Algumas pitadas de Thomas Mann e a débâcle sem classe do Palmeiras no Pacaembu...

Por Marcelo Mendez

Thomas Mann
Não sei se por conta da recente releitura que fiz de A MONTANHA MÁGICA ou pelo que diabo que é, mas ontem na derrota do Palmeiras para o Corinthians por 2x1 no Pacaembu, me vi totalmente submerso pelos encantos de Thomas Mann.

O grande escriba foi um dos maiores nomes da Literatura Mundial com livros imortais e com uma personalidade pra la de sui generis. O cara que revolucionou o mundo das letras, era um homem conservador, totalmente apegado às raízes da cultura alemã (o que era ótimo...) e a um patriotismo, um ufanismo meio complicado (o que era péssimo). No meio disso tudo, viu sua esposa ser internada em um sanatório próximo as montanhas de Davos, nos alpes e a partir dessa sua experiência começa a pensar no livro cá citado. Um lance diferente...

Considerado por muitos (inclusive por esse cronista que vos redige essas linhas...) um dos maiores romances de todos os tempos, A MONTANHA MÁGICA é um livro totalmente solto, desprendido de regras bestas e de outras “padronices” da época. Sem a amarra do enredo, o romance trata da viagem de um jovem engenheiro alemão por temas complexos, por amor, ódio, doença... A proximidade da morte e a linha tênue da razão e da loucura em meio a todo esse processo. Bom, ontem vendo esse time do Palmeiras no Pacaembu passei por um bocado de todas essas coisas, com a diferença de que no caso do Verde de Palestra Itália não tem nada de encantador como na Montanha de Mann...

“Sem enredo...”

Isso! O time do Palmeiras não segue nenhum. O problema é que além do desprendimento de enredo, também é totalmente desprovido de qualquer senso lógico. Vejamos:

Começou bem o jogo. Armou uma forma de adiantar os seus volantes (que não são poucos...) para marcar o Corinthians no seu campo de defesa. Dificultando a sua saída de bola, quebrando o passe do time do Parque São Jorge que já não é la essa bênção, ficou bom de se jogar. Nem demorou muito para abrir o placar com Marcos Assunção. Com 1x0 no placar, ainda teve la mais umas chances e podemos dizer que o primeiro tempo foi até tranquilo. Se o Palmeiras tivesse la alguma coisa próxima à razão, seria fácil manter isso no segundo tempo. Era tocar a bola, esperar espaços surgirem para Maicon Leite escapar pelas esburacadas laterais corintianas e tava tudo certo. Mas ae...

“Personalidade Sui-Generis”

Ninguém entende o que acontece com o Palmeiras. Do nada, se tem por lá uma dessas falhas de várzea e aí num cruzamento, uma bola jogada a esmo na área o Corinthians que não tinha como chegar ao gol de Deola, chegou com uma ajuda de Marcio Araújo. Após o rebote, 1x1 no placar e a pane se instaurou. O mesmo atrapalhado Marcio Araujo decidiu que tinha que fazer um gol, mas não prestou atenção em qual trave marca-lo. O fez contra e o 2x1 se arrastou até o final do jogo.

Em 6 minutos o Palmeiras se desconstruiu, se apequenou, se propôs a um trauma totalmente desnecessário. Vence os Coruripes da vida, mas segue não dando perspectivas de maiores voos à sua torcida. Tal e qual o livro aqui que falei...

Em A MONTANHA MÁGICA, o final do livro da-se com o início da primeira guerra mundial. Nenhuma esperança a vista, nenhum sonho pra ser vivido. O caos pela frente. Ta bom.

Para o bem de quem gosta do Palmeiras, espero que caso venha à débâcle, que ela chegue com um certo charme...

Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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