Por Elsa VillonVocês já foram apresentados a mim, minha coluna e meus planos. Agora é hora de fazer as malas e começar a pensar em como vou resolver minha claustrofobia no avião.
Descobrimos que o vôo não será pela FAB, mas sim vôo comercial. A vantagem é que temos 5 quilos a mais por pessoa para lotar a bagagem. A desvantagem é que o material utilizado nas atividades terá que ser enviado antes. Há pouco mais de 15 dias para a viagem, nossa maior preocupação é despachar as doações de livros.
Passei dois meses arrecadando livros para montar uma biblioteca em Porto Esperidião. Cartazes, campanhas pelas redes sociais e graças a alguns amigos (os nomes: Nuno Junior, Juliana Claro, Aila Regina e Bárbara Trevisan), consegui boas doações para o projeto.
O ponto agora é conseguir levar isso para lá. Aliás, eu e toda equipe estamos correndo atrás de apoio, patrocínio e qualquer tipo de ajuda para desenvolver nossas ações. Propostas encaminhadas, mas por enquanto, apenas recusas. Conseguimos 1000 kits de higiene bucal e isso já uma vitória.
Mandamos emails solicitando doações de materiais para grandes organizações e redes, mas a resposta automática é: “Lamentamos informar, mas toda a verba destinada ao terceiro setor já foram destinadas a outros projetos”. E isso é bem triste.
Acho que vivemos num mundo brutalmente capitalista hoje, onde a troca de favores, um escambo, por assim dizer, cai cada vez mais em desuso. Ou as coisas funcionam pelo capital, ou pela misericórdia de pessoas que passam por cima disso.
Se saíssemos desse conceito de físico, de posse, do ter, a sustentabilidade que tanto falam seria sim tangível, e não essa utopia que estão tentando implementar a nossa vida. Porque é contraditório um festival “sustentável” cobrar até pela água consumida, depois do valor exorbitante dos ingressos. E sim, isso foi uma alfinetada.
Ouço gerações mais velhas reclamarem que os jovens não lutam por mais nada, são apegados aos seus interesses e vontades sem pensar no mundo como algo que vai permanecer depois que nós já não mais estivermos aqui. Mas quando surgem os que querem fazer algo por ele e recorrem ao auxílio, ouvimos recusas, somos ignorados ou apenas a clássica: “Não temos dinheiro”.
Com o perdão do romantismo que possa conter, mas dinheiro não é tudo. Não pedimos um centavo a ninguém, apenas doações. E nada estipulado, doa o que e quanto puder. Em troca: uma divulgação ampla de um projeto em nível federal. Não é um favor, é uma troca de favores.
E é pensando nisso que eu acho que o estilo Don Corleone é mais próximo do ideal que poderíamos ter (não que eu vá saindo matando meus inimigos políticos). Troca de favores. Hoje você está por cima, amanhã, pode estar na lama. E é o que você faz quando está no topo que vai definir se vão te ajudar a sair ou afundar sua cabeça na poça.
Tenho certeza de que essa experiência em Porto Esperidião vai mudar muita coisa. Tanto para os índios, os bolivianos, os líderes locais, quanto para mim. E todo mundo que de alguma forma apoiou, vai sentir isso.
Ladainhas à parte, quem souber de transportadora que consiga despachar nossas coisas para lá, por favor, entre em contato. Serve tanto como doação, quanto para orçamento.
E agora estamos hierarquizados em um blog: umespoperacaotuiuiu.tumblr.com. Confira o que está rolando. Saí domingo, também, no jornal Diário do Grande ABC falando do projeto, embora o repórter estivesse com sono e tenha digitado Tuiutí ao invés de Tuiuiú.
Agora com a vossa licença, preciso ir fazer rolinhos de camisetas. Até semana que vem.
Elsa Villon é colaboradora do Pastilhas Coloridas, jornalista e fotógrafa viciada em café, cinéfila, adora Beatles e cheiro de pão saindo do forno. Twitter: @elsavillon