A mais nova transa de Caetano Veloso na ludopédia tupiniquim e a valsa dos capengas no Morumbi

Por Marcelo Mendez

Amigo leitor, vos digo com grande satisfação:

Domingo que se acorda bem acompanhado, com o Caetano Veloso cantando “You Don't Know Me” só pode vir a ser um grande domingo. Nem mesmo o friozão paulista pode atentar contra a premissa de um dia desses ser um grande dia. Dei, portanto uma espreguiçada boua, encontrei a dama, ganhei beijo de uma boca de maçã e iniciamos o primeiro papo...

“Você quer fazer o tabule do almoço?”

“Não querida, hoje tenho jogo. Daqui a pouco tenho que ir pro Morumbi”

“Ah não acredito... Nesse frio? O que você vai fazer lá??”

“Ué... Ttrabalhar, mulher. Tem Palmeiras x São Paulo...”

“Ah tá. Palmeiras...”

Sorri. Tomei um gole de café forte e fiz a promessa eterna de todos os amantes boêmios ativos ou na reserva, como é meu caso:

“Querida... Terminar lá, venho direto pra casa. Acredite; não tenho o menor prazer de sair daqui para ir la ver o Luan jogar.”

“Ah vá... Você vive escrevendo que detesta, que não suporta, que não aguenta mais ver esse tal de Luan jogar, mas inadvertidamente me troca por ele. Você vê muito mais o Luan do que eu!!”

E ao som de “It's A Long Way”, saí da cozinha soprando a xícara de café e rindo sozinho. Ainda pelo caminho do Morumbi, ri dessa minha condição de pobre cronista ludopédico em busca de uma migalha de encanto pelos campos de futebol. Óbvio que eu já sabia o que viria pela frente na pobreza técnica que foi o São Paulo 1x1 Palmeiras. O resto se explica por conta de nossa obstinação ou, como se diz no Parque Novo Oratório... Teimosia mesmo. Mas ainda resta para nosso campo de análise um viés, uma via de regra cada vez mais constante em nosso futebol. Vamos então as vacas magras...

Com a nova tecnocracia da ordem reinante no futebol atual, moderno, globalizado, banal e pobre de encanto, apareceu um clichê dos mais irritantes que diz que “Não há mais bobos no futebol”. Para tudo que se faz de mais ridículo, cretino e óbvio, vem o tecnocrata e diz “Não há mais bobo no futebol”. E se a gente diz que o Barcelona, ou a Seleção da Espanha provam que os bobos estão todos ai, o burocrata ludopédico, enche os pulmões e diz em tom de bravata; “Esses são à exceção da regra”. Bem, então é mais fácil ainda:

Não que é “não há mais bobos no futebol”, o certo, portanto é “SÓ HÁ BOBOS NO FUTEBOL”. Sim, caro leitor, a premissa na verdade é essa. O futebol dos dias de hoje ta cheio de Mané!

Vivemos uma época em que os times de futebol pelo mundo afora não buscam mais a diferença, o detalhe que o tornará vitorioso, que lhe dará as glórias e as coroas das grandes conquistas. O tecnocrata de chuteiras faz ao contrário; Ele se iguala na miséria com seu adversário para que assim, tudo se justifique, tudo fique na conformidade e na cama do sossego dos canalhas da conveniência burra. Se o meu Palmeiras tem arremedos como Luan, Patrick, Leandro Amaro e Dinei, o São Paulo também não fica atrás, com seus Carlinhos Bala, Piris, Rodolfo, Marlon e mais Welingtons e outros joões quaisquer.

Os seus respectivos treinadores pensam primeiro em “Conter as ofensivas adversárias” ao invés de pensar em ganhar jogos. Ao invés de ter para si os três pontos validos, contentam-se com um pontinho pra cada, no acordo mais podre possível de tabela. Aí não adianta reclamar...

Esquece essa coisa de querer que as bolas cheguem mais facilmente para Dagoberto na frente, porque o técnico do São Paulo não vai abrir mão dos seus 3 zagueiros e mais dois volantes. Mesmo tomando um gol de cabeça no meio da área, com esses 5 caras na frente do gol, ele não dará o braço a torcer. Seguirá firme, na sua condição de óbvio burocrata! Com o Palmeiras é pior ainda...

Não adianta tentar por na cabeça do sujeito que ataca, que é preciso ter vontade de fazer gol. Lhes digo meus caros; O centroavante tem que querer o gol, tanto quanto o adolescente virgem quer a Charlize Theron pelada! Tem que ir para rede decidido, cheio de ímpeto, tal e qual Celso Horta vai em direção à máquina de café expresso da redação... Tem que querer muito o negócio!! Se não for desse jeito a coisa não vai...

E nem mesmo Immanuel Kant com todo seu poder dialético, com o que há de mais puro em suas razões metafísicas convencerá Luis Felipe Scolari de que, com esses jogadores que o meu Verde tem hoje não dá. Então mediante a tudo isso, claaaaaaroooo que o resultado da porcaria só pode ser um empate feio e chato! Parabéns! O 1x1 é o melhor premio possível para a inércia de vocês, Palmeiras e São Paulo. Quer dizer, nada vai mudar.

A coisa seguirá com essa chatice previsível, essa maldita mania de ser óbvio desses técnicos e essa teimosia perene em insistir no que há de mais errado na ludopédia tupiniquim. E o porquê eu insisto acreditando que dai sairá algo de bom, não da para eu explicar aqui, mas garanto, caro leitor...

Os que fazem samba e amor até mais tarde, hão de me entender...

Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor, webmaster e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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