No bico do Tuiuiú - A revolta da vacina

Por Elsa Villon

Eis que está se aproximando: o embate entre Elsa Villon e sua fobia se aproxima. Daqui menos de seis dias estarei aonde Adriana nenhuma jamais Esteves (#TuDumTss). Piadas ruins à parte, antes de mais nada queria enfatizar a “Semana do Cão” que foi essa para a colunista que vos fala. Entendam a minha “Revolta da Vacina”.

Fora o medo de locais fechados, tenho um sério problema com agulhas. Mas essa não foi a motivação para não tomar a minha vacina contra febre amarela e precisar ir às pressas nessa quinta-feira. O que provocou um adiamento extremo foi:

A) O falho sistema público de saúde em São Bernardo do Campo, que só disponibiliza a vacina em duas UBS e em horários completamente improváveis para quem não mora do lado;

B) Uma rinite alergia à proteína do ovo, presente em vacinas de febre amarela, gripe e gripe suína;

C) A síndrome brasileira de deixar tudo para a última hora;

D) Todas as anteriores.

Se você respondeu D, ganhou o seu peso em barras de ouro, que valem mais que dinheiro. Procurei a diaba da vacina em vários lugares e quando finalmente consegui dar um Pelé no trabalho para domar minha covardia e tomá-la, pergunto a enfermeira se uma alergia a ovo poderia causar alguma reação à vacina.

Com o ápice de seu mau-humor, ela respondeu que sim, disse que se eu fosse alérgica, não poderia tomar e terei que passar por uma alergista. Disse que eu fiz tratamento quando tinha seis anos e que comia ovo normalmente. Não adiantou. Ela confabulou com a outra enfermeira e a alergista do local e se recusaram a aplicar a vacina. Mesmo comigo me responsabilizando por toda e qualquer reação, assinando termos de compromissos e tal.

Sistema Público de Saúde: 1 x Elsa Villon: 0.

Dia de trabalho praticamente perdido, decidi ir atrás de coisas para o Rondon. Acredito que muitas pessoas no ABC não lêem o Diário do Grande ABC. Ou se leram, não deram importância ao projeto. Mais um insucesso.

Lamúrias à parte, fui à outra da cidade, no Ferrazópolis, que só atende até as 18h e fica na ladeira mais íngreme da história desse país. Minha sorte é que o pessoal é mais bem-humorado e permitiu que eu tomasse a famigerada vacina.

Estava receosa, com medo de ter um treco por conta de alguma reação, mas no final, o tratamento de antígeno que picava duas vezes minhas pueris nádegas quando tinha 6 anos surtiu efeito e eu estou viva. Por enquanto.

Nossa equipe passou as duas últimas semanas atrás de doações: matérias escolares, de construção, da área de saúde ou qualquer outra coisa que pudesse ser utilizado em nosso cronograma de atividades.

Os bons budas tem nos ajudado e conseguimos muitas doações nessa última semana. Graças a eles e aos esforços principalmente de Bruno Aranda, Fábio Mariano, Fernando Balthazar, Gleice Pereira, Marina Rangel, Juliana Nagy e Silvana Oliveira, nossos projetos não vão ficar só na tela do computador.

Por conta de umas questões paralelas, tenho trabalhado bastante e não compareci às últimas reuniões, portanto, não sei em que pé estamos, direito, nesta reta final antes da viagem. Mas já agradeço de antemão por todo mundo que contribuiu de alguma forma com a operação.

Um agradecimento especial ao meu grande amigo Nuno Jr, o publicitário responsável pela maior parte da arte utilizada em nossas operações. O Nuno é o típico publicitário que tarda, mas não falha. Nunca me desaponta com sua criatividade e o máximo que eu preciso fazer é vez ou outra corrigir seus trabalhos ou escrever textos para suas campanhas. Escambo é a alma do negócio.

E para finalizar, peço ajuda aos leitores para ajudarem a compor uma playlist para o Tuiuiú: o que levar para ouvir? Sofro desse mal de ter 30 Gb para ouvir músicas e não saber o que ouvir? O que sugerem para o meu pânico pré-avião?

Elsa Villon é colaboradora do Pastilhas Coloridas, jornalista e fotógrafa viciada em café, cinéfila, adora Beatles e cheiro de pão saindo do forno. Twitter: @elsavillon
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