O São Paulo F.C. segundo os Coen brothers e a débâcle na corte do rei Juju de Morumbi e Algarves...

Por Marcelo Mendez

Os irmãos Ethan e John Cohen filmaram o ótimo O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ para contar a história de Ed Crane, um pobre diabo, desgraçadamente triste... um barbeiro que vivia la sua vidinha meia boca ao lado de sua mulher Dóris, uma decadente dona de casa dos EUA dos anos 40 e entre eles, tudo ia burocraticamente dentro dos conformes até que a dona ae em questão decide descolar um amante...

A partir dai o nosso corneado barbeiro Ed Crane passa a planejar uma mirabolante vingança que vai reger magistralmente a trama em preto e branco do ótimo filme e bem...

Não sei ao certo das possíveis conjecturas que concatenam as questões mas, quando penso na passagem de Emerson Leão no São Paulo, o que me vem a cabeça é esse titulo... O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ...

Leão nunca esteve lá.

Começou com uma derrota para o Libertad do Paraguai por 2x0 e nem de longe lembrava o resmungão treinador de outrora. Emerson Leão já levou de mim todos os cacetes e criticas possíveis por conta de seu comportamento empolado, arrogante, truculento, suas concepções de vida retrógradas influenciando no exercício de sua função de técnico e por ae vai. No entanto, ao aceitar ser o tampão do presidente Juju, Leão perdeu até isso, sua condição de ser um chato costumaz.

Afinou, quando deixou o Presidente Bufão se meter na escalação do time pra afastar Paulo Miranda após falhas do sujeito contra o Santos. Conseguiu perder a vaga pra final da Copa Do Brasil para Coritiba levando um 2x0 no jogo da volta, não deu ao time uma cara, um jeito de jogar, nada...

Leão foi portanto uma caricatura de si mesmo. Um sujeito amarrado em uma banca de cordeirinho que todo mundo sabe que ele não é, a serviço de um presidente atrapalhado, que decidiu de uma hora pra outra, abrir mão de toda a inteligência e bom senso possível no exercício de sua função. Juvenal Juvêncio é uma piada triste. Não tem mais graça. Pouco pode ser levado a serio. Comporta-se no comando do São Paulo como um ditador latino, cafona, de fazer inveja a um Noriega no Panamá.

Com o Juju, o São Paulo perde demais. Perde a antiga classe tão decantada. E no meio dessa ausência toda de elã, vem o novo técnico.

Nei Franco é um bom homem.

Trabalhador do futebol, garimpador de talentos, homem que fez ótimos trabalhos como os da base do Cruzeiro revelando muita gente boa, como Ramires, Henrique, Jonatas, Conseguindo um titulo nacional de série B para o Ipatinga, e por ultimo a classificação da seleção sub 20 para os jogos olímpicos, trabalho que ele deixa na bandeja para o Mano lá... Aquele lá.

Na sua chegada, teve dois tropeços chatos, perdeu para o Vasco em casa, ontem conseguiu uma vitória por 2x0 contra o Figueirense fora de casa e isso deveria ser um bom alento mas ae que tá...

O que será que acontecerá quando ele perder mais umas duas?

Rei Juju de Morumbi e Algarves vai deixa-lo trabalhar em paz? Ou esse sujeito, essa versão cafona de um Luis XV de Catanduva, vai começar a infernizar o homem? Não sei ao certo mas esperto que Nei Franco possa trabalhar.

Ou então será o próximo técnico que não estava lá...

Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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