A peleja entre a senhoura realidade e o infante sonho ludopédico. A saga do menino Luan entre os bretões...

Por Marcelo Mendez

Futebol, obra de Cândido Portinari
Eu tentei...

Atrasei o Maximo possível a entrega da minha coluna aqui para o Pastilhas Coloridas nessa segunda-feira porque em algum instante imaginei que seria possível tratar do meu sonho, do meu ideário ludopédico almejado, sem ter que lidar com essa coisa chata que é a nossa realidade. Visto que isso não será possível em 100%, vou negociar os 40% necessários que minha teimosia de poeta precisa para então falar da ultima rodada do campeonato nacional e isso não é fácil.

Vivemos na ultima semana, a tentativa oficial do congresso nacional de institucionalizar o roubo das contas públicas, do meu e do seu dinheiro caro leitor, para a copa do mundo de 2014. Em uma atitude nojenta de fazer inveja ao congresso do partido nazista de 1933, os nossos deputados decidiram lançar uma medida provisória para impedir que o publico saiba de como estão sendo gastos as verbas publicas destinadas para as obras da copa. Confesso que diante disso, nem o menino Neymar conseguiu me afastar o ceticismo ante as coisas da vida que passam diante dos meus olhos. Mas a beleza pode ser muito valente também, como já provaram Marcel Proust e Dee Brown. Então insisti...

Vi no domingo, o São Paulo ir para o caldeirão do estádio presidente Vargas, no Ceará, enfrentar o time local. Com uma atuação irrepreensível de seu capitão, o goleiro Rogério Ceni, o time do Morumbi meteu 2x0 e chegou aos 15 pontos em cinco jogos. Um desempenho espetacular, num começo furioso de campeonato. Aliás, numa fúria que só é possível na candura que há na juventude. Caso do time Paulista. Depois de tentativas de trazer a fórceps uma pseudo experiência, o São Paulo decidiu apostar nos seus meninos, caso de Casemiro, Wellington, Zé Eduardo, Jean e afins. Como sempre foi da tradição das coisas do São Paulo. Com isso, resolveu os seus problemas na zaga, meio campo e na cabeça.

Caro leitor, vos digo, quando se tem 40 anos como no caso desse escriba que vos relata, o sujeito sabe que tem a vida toda pela frente e decide que não há pressa para vivê-la. Quando se tem 20, tem-se essa mesma vida toda pela frente, mas, o garoto então quer viver cada dia dessa vida toda, como se fosse o último. Precisa eu dizer qual das formas é mais legal??!

O time do São Paulo, hoje tem uma garotada que entra em campo pra decidir um lance da mesma forma que um garoto virgem corre atrás de seu primeiro beijo na boca. Não tem tempo para “estudar o jogo”... Tem que conseguir o que se quer! E a garotada quer viver!! Quer tudo que é deles por direito! Sendo assim, o São Paulo não terá problema para amassar quem quer que se coloque a frente sua, e do excelência do menino Lucas. Um baita jogador! Mas aí temos aqui um conflito que previ no começo do texto, lembram? Pois bem, meu Palmeiras me ajudará a resolvê-lo...

Todo mundo que me lê aqui sabe do quanto de reservas que tenho com relação ao entendimento que o nosso técnico Luis Felipe Scolari tem de futebol de como montar o um time do futebol. As minhas reservas com relação a isso são do mesmo tamanho do respeito que tenho pelo Felipe, ou seja... Muitas!

O meu Palmeiras hoje prefere primeiro não perder para, depois, lá em ultimo caso, tentar vencer. E nessa nova ordem do futebol mundial o meu time tem um esteta, um ícone desse momento e desse entendimento. O Luan...

De vez em quando esse medo todo de ousar da certo, como ontem, quando o meu verde meteu um acachapante 5x0 no Avaí. Aí os caminhos óbvios da resenha mandam me dizer que “Luan foi fundamental porque conseguiu ter um desempenho pelo lado esquerdo que alia força à técnica, junto a uma eficiência tática e uma entrega impressionante.” Balela! Tudo conversa.

Deu certo, porque aos 18 minutos de jogo o Avaí tomou um gol que não esperava, porque o seu novo técnico Alexandre Gallo ainda não conhece seu elenco o suficiente para mexer as peças. Se conhecesse um pouco jamais deixaria o lado direito de seu time tão exposto, jamais afrouxaria a marcação do time na saída de bola do Palmeiras, deixando Marcos Assunção começar todas as jogadas a vontade, acertando o primeiro passe do ataque como aconteceu. A bola chegou limpinha no pé do armador Lincoln e aí finalmente Kleber não sofreu tanto para jogar. Mas aí que tá...

Será que a gente quer acreditar na realidade que se coloca a nossa frente?

Eu sei que Luan que teve ontem uma ótima atuação, não aprendeu a bater na bola, não melhorou coisa alguma, segue sendo um baita de um tosco, grossão, não tem condição nenhuma de jogar no Palmeiras e a tem sequer para jogar no Catanha, ou no Xv De Jaú. Segue sendo um jogador limitado que traveste suas limitações com um “esforço” que só convence a cabeça de técnicos e pragmáticas ludopédicos. Mas não sei se quero ver a coisa assim.

Por vezes é muito chato ser “objetivo”. É uma merda ter apenas um campo de visão das coisas do futebol e da vida. De repente eu quero me dar o direito de acreditar que Luan de fato melhorou e que daqui pra frente, começará a jogar como um Rinaldo, um Rodrigues, um Rivaldo, ou um Chinesinho. Pode ser a porção imaginária fundamental para se manter o encanto das coisas porque nem sempre eu quero “enxergar a realidade”. Então hoje será assim, caro leitor. Sairei aqui pelas ruas do Parque Novo Oratório com uma camiseta escrita...

“Luan eu te amo!”

Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor, webmaster e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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