Essa semana acontece a “esperada” festa de premiação da MTV Brasil, o VMB. Pensada para ser a versão tupinikim do VMA norte americano, até que nos primeiros momentos a premiação nacional teve seus lampejos de inovação, mas hoje é a mesma porcaria das outras com embalagem premium.
Relembrando a premiação e buscando referências da década em que ela deu os seus primeiros passos, não é nenhum exagero dizer que o material bruto – o pop (inter) nacional – era bem mais interessante e instigante que o de hoje – talvez nem tanto assim – mas isso não tira a responsabilidade do canal da mesmice que foi instaurada no pop nacional e conseqüentemente na premiação no decorrer da sua trajetória. Responsabilidade de quem se diz “out” do esquemão.
Hoje em dia com as grandes gravadoras falidas e buscando a todo custo outras formas de lavar dinheiro, fazendo de conta que a pirataria foi a grande vilã dessa era de vacas magras e que a falta de criatividade e incompetência de seus executivos e produtores de nada tem a ver com isso, me pergunto: o que será que vai acontecer com a música pop no Brasil e no mundo nos próximos 10 anos?
É besteira minha ou havia interesse em alguma coisa quando músicos e compositores bateram o pé para romper a barreira dos três minutos estabelecidos pela industria fonográfica na era dos compactos durante os anos 50 e 60? Havia interesse por um novo rumo para o pop, quando o punk pegou de volta esses mesmos três minutos ou quando o rap bateu de frente contra todos e fez do DJ maestro?
Existiam paredes e uma vontade irracional de derrubá-las, mas hoje parece que vivemos num “Loft” e isso envolve todos na questão, desde músicos, produtores, jornalistas, público e etc. Essa onda revival – onde tudo, até o que era ruim, fica bom depois de 15 anos – deixou o ar preguiçoso e pesado. Tudo parece fácil, até fazer música.
No Brasil a música pop que correu atrasada durante várias décadas e agora quando a velocidade de informação e etc não são mais problemas tão relevantes, sucumbe do mesmo mal. Um mercado gigante cheio de camundongos domesticados.
O pior de tudo isso ainda é agüentar essa falta de culhão generalizada instaurada em grande parte pela TV musical. De um lado esse “underground” hype fazendo piada da nossa cara, de outro um público culto formado no Google achando graça.
Bem, se essa imbelicidade que assola a sociedade – principalmente os jovens – não for combatida em tempo, a música pop será a última coisa com que devemos nos preocupar. A década ainda está só começando, mas o balde já tá cheio...
