Por Carolina Vitorino e Priscila Tamara |
Hoje o Pastilhas tem o prazer de trazer duas amigas pra iniciar aqui, oficialmente, nosso espaço sobre moda.
Yes! E para os marmanjos de plantão que estão pensando que isso é coisa de mulher, por favor, prestem mais atenção. A moda está inserida em nosso cotidiano e faz parte das nossas vidas, mesmo que não tenhamos consciência de como isso funciona e interfere. E de fato interfere.
Carolina Vitorino e Priscila Tâmara estarão aqui quinzenalmente com seus olhares e abordagens fora da padronagem que se vê por ai nas vitrines, pra tentar captar a essência desse assunto fascinante.
Feitas as apresentações... vamos ao que interessa... enjoy!
É possível falar sobre moda sem pensar em glamour?
Sim! É possível.
A moda não é só glamour, ela é referência. Traz inspirações que nelas incluem suas formas, cores e texturas, que possibilitam a ousadia e criatividade de cada indivíduo, e que mesmo tendo esse poder de influência em alguns aspectos, não tornam isso uma regra ou obrigação. De modo tendencioso voga por um tempo, mas também acompanha as mudanças de fenômenos sócio-culturais.
Seria um pouco hipócrita dizer que ninguém aí faz uma escolha na hora de comprar uma simples camiseta, é ou não é? Se sua tia, que não tem o mesmo gosto que você, te der uma camiseta de presente, não te der a opção de troca e ainda comentar com simpatia: “... Quero o ver usando querido... (risos)”, mas quando você abrir o presente e se deparar com uma camiseta do tamanho, cor e estampa que não gosta o que você faz? Aceita, dá uma risadinha, agradece e jamais usa, ou fala que não gostou e corre o risco de chateá-la? Todo mundo já deve ter vivido algo parecido. Pois então, será que as pessoas não se preocupam mesmo com a moda, já que ninguém veste ou usa qualquer coisa, até mesmo os que dizem ser básicos?
A moda está aí pra quem quer. É importante não confundi-la com o modismo! O modismo é efêmero, objetiva somente o lucro necessário para a manutenção das grandes corporações, as mesmas que estudam nosso comportamento em busca das tendências de consumo. Quando pontuam o que anseia o consumidor, exploram isso à exaustão nos meios de comunicação, de forma liminar na propaganda e subliminar na indústria cultural. Esses dias no ônibus havia um rapaz com seu amigo e estavam escutando o tal pancadão. Na letra citavam várias marcas de roupas e acessórios e um deles fez um comentário do tipo: “... Eu tenho essa pólo..., paguei duzentos conto...” Nessas, reparei que o indivíduo estava exatamente como o que falavam na música. E pode ter certeza, há uma grande massa que segue esse nicho, que é um dos inúmeros que o modismo sugere.
Confundida com o modismo, a moda acaba sendo deturpada pela forma que é exposta, tornando-se mais um item vicioso do consumismo desenfreado que o capitalismo nos impõe a todo momento, onde muitas pessoas querem mas não podem ($$$$). A moda é muito mais simples que isso: ela é somente ‘o saber usar’. Muitas pessoas exageram, no sentido de ter que trocar o guarda-roupa só porque “não estão na moda”.
A moda é algo inerente ao nosso comportamento, está além de qualquer entendimento ou gosto. Ela é simplesmente bom senso.
História da Moda no Brasil (Dir.: Tatiana Lohmann e Luiz André Prado)
História da Moda no Brasil (Dir.: Tatiana Lohmann e Luiz André Prado)
Carolina Vitorino cursou Produção de Vestuário e atualmente se aprofunda em Modelagem. Priscila Tâmara estuda e trabalha com Modelagem Geométrica e cursou Merchandising p/ Varejo de Moda.
