A alternativa é nossa

O cineasta Pedro Almodovár
Por Claudio Cox

Desde sempre existiu a discussão de como se deve vender e divulgar arte. Sim, arte se vende. Eu mesmo não conheço nenhum artista que viva de brisa. A questão é como fazê-lo. Não quero nem entrar na pauta de produções que são moldadas para o esquemão cultural – essa é a “venda” que diferencia artistas de “artistas” – mas sim para as produções menores que se sustentam do “pequeno” público que se interessa por elas.

É claro que quando se produz e promove um trabalho artístico, seja ele qual for, espera-se atingir o maior numero de pessoas possíveis – mesmo dentro de um determinado seguimento – os que negam isso, ou estão mentindo ou simplesmente não vivem às custas da própria arte.

Há alguns dias atrás tive uma longa (e boa) conversa com o poeta, produtor cultural e lenda Zhô Bertholini, e o assunto foi justamente a produção cultural independente ou alternativa, como queiram. Entre lamentações sobre a atual gestão “populista” cultural da nossa cidade (Santo André) e o domínio dos “stand up comedy farofa” nos teatros da região, a conclusão unânime a que chegamos foi que rapadura é doce...

Nunca foi fácil chamar a atenção do público, ainda mais quando a concorrência é estritamente devastadora. Não é privilégio só aqui do Brasil o domínio que os Shoppings Centers e suas “comodidades” exercem sobre as pessoas.

Também acho que nunca foi a intenção de quem produz arte mundo afora, competir com um desfile de roupas de grife numa praça de alimentação cheirando óleo de fritura. A intenção real (pelo menos é nisso que eu acredito) é dar a alternativa para isso e deixar que as próprias pessoas escolham entre as opções.

Um filme do Almodóvar nunca vai bater o público de um “blockbuster hollywodiano”, por exemplo, mas por outro lado, dentro do seu universo é muito mais difícil ele dar prejuízo na bilheteria, já que conquistou o seu próprio público e não depende tanto da divulgação massante. É dentro desse raciocínio que devemos pensar numa “pequena” produção independente e é assim que devemos vendê-la.

Durante muito tempo houve (e ainda há) o interesse pela homogeneização da população e por tabela também da sua cultura, isso é fato. A reprodução em massa de formas de pensar, agir e sentir, hoje são facilmente detectadas em quaisquer manifestações sociais. Mantem-se as rédeas e tornam-se objetivamente muito mais fáceis de serem domadas.

Menos é mais... Sempre!
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