da Guia, Servilio, Nardo, Julinho Botelho, Rinaldo... Eles conseguiram vencer o Santos por incríveis 3 vezes em 10! Grande clássico. Até gol de juiz teve nos anos 80!
A questão que se coloca é: “Será que hoje, o clássico ainda tem essa real grandeza?”
O amigo leitor que me acompanha aqui sabe bem o que penso acerca do papel jornalistico que se apresenta hoje em dia. Entendo que vivemos um “levante do óbvio ululante” tão avisado por mestre Nelson Rodrigues. O cretino fundamental que ele previu conquistar o mundo outrora, por pura questão matemática (Afinal, nascem 15 cretinos fundamentais, para cada um, um mísero Jackson do Pandeiro, por exemplo...), agora, se insurge forte de maneira ideológica e institucional!
A cretinice surge por meio de padrões, regras e outras pataquadas. Rendem-se a isso e o senso critico se esvai das redações pelo país. E pergunto ao amigo leitor; Para que serve um jornalista que não se coloca? Enfim...
Reza o padrão cretino vigente que, dado as referencias atuais, o cronista que se rende ao óbvio ululante, que se entrega a cretinice fundamental, deve escrever que a pelada jogada na Vila Belmiro ontem, foi um “ótimo jogo”. As soluções fáceis são várias para se dogmatizar tal opinião:
“Os dois times se movimentaram bastante” - Mas é pra jogar parado? É xadrez??
“O Santos sempre buscando o gol...” - Mas é futebol! O que deveria buscar? Cesta de três pontos??
“O Palmeiras tem a melhor defesa do campeonato...” - Mas jogando contra quem? Quem tanto ataca o Palmeiras? Além do valente e eficaz Kleber, quem mais ataca no meu verde??
São questionamentos que cretinice fundamental reza como, “desnecessárias”. Afinal de contas a crônica tem que ter apenas 3000 mil caracteres. Um absurdo...
É lamentável que o cronista se renda a isso tudo, sem analisar verdadeiramente os fatos. O clássico de ontem teve inacreditáveis 25 faltas no primeiro tempo de jogo. Da mais de uma falta a cada minuto e meio. É impossível que um jogo assim, seja sequer “Bom”. Teve um Santos completamente perdido, desperdiçando o talento de Elano, como um meia aberto pela beirada do campo, deixando o primeiro passe da armação ofensiva a carago de Danilo, esforçado mas limitado. Com a bola não chegando aos pés de Paulo Henrique Ganso, o time não jogava. Neymar se digladiava contra o batalhão de volantes do espartano time do Palmeiras e nada saía. O primeiro tempo encerrou-se após trombadas, pancadas, porradas, em um tântrico 0x0. Uma chatice desgraçada de se ver.
No segundo tempo, meu verde espartano teve a ajuda de maaaaisss um volante do exercito Felipônico; João Vitor entra no lugar de Lincoln (Talvez punido por tentar algo criativo...) com a incumbência de dar mais algumas trombadas do lado esquerdo do ataque Santista, anulando assim qualquer chance de sair alguma coisa boa por ali. Em contrapartida, no ataque Palmeirense, Patrick acerta um passe para Kleber, sempre ele... Kleber fazer 1x0 para o time de Palestra Itália. Assim, de maneira estupidamente óbvia, o jogo se encerra.
A questão que fica é, como isso seguirá daqui por diante?
O papel da crônica esportiva não ousa nada por pura preguiça. Hoje por exemplo, critico essa postura mas cá estou a falar do jogo. Talvez porque o problema não tenha que ser resolvido por um boicote pura e simplesmente. Eu acredito que as posições contra o mau futebol praticado, contra os técnicos retranqueiros e zagueiros caneludos, devam ser mais claras e veementes. O cronista, não tem nada a ver com o que se paga por direitos de transmissão de jogos, por interesses outros que não seja a excrescencial do espetáculo que se paga para ver.
O torcedor hoje, gasta com ingresso, camisa, produtos, pay per view, alimentação, transporte... Tudo ligado ao futebol. É inadmissível portanto que os clubes não apresentem em troca disso, o produto futebol proposto como oferta, Que paremos de uma vez por todas, de aceitar qualquer bicuda, qualquer chutão, qualquer retranca torpe, como um “futebol competitivo” que é alegado pelos pífios cretinos fundamentais que assolam nosso rico e técnico futebol. Canela de Ferro hoje, vem a público aqui no Pastilhas Coloridas para marcar sua posição nesse embate, por um futebol mais lúdico e menos cretino em nossas linhas.
Que os pandeiros e ganzás toquem em prol de nossa causa!
Mercelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor, webmaster e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
