Por Marcelo Mendez
E cá estamos caríssimos leitores para o começo da crônica futeboleira nossa do Canela de Ferro em 2012. Tendo portanto como pontapé incial o nosso Campeonato Paulista, uma reflexão é perfeitamente cabível:
Para que serve o Paulistão?
Para que serve o Paulistão?
Existe aquela corrente mais moderna e globallizada que prega pelo seu fim, achando-o que no ano da graça de 2012 ele é perfeitamente dispensável. Em uma época em que as atenções ludopédicas estão indo e voltando para a internacionalização (necessária...) dos clubes, quando as cifras ficam inflacionadamente milionárias, a demanda aumenta e se faz necessária uma forma para pagar as contas. Tem também os moderados...
Esses são aqueles que pensam em fórmulas de disputas mirabolantes, aquelas porcarias onde 20 clubes (Times demais...) disputam o campeonato dos quais se classificam quase todos, para depois fazerem chaves que todo mundo sabe o que vai dar e enfim... Na decisão ficam todos os que todo mundo esperava desde antes da coisa começar. Quem ama isso é o programador da televisão que tem os direitos do campeonato... Resta ainda os realistas:
Os que dizem que “Na verdade é bom ter um paulistão para os grandes clubes se preparem para o campeonato nacional e para libertadores...” Estranho isso. As equipes tem no minimo 25 dias de férias. Mais 15 a 20 dias para o inicio do Paulistão. Ainda por cima contam com o péssimo nível técnico do começo da competição para cncluirem os treinos de pré temporada e ainda assim, querem uma “preparação durante o campeonato?” Não seria melhor portanto retirar os tais clubes grandes da disputa? Pois senão vejamos:
Amigo leitor, o que muda para o Corinthians, campeão brasileiro, com a sanha, a cabeça e obstinação toda voltada para Libertadores da América, uma mirrada vitória por 1x0 contra o Linense? Qual seria para o torcedor do São Paulo, a alegria em ver seu time penar para meter um 2x1 burocrático no Morumbi em cima do São Caetano e ainda por cima, ver seu camisa 9 sair de campo machucado? Agora, sem Ceni e sem Luiz Fabiano.... Qual a maldita atração que o time reserva do Santos propicia ao empatar modorentamente contra o Paulista de Jundiaí com um estadio as traças?? Meu Palmeiras, que empatou com a Catanduvense nem vou falar, porque já nem sei se é “Grande” como nossa história justamente preconiza, enfim...
Por conta desses ditos “grandes”, o Campeonato Paulista hoje é algo inchado, sem graça, sem encanto e sem nenhum charme. Porque o espaço do charme é abduzido por sonhos megalomaniacos de dirigesntes sedentos por satisfações às suas vicidas insituições uniformizadas dos quais são refens. Com tudo isso, perde-se portanto a atenção para coisas que realmente valem a pena. O classico “Come-Fogo” por exemplo:
Sábado a tarde na cidade de Ribeirão Preto, tivemos a reedição do classico entre Comercial x Botafogo. Os dois times, grandes rivais daquela cidade não se enfrentavam desde 1986 naquele que é um dos grandes clássicos do interior paulista. Uma coisa linda de se ver. Sábado a tarde no interior, sol forte, bate papo nos botecos da cidade, as familias se preparando para irem ao Estadio Santa Cruz do Botafogo, torcerem para seus clubes, naquele clima bom, gostoso, cheio de paz, de alegria, sem ficarem se importando com o lugar da tabela, se vai ter classificação para um dos times, se o Milan vai contratar o zagueiro de seu time... O torcedor do clube pequeno do interior só quer ter o direito sagrado de torcer para o seu clube. De saber que no ano seguinte, poderá tirar uma onda com seu rival numa tranquila, numa boa como tem que ser.
A tal “Grandeza” da capital se nada tem a ver com isso, poderia ao menos não atrapalhar esse único sabado, único dia que a Ludopédia volta sua atenção a esses bons torcedores e seus lendários clubes. Por lá, o Comercial venceu de virada, por 2x1 e vos digo quem para o torcedor interessado nesse classico, nada é maior que uma vitória no Come-Fogo. A Divina Comédia de Dante é uma reles chanchada, Sheakspeare não passa de um escritor de folhetin ante a grandeza de um Eliomar Bombinha, artilheiro dos dois gols Comercialinos! E não sei se os senhores vão entender o que vos digo, nem me preocupo, nem tenho essa pretensão pra falar a verdade.
Assim como Volpi ensinou nas artes plásticas, no mundo da literatura, o cronista nada mais é que um sampleador de fatos e prosas. Seu papel é apresentar os causos, sem ter que se preocupar muito com essas bobagens de metas, eficácias e outras brochices neoliberais, portanto “neo-idiotas”. Vos digo que Sabado, a capital do futebol foi Ribeirão Preto:
Que pena que o mundo novo não tem a sensibilidade de compreender isso...
Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.