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| Cena do filme Mad Max, um bom exemplo de set up bem feito. |
Por Bruno Módolo |
Nos filmes é assim também. Assim que os primeiros segundos são exibidos, a gente já quer saber quem são os personagens, a que tipo de história assistiremos, onde se passa e aonde tudo isso chegará. Se conseguirmos tirar alguma informação útil, ótimo, prestaremos atenção no filme. Mas se for confuso, não disser nada com nada ou de propósito, as informações forem escondidas só para causar o efeito surpresa, detestaremos o filme. Por isso, escrever um bom começo tira o sono dos roteiristas.
É comum chamar essa parte da história de set up, e é também muito comum errar nessa configuração. Estabelecer todos os elementos do filme no começo, de maneira coerente e interessante é difícil porque certas escolhas têm que ser feitas, detalhes tem que ser avaliados e isso dá muita margem para os erros. Se esquecer de alguma coisa, principalmente de revelar quem é o personagem e o que ele quer, o público vai acompanhar a história sem saber que rumo seguir, e sem demora, vai perder o interesse.
A Inquilina, de Antti Jokinen e estrelado por Hilary Swank é um exemplo de como o set up pode ser mal feito. O filme tem 90 minutos, aproximadamente, e nos primeiros 40 minutos é mostrado um monte de baboseira que não vai fazer sentido no resto do filme. Conflitos amorosos, conflitos familiares, suspenses rasos e outras coisas que vão se arrastando e gastando o tempo do filme. Depois, tudo tem que ser resolvido as pressas e assim não dá tempo de curtir o vilão, torcer pela mocinha, ter medo das situações. Além disso, quase tudo o que é estabelecido no começo não precisaria ser contado.
Um bom exemplo de set up bem feito é Mad Max, de George Miller, rodado em 1979. É o primeiro filme da trilogia e nos primeiros minutos tudo é estabelecido e você já se vê torcendo pelo Max, vivido por Mel Gibson. Fora que fica angustiado desde o primeiro take ao se imaginar naquele mundo cão.
O segredo de todo começo, inclusive para a vida, é ser claro e sincero. Ficar escondendo as coisas, mascarando para parecer legal e inteligente, será um tiro no próprio pé. Tem que falar a verdade para o público, tem que ir direto ao ponto, sem firula. Saber o que e porque está contando o filme, ajuda a avaliar o que precisa ou não. Após a escolha, o roteirista pode elaborar melhor. Só não adianta inventar moda se nem as medidas do manequim são conhecidas.
Bruno R. Módolo é roteirista e sócio da Garoa Fina, um estúdio dedicado ao desenvolvimento de roteiros e histórias para TV, Cinema e Publicidade. Twitter: @brunormodolo
