George Bataille nas arquibancadas do Canindé e fábula fálica do triste Palmeiras

George Bataille
Por Marcelo Mendez

E então na semana em que “torcedor” espanca jogador, quando o meu Palmeiras vive a pior fase do seu processo de “auto-apequenamento” por conta de um presidente patético, de uma diretoria amadora, vitimado por mandos e desmando de uma política macarrônica de fazer inveja aos Bórgias, eis que seu técnico, após um empate mequetrefe de 1x1 com o Flamengo, no aeroporto ao ser abordado por um fotógrafo, brada a plenos pulmões tal e qual um John B. Holmes:

 “Porque você não tira uma foto do meu pau?!”

   ...

 Nada mais apropriado, portanto do que chamar o grande George Bataille para me ajudar nessa nada prazerosa missão de contar as agruras de um quase ex-grande-clube.

 Bataille, nascido na França em 1897, fora grande escritor, com pleno domínio de outras áreas como Filosofia, Sociologia, História da Arte e Antropologia. Escreveu um livro que virou minha cabeceira profana, mundana e putana por conta de meus mais tortos motivos há época que tomei gosto por sua literatura em 1989. A HISTÓRIA DO OLHO, escrito em 1928 é o marco inicial de sua carreira.

 Escrito por sugestão de seu psicanalista, A HISTÓRIA DO OLHO é o livro em que Bataille cria para expurgar os seus mais profundos demônios, como ele mesmo gostava de dizer; “Escrevo para esquecer meu nome”. Uma preciosidade de livro, que serve como ponto de partida para o tema que ele mais explorou que é o conceito do erotismo e de uma escolha que seria a contramão de seu conterrâneo Heidegger. Ao invés de investigar os fundamentos subjetivos das coisas do mundo, opta por libertá-los de seus limites de época. Dessa forma, deita e rola com uma onda de três formas de saber a partir do erotismo:

 O erotismo dos corpos, o erotismo dos corações e, finalmente, o erotismo sagrado. Tendo, portanto como base essas três regras dos ensinamentos do Mestre Frances, vamos investigar o sofrido Palmeiras...

 Com relação ao Erotismo dos Corpos, a coisa não vai lá muito bem.

 Luis Felipe que não é lá nenhum Rodolfo Valentino em se tratando de dotes físicos, também não consegue seduzir por sua gentileza e cordialidade. Ultimamente, o ótimo técnico gaucho, homem sério e muito vitorioso em sua carreira vem metendo o pé pelas mãos e não é de hoje.

 Terminou o ano de 2010 mal e parcamente ao apoiar a palhaçada feita por um tal de Pescarmona que, travestido de dirigente deu um pití extremamente boiolístico nos vestiários do Palmeiras após uma derrota para o Goiás pela copa sul-americana com um único objetivo; Fazer média com a torcida e com a imprensa que filmou a coisa toda.

 Um palhaço que não pagava salário em dia e sabia de gestão administrativa o mesmo que eu sei de física quântica. Era a vez de Scolari defender seus jogadores e ele optou pelo muro. Foi o seu primeiro grande erro. De lá pra cá acumulo uma centena deles...

 Foi muito mal quando deixou de resolver seus problemas pessoais com Kleber e Valdivia com ambos, preferindo expo-los na mídia. Erra, quando esculhamba o péssimo time do Palmeiras que é péssimo em grande parte por culpa dele mesmo, Luis Felipe. Afinal, ele montou esse arremedo de equipe com nomes preciosos como Adriano Michael Jackson, Gerley, Max Pardalzinho, Fernandão, Ricardo Bueno entre outros.

 Foi de uma burrice absurda, ao dizer que não dá para fazer mais nada pelo time, faltando 10 rodadas para o final do campeonato. Aí me digam vocês caros leitores; Se o homem que tem que resolver a coisa, diz que mais nada pode ser feito, como é que faz para chegar dois dias depois e gritar na beira do campo para esse grupo jogar com “honra, determinação e raça”? Pois bem...

 Do Erotismo do Coração também num dá.

 Em um time rachado, pérfido, sem vontade de absolutamente nada, é impossível que algum sentimento chegue ao coração dos jogadores do Verde.

 O Palmeiras entrou em campo ontem, de uma maneira lamentável. Tétrica! Com o técnico que não foi ao jogo por conta de um casório de seu filho em Portugal, orientado pelo exótico Flavio Murtosa à beira do campo, O Palmeiras não fez muito para evitar a derrota de 2x1 para o Fluminense.

 Jogando de maneira atabalhoada, sem força para atacar, sem nada que lembrasse algo próximo de criatividade, o time sequer fez o beabá, que era marcar o jogador mais agudo das laranjeiras, o atacante Fred; Em três bolas que chegaram até ele, o camisa 9, guardou duas. O suficiente. O Palmeiras ainda conseguiu fazer um golzinho de pênalti arranjado pelo arbitro e só.

 Fluminense 2x1 Palmeiras, placar final e vou poupá-los da melancólica coletiva de Flavio Murtosa no final do jogo.

 A outra forma de saber proposta por Bataille é a do Erotismo do Sagrado. Tendo em vista, no entanto que, o burocrático time do Palmeiras esta a anos-luz da sagração, mais nada resta a ser dito do time de Palestra Itália. Entender a série de coisas ruins a que o Palmeiras mesmo se submete está a quem de meus parcos conhecimentos. Mas aí, nosso amigo George Bataille há de me auxiliar com uma de suas máximas que diz que:

 "Percebo, afundando, que a única verdade do homem é ser uma súplica sem resposta”.

 Sendo assim, segue o calvário Verde e aguardemos, portanto a próxima súplica...

Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor  e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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