Onde está Wally?!

 Por Claudio Cox

Nesse final de semana o Pastilhas participou de um debate sobre cultura coordenado pelo jornal ABCD Maior e mediado pela agente cultural Neusa Borges. O evento foi precedido por palestra de Célio Turino, criador do Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura.

“Guerrilha Cultural” foi o tema escolhido para a discussão e entre os participantes estavam Neri Silvestre e Arnaldo Tifu, do ponto de cultura Mistura e Gingada de Santo André, Beto Teoria, coordenador de Ação Comunitária e Juventude da Prefeitura de Ribeirão Pires, Robson Timoteo, coordenador e fundador do Espaço Cultural Cidadão do Mundo de São Caetano do Sul entre outros jovens, trabalhadores que dedicam parte ou todo o seu precioso tempo em divulgar e disseminar arte e cultura para outros jovens, idosos e crianças.

Uma das questões mais levantadas pela platéia e conseqüentemente a mais discutida, foi justamente a falta de adesão por parte do grande público para esse tipo de ação, não somente ao debate propriamente dito, mas aos projetos oferecidos a ele. Quando falamos em cultura como direito do cidadão, assim como o direito a assistência médica e etc, não podemos deixar de levantar a questão de como esse cidadão enxerga essa cultura.

Não é de hoje que o “circo” é armado justamente para afastar as pessoas do convívio natural com as artes. Qualquer coisa que o faça pensar é considerada chata, lazer é sinônimo de shopping center, churrasco e bebida, isso é fato consumado. Uma concorrência um tanto quanto desleal com a coitada da arte.

No circuito no qual participamos e ajudamos a divulgar aqui pelo Pastilhas, não é novidade nenhuma - principalmente no ABC, mas não somente - eventos e manifestações muito boas de grande e pequeno porte com meia dúzia de gatos pingados prestigiando, até mesmo os que no discurso são “engajados” e tal, trocam o show de cinco reais produzido a duras penas pelos badalados festivais de duzentas pratas (meia-entrada) na hora do “vamo vê”, ou quando comparecem não dispensam mais do que  cinco minutos da sua digníssima atenção em uma apresentação de quarenta.

Na música usa-se muito a expressão: “Menos é Mais” - referindo-se claramente ao número de notas e elementos, sejam eles quais forem, que não servem de nada numa composição -, e creio eu, que é nisso que  temos que focar as nossas ações quando produzimos algo relacionado as artes. 

Não existe formula mágica, vamos aprender a enxergar o trabalho de forma mais prática, falar menos e fazer mais e principalmente deixar o "nhê nhê nhê" de lado. Vinte pessoas podem agregar muito mais valores do que duzentas.

Cultura - do latim colere - significa cultivar e é esse o prefácio que ainda temos que escrever.
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