E chegamos finalmente na primeira partida decisiva do Campeonato Paulista de futebol. Em um campeonato onde pouca coisa valeu, não me estranha demorar 3 meses para ter um jogo que de fato valha algum vintém.
Ontem no Morumbi, Santos x Guarani enfrentaram-se por essa decisão. A coisa acabou com a vitória do Santos por 3x0 com mais um show de Neymar, que meteu dois gols (O outro foi de Paulo Henrique Ganso) deu carretilha, mandou beijinho pros zagueiros, quebrou recordes, fez homenagem pro Serginho Chulapa, enfim...
Neymar arrebentou! Fez o diabo, deitou o cabelo. Ae me vem o outro e diz “Qual a novidade, portanto?” E ae respondo feliz da vida:
“Nenhuma! Graças aos deuses ludopédicos... Nenhuma!”
Oras caro leitor... Uma vez me perguntaram aqui porque eu gostava tanto do Chuck Berry, do porque eu apregoava tanto por qualidade, por criatividade, experimentalismo e ainda assim, ouvia um cara que a vida toda tocava os mesmos três acordes. Respondi resoluto:
“Porque a vida toda ele faz a mesma coisa muito bem feita.”
A vida do Chuck foi um perereco. Negão, americano, pobre, fudido, que passa a ganhar muita grana, fazer muito sucesso, passa a partir de então a ocupar “um lugar que não era pra ele”, andar nos carros que não foram fabricados pra “Laia dele comprar” e começa a comer as "muié" que não foram feitas pra se deitarem na mesma cama que ele, Chuck. Rapidinho armaram uma casa de caboclo pro cara e no auge de sua carreira em 1959 vai em cana por “Corrupção de menores” (Nunca provada...) e de lá só sai em 1963. Quer dizer...
Tinha tudo para acabar como diz minha mãe Dona Claudete, “batendo merda com dois cacetes”. Mas ae vem à qualidade... Sabendo que fazia bem seus três acordes, o "homi" seguiu suas convicções, fez coisas espetaculares como "You never can tell" e "No particular place to go". Entrou os anos 60 sendo cultuado por toda a cena roqueira inglesa da época, virou referencia e até hoje... Segue tocando muito bem seus três lendários acordes pro bem do Rock and Roll. Ae transpondo tudo isso pras nossas fuças ludopédicas, vem o caso de Neymar. E em cima disso tudo vos digo:
Neymar é a melhor mesmice do Brasil!
Com a mesma exuberância de um som como “Rote 66”, Neymar encanta. Da mesma forma furiosamente santa com Berry esmerilhava o mundo tocando sua "Sweet Little Sixten", o moleque da vila parte pra cima da zagueirada ortodoxamente tosca do futebol brasileiro. Neymar esculacha!
É a nova versão de um Johnny B. Good caboclo e abusado. Dia após dia, segue encantando. Toda semana ta nos noticiários, seja pelo futebol épico e imortal, seja pelas festas em seu iate, ou pelas voltas em seu carrão, Neymar segue fazendo sempre as mesmas coisas muito bem feitas. Ontem foi assim.
Com uma facilidade que só os grandes podem ter, decidiu a partida para o Santos. Rápido, afinal o nosso menino pop star tem mais o que fazer. Tem que brilhar, tem que cair na noite, tem que ser cortejado, amado, tem que incomodar os policiais ideológicos encalhados que não comem ninguém... os tais “donos do bom gosto”, Neymar num ta nem ae! Ouve funk carioca, dança o tal de “Tchu, Tcha Tcha”, não faz ideia de quem pode vir a ser o Miles Davis (Seria o nome de um zagueirão caneludo inglês??) E nem precisa se preocupar com porra nenhuma disso.
Neymar é Pop!
Baseado nessas coisas todas. Será que precisamos mesmo de “Novas”? Ora caro leitor...
Vamos acender nossas velas para que seja sempre assim. Para que o moleque do cabelo estranho siga a nos encantar como faz todo domingo e vamos parodiar a manchete do antigo jornal de 1966 para novamente aqui afirmar nossas orações:
“Neymar, jogai por nós!!!”
Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.