Por Claudio Cox
Não é de hoje que esse jornalismo "cumadre" de música tenta eleger alguém pra ser o "Messias" de uma geração. Alguém que venda revistas, jornais e dê audiência em talk shows e afins. Isso é o que sustenta meia dúzia de magnatas e torna alguns músicos perfeitos idiotas, mas definitivamente não é o que sustenta o rock como expressão artística.
Algumas das mais influentes bandas da década passada foram umas “piadas” comercialmente – levando em consideração esse padrão infeliz de gerar riquezas absurdas. Velvet Underground, Stooges, Ramones e Pixies são algumas dessas “piadas”.
Lembro-me de uma matéria gigante na finada revista BIZZ com o titulo de “Escolha o seu Nirvana” ou coisa parecida. Eram umas vinte bandas que estavam ali no olho do furacão, algumas ainda nem tinham lançado o primeiro álbum, mas já eram aclamados por jornalistas para sucederem o trono de Kurt Cobain.
Naquela altura do campeonato, 1993 começo de 94, o cara mais poderoso do rock já dava indícios que sua vida não duraria muito mais, e junto com ele a sua banda de ouro também sairia de cena. É claro que a indústria do "faz de conta" sabia disso, daí a busca incessante por um substituto. Mesmo se não tivesse metido uma bala na cachola, acredito que hoje dificilmente Cobain estaria no meio do showbizz.
E o “oba oba” em cima dos Strokes no final da década de 90?! Pra mim era tão desesperador aquele assédio em cima de uma banda que nem disco tinha lançado ainda, mas que já eram considerados a salvação do rock e blá blá blá, que relutei em ouvi-los logo de cara. Bem, o disco era legal, nada demais, e pra mim foi só.
Aí, lá se vão mais de dez anos e você abre um site, lê que uma tal de Vaccines, a banda mais queridinha da Inglaterra agora, é o “novo” Strokes. Se relutei em ouvir o antigo, imagine o novo. O pior é pensar nos parâmetros. Passamos do “novo” Nirvana pro “novo” Strokes, que tristeza.
O Barcinski escreveu recentemente um texto falando exatamente sobre essas bandas geração myspace/soundcloud que chegam pra tocar nesses mega festivais sem nunca ter pisado num bar sujo, feito show com equipamento meia boca pra meia dúzia de gato pingado. Saca um contêiner com um par de sapatos dentro?! É isso.
Bandas catapultadas por esse tipo de jornalismo musical pautado pelo diretor de marketing merecem nariz torto, desde já. Os blogs ainda são uma opção, mas cuidado com blogueiro patrocinado por marca de refrigerante.
Por aqui também a coisa não é muito diferente. Passaram os anos 80 procurando um outro Legião Urbana, os 90 procurando os novos Raimundos e já faz um tempinho que a busca é pelo “nuevo” Los Hermanos. A dureza é ter que aturar essas bandinhas “novas” posando de independentes, mas que se sujeitam a serem cópias pré-estabelecidas por conta de uma merda de contrato.
Fuck!
Fuck!