
Por Claudio Cox
Em 1971 o contrato dos Stones com a Decca miou, mas os caras não esquentaram muito a cabeça não. Assinaram com a Atlantic Records e de quebra emplacaram dentro da "major" o próprio selo da banda, o Rolling Stones Records. É justamente dessa época a seqüência de álbuns mais fodões da banda, pelo menos pra mim.
Na verdade a seqüência começa ainda na antiga gravadora com o motherfucker “Let it Bleed”, cujo título, segundo as más línguas, é uma tiração de onda com o “Let it Be” dos Beatles, alguém duvida?! Mas talvez a liberdade criativa – claro que existia liberdade na Decca, mas agora era algo que nenhuma banda da época (creio eu) sonhava em ter – que receberam da nova casa tenha sido o combustível para a explosão que se propuseram a fazer naqueles anos.
A história é longa, mas recomendo a qualquer um a fase setentona (recomendo a sessentona também) dos Stones, que começa no “Sticky Fingers” de 1971 e fecha no “Some Girls” de 1978. Uma boa é o documentário “Stones in Exile” que abre as portas (literalmente) no processo de criação do álbum “Exile on Main St.” de 1972, que na época foi recebido de cara virada pelos críticos, mas hoje é considerado “o álbum” pelos mesmos.
“Black and Blue” de 1976 também não foi muito bem visto pelos críticos da época, mas ao contrário do hoje aclamado “Exile on Main St.”, ainda é visto como um álbum mediano dentro da discografia da banda. Eu concordo. Não é um “puta” disco, mas esta longe de ser um disco descartável.
Escutar um álbum assim que ele é lançado é totalmente diferente de escutá-lo 20 ou 30 anos depois, isso é obvio, mas um álbum pode conter outros valores que transcendem o lado “técnico” ou sei lá o que. Quero dizer na real é que crítica musical às vezes é uma merda. Pronto, falei!
Comprei o “Black and Blue” há uns 8 anos atrás, versão digital, por indicação do meu chapa Toninho - já citado por aqui algumas vezes, dono de um sebo clássico aqui na Santo André Über Alles - e de cara chapei com o álbum. A capa já é um caso à parte, o que me fez correr atrás da versão em vinil assim que a conheci. Não me lembro onde consegui, acho que foi na feira do vinil, mas lembro que foi pouquíssimo tempo depois do cd.
“Hot Stuff” abre o álbum na pegada, funk pra sangrar o volume do aparelho de som, "Hand of Fate" vem na seqüência e segura a onda, rockão stoniano sem “novehora”, saca?! Uma inusitada versão do reggae "Cherry, Oh Baby" – música que até então eu jurava ser do UB40, mas que na verdade é de um jamaicano chamado Eric Donaldson e foi lançada originalmente em 1971 – entrou no ranking dos “repeats” aqui em casa, fácil.
Outra faixa que ganhou algumas posições também no quesito repetição foi a baladona “Fool to Cry”, música que poderia facilmente estar no famoso lado B do “Tattoo You”, talvez ela tenha sido o “start” daquela loucura toda, enfim...
Black and Blue é um daqueles discos que você ouve na seqüência, faixa por faixa, e discos assim não podem ser ignorados. Vai na fé, negão!
The Rolling Stones – Cherry, oh Baby (1976)