Por trás da tela - Cinema descartável

Por Bruno Módolo | 

"Cilada.com". O nome já entrega...
O objetivo é levar 2 milhões de pessoas para os cinemas. Já no primeiro fim de semana levou quase meio milhão, e por isso, é considerado um dos grandes sucessos do ano e o 6º inicio de todos os tempos. É o Cilada.com, filme de Bruno Mazzeo, que está atraindo muita gente, mas rechaçado pelos críticos. O que isso importa?

2 milhões de pessoas é só quase 1% da população brasileira. Pelo ponto de vista das marcas de bilheteria no país, o número passa a ser bom. Houve um grande esforço de publicidade para o lançamento, que é uma grande estratégia. É um formato consagrado na Globo, opção bastante confortável para atingir o sucesso. Porém, o filme não deixa de ser péssimo.

Não importa se está fazendo bilheteria, se tem gente que está feliz com o resultado. Não significa que é a nova tendência para se fazer sucesso no cinema nacional. É um estilo de filme e nada mais. É uma pequena parcela da população brasileira que vai ao cinema vê-los, e boa parte não são freqüentadores assíduos das salas exibidoras. Há espaço para os outros filmes sim, há público para os outros filmes sim. Deixa estar.

Um grande filme comercial, feito especialmente para arrecadar bilheteria, marca nossa mente. Quem não se lembra de Os Trapalhões, Curtindo a Vida Adoidado e Os Gonnies? Foram filmes feitos para divertir o público e criados por artistas que sabiam o que era um bom cinema de entretenimento. Depois de assistir a filmes assim, relembramos as cenas nas conversas e temos vontade de revê-los anos depois.

Grandes filmes de arte também marcam nossa história, porque nos fazem refletir sobre nossa sociedade, nossa vida, sobre nós mesmos. Lembramos deles a todo instante, mais até do que os filmes comerciais bons, porque certos filmes de arte nos inspiram a sermos diferentes, enxergar o mundo de maneira diferente.

Filmes como Cilada.com são descartáveis. Quem o assistir dá risada na hora, sai do filme e segue a vida. Pode comentar com os amigos no dia seguinte porque está fresco na memória. Mas depois de um tempo o esquece, não vai discutir sobre a história na mesa do bar. E qual o problema disso? Nenhum. O filme cumpriu seu papel. Foi produzido, exibido, levou bom público, depois vem outro filme no lugar e a vida segue. Filmou, lavou, tá novo.

Podem deixar filmes assim acontecerem. O mundo não vai mudar.

Bruno R. Módolo é roteirista e sócio da Garoa Fina, um estúdio dedicado ao desenvolvimento de roteiros e histórias para TV, Cinema e Publicidade. Twitter: @brunormodolo
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