Depois de 22 discos devidamente passados a limpo, mais 2 capítulos extras falando sobre fitas cassete, chegamos ao derradeiro “Vinil pro CD” e vamos terminar exatamente como começamos a saga, com o rei Roberto Carlos.
Com esse de hoje foram 4 os discos do “Brasa” que passaram por aqui. Campeão absoluto! Em segundo lugar com 2 cada estão os Ramones, seguidos pelos Rolling Stones e pelos Beatles. Tá, isso não era uma competição e não reflete o valor de importância pra mim de cada um desses. São apenas números, uma brincadeirinha.
Hoje com esse “revival” dos discos de vinil - na gringa, porque por aqui esse “revival” ao invés de reacender o mercado musical, deu aos vinis o status de souvenirs de luxo, com preços inconcebíveis - essa dobrinha cd/vinil tende a aumentar na minha coleção. Alguns discos que estão na minha mira já faz um tempo - agora com essa baixa no dólar - podem finalmente entrar nesse seleto grupo aqui da minha estante.
Bom, esse álbum do Roberto marcou definitivamente sua saída (e a minha também) da Jovem Guarda e do Rock and Roll. Como já insinuava no álbum anterior, “O Inimitável”, o cara afundou de vez o pé na Soul Music e por conseqüência (creio eu) as letras também ganharam uma dramaticidade até então considerada “alienada”.
Foi nessa mesma época, primeira metade dos anos 90, que junto com os discos do Roberto eu comecei a desbravar novos horizontes sonoros, mas ao contrário do mano, eu nunca abandonei o meu Rock and Roll.
Um dos álbuns divisores de águas nesse período pra mim foi o “Maggot Brain” do Funkadelic – disco que encabeça minha lista para uma edição em vinil e que figura entre os 10 “mais mais” forever -, seguido do “Mellow Gold” do Beck e do “A Tábua de Esmeraldas” do Jorge Ben. Acho que nem preciso recomendá-los...
Não me lembro exatamente onde comprei esse álbum do Roberto, foram quase todos na mesma época, acho até que esse foi o último. As versões em vinil, como já disse por aqui mesmo, foram compradas numa tacada só num sebo em São Caetano do Sul em meados dos anos 2000.
Esse talvez tenha sido o álbum do Rei que me inspirou a escrever letras na primeira pessoa. É claro que não dá pra precisar datas, foi um processo de anos e anos e que ainda não se concluiu, mas certamente o clima introspectivo da faixa de abertura “As Flores do Jardim da Nossa Casa” – que reza a lenda foi inspirada no drama que Roberto passava com o glaucoma de seu primeiro filho – abriu um mundo de possibilidades musicais inexplicáveis pra esse plebeu aqui.
O Rei chegou, viva o Rei!
