Por Claudio Cox
É bem difícil falar sobre esse disco do Clash hoje em dia, depois que ele foi eleito o “mais mais” em várias publicações especializadas e tal, eu vou falar o que, né?! Mas nos meus anos 80 era mais difícil ainda, pode crê!
O Clash chegou na minha vizinhança com o “Combat Rock”, mais precisamente via “Should I Stay Or Should I Go?” - mega hit radiofônico dos caras que tocava até em estação AM - e "Rock the Casbah" – que tinha um clipe que passava direto no programa ClipTrip - e foi só.
Lembro de ter escutado esse álbum inteiro uma vez naqueles tempos e confesso que não bateu como deveria, na verdade o punk “made in brazil” fazia muito mais a minha cabeça, muito por causa das letras que eram sobre as nossas coisas aqui, e isso definitivamente me afastou de algumas bandas "gringas" naquela época.
O “Combat Rock” é o quinto álbum do Clash e foi lançado em 1982, acho que só ele e o “London Calling” ganharam versões nacionais na época. Bom, até hoje os dois primeiros álbuns do Clash não foram editados por aqui, e para entender o Clash como se deve, você precisa começar do começo.
Tenho certeza que se tivesse escutado esses álbuns - “The Clash” e “Give 'Em Enough Rope” - naqueles tempos, a minha história com a banda teria começado mais cedo.
O “London Calling” foi o terceiro álbum lançado em 1979 e ganhou edição nacional graças ao sucesso do “Combat”, mas tinha um “agravante”, era duplo, portanto o preço também era. Ninguém na quebrada tinha esse álbum e a única coisa que conhecíamos dele era a faixa que dava nome ao disco e que tocava no rádio de vez em nunca.
Alguns anos mais tarde, 1993 ou 94 por aí, fui atrás do Clash. Lembro que rolava uma série da SonyMusic na época chamada “Best Price”, que focava relançamentos em Cd de títulos antigos da gravadora com preços “camaradas”. Entre vários álbuns da série estavam lá o “Combat Rock” e “London Calling” do Clash, comprei os dois no mesmo dia.
Agora, uma coisa foi comprar outra foi ouvir os discos, principalmente o “London Calling”. O começo desceu macio, mas quando as já conhecidas “London Calling” e "Brand New Cadillac" saem de cena e os primeiros acordes de "Jimmy Jazz" dão as caras a coisa complica.
“London Calling” é marcado pela pluralidade musical, coisa que eu não tinha na época, e ouvi-lo sem os mínimos conhecimentos - históricos e sonoros - daqueles ritmos que os caras estavam “agregando” ao punk é uma tarefa um tanto delicada e fácil de ser abandonada.
Demorei alguns anos pra assimilar tudo que estava expressado ali. Imagina buscar referências na era Pré-Downloads, era trabalho de formiga, mas também era mais intenso. Lembro de quando ouvi os Specials pela primeira vez, todas aquelas bandas da 2Tone, Skatalites, o fabuloso Jimmy Smith e tantas outras coisas que de alguma maneira chegaram aos meus ouvidos graças ao “London Calling” do The Clash.
A versão em vinil comprei nos anos 2000, na primeira metade com certeza, não me lembro onde exatamente, mas me lembro de botá-lo pra rodar na minha vitrola, religiosamente sempre que preciso ouvir algo que realmente me alimente espiritualmente.
“Londres chama para as cidades distantes / Agora aquela guerra está declarada e a batalha começa / Londres chama para o submundo...”
