Mostrando postagens com marcador livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador livros. Mostrar todas as postagens

O Fotógrafo - Uma história no Afeganistão


Por Vinicius Alves

Em uma das escassas pausas durante missão médica em meio a guerra no Afeganistão, em 1986. Robert, um dos médicos, conta o que ainda o fazia voltar para aquele lugar, mesmo tendo passado por situações dificílimas...

"Já passei um inverno aqui, com Sylvie, nas mesmas condições. Só que a viagem de vinda foi bem pior do que esta. Pra começar, dois meses depois de prisão no forte de Peshawar. Fomos pegos na fronteira.

Naquele inverno, tive um princípio de apendicite. Estava quase me entregando para os Russos. Não tomei nenhum analgésico para poder avaliar a minha dor, mas me entupi de antibiótico e passou.

Havia lobos. Era proibido sair pra mijar à noite por causa deles. A gente enxergava os rastros na neve de manhã. Em volta das casas no final do inverno, não havia mais nada pra comer. Algumas folhas de árvore serviam de espinafre.

Traziam pão pra gente todo o dia. Quanto mais tempo passava, pior o pão ficava. No final havia mais terra nele que pão. Um dia desajeitados, dissemos para o padeiro que não queríamos mais o pão, que íamos joga-lo fora. E ele meio sem graça pediu pra gente devolver pra ele.

À tarde, ficamos sabendo que havia um mês que ninguém mais nos arredores comia pão. As famílias davam tudo que tinham pra que Sylvie e eu continuássemos comendo pão.

E é claro que quando você vive isso uma vez, tem que voltar e começar de novo.

Pelas pessoas."

O trecho acima, extraído da excelente série de foto-hq que estou lendo, "O Fotógrafo", me faz cada vez mais acreditar que a gênese da solidariedade de fato está nos lugares mais inóspitos e miseráveis do mundo. Porque são neles que o ser humano despido de ego e vaidade assume suas mais nobres virtudes.
Share:

Punk: Uma Estética (Johan Kugelberg/Jon Savage)

Nascido em porões sórdidos Londrinos e crescido em suas ruas igualmente sujas, a cultura punk surge no fim dos 1970 definidapor uma angústia incessante sentida por jovens ao redor do mundo.

Punk: An Aesthetic traz mais de 350 páginas sobre bandas, cartazes de filmes, fanzines e fotografias originais (muitas inéditas até agora) e também a arte icônica que captura diretamente o espírito do movimento.

Editado por Johan Kugelberg e Jon Savage, o livro tem uma forte abordagem "no-shits-given" preservando ao máximo as raízes do movimento DIY.

Quer? Tem aqui por 55 lascas americanas. Confira mais algumas imagens abaixo...

Share:

Os bastidores do clássico Psicose de Alfred Hitchcock

O original à esquerda, e Sir. Anthony Hopkins devidamente caracterizado, à direita
Baseado no livro de Stephen Rebello, "Alfred Hitchcock e the Making of Psycho" (1990) - obra literária que mergulha fundo no clássico de Hitchcock - o filme que trará os bastidores dessa obra-prima ameaçadora, será estrelado por Sir Anthony Hopkins.

Mostrando curiosidades como o fato da película ser intencionalmente orçado abaixo de U$ 1 milhão e produzida em preto & branco (Hitch queria que saísse como um filme B da época e também sabia que o filme seria demasiado sangrento para os telespectadores e censores, por isso resolveu tirar as cores), o filme está agendado para ser lançado nos cinemas em algum momento de 2013.

Como ainda falta algum tempo até 2013, por enquanto você pode conferir aqui algumas fotos e curiosidades dos bastidores do clássico "Psicose"...

Share:

Gonzo: A HQ biográfica de Hunter S. Thompson

Com 180 páginas, esta HQ - em inglês - não abre espaço para muitos dos detalhes da vida do pai do jornalismo gonzo. Em vez disso, o autor Will Bingley conta uma história (como se tivesse sido escrita pelo próprio Thompson) sobre sua frenética busca em encontrar algum sentido na vida, numa época bem turbulenta vivida por ele.

A HQ fala sobre um gênio, apaixonado, rebelde, que "em uma corrida de longa distância" correu muito rápido, desabou no início, e passou suas décadas restantes queimado e rastejando selvagemente.

O prefácio, escrito pelo editor de longa data de Thompson, Alan Rinzler, é revelador. Ele acredita que Thompson poderia ter sido o "campeão dos pesos pesados ​​das letras americanas", mas seu comportamento auto-destrutivo, que piorava com o passar dos anos, arruinou qualquer chance disso se tornar realidade.

Ilustrado por Anthony Hope-Smith, essa biografia é uma boa pedida para quem ainda não conhece e pretende adentrar ao maravilhoso mundo de Hunter Thompson.

Share:

De olho na moda - O casaco de Karl Marx

Por Carolina Vitorino e Priscila Tâmara |

Irrita-nos um pouco essa época do ano, porque dá pra sentir o espírito natalino fortemente entrelado ao espírito capitalista, onde a idéia do que é novo é sempre melhor.

E sobre esse pretexto, o culto ao objeto leva as pessoas a consumirem exageradamente como se isso fosse fazer de suas vidas algo melhor.

A moda, embora na maioria das vezes seja estereotipado como universo de glamour e futilidade, tem papel importante na sociedade e interfere constantemente na vida das pessoas, seja em seus relacionamentos, atitudes, personalidades ou em seus hábitos cotidianos, dessa forma sua função vai muito além desse pensamento predefinido de moda-fútil.

A moda permite o convívio das pessoas, construindo o meio social a partir de suas regras, imposições quanto aos comportamentos e quanto aos relacionamentos. Lipovetsky (1989) defende a ideia que a moda é um dos motores essenciais que regem a sociedade. No entanto, o sistema da moda que impulsiona o consumismo, não tem o objetivo de transformar o ser humano em marionete, mas sim libertá-lo, permitindo que este, constitua sua identidade a partir do que ela oferece, além de garantir a inserção dele como parte do grupo social.

E nós precisamos enxergar o papel da moda na sociedade, perceber o valor do “objeto” roupa. Então vamos usar aqui o exemplo de um cara bem conhecido por criticar o tão falado capitalismo: Karl Marx.

Uma das críticas de Marx ao capitalismo é a sua deturpação da condição humana, condição essa explorada através do trabalho, quando a alienação passa a ser um dos fatores que faz com que o trabalhador perca sua essência humana quando é colocado numa fábrica, por exemplo, e passa a ser parte de um processo produtivo onde a lei da mais-valia impera sobre ele, porque o que esse trabalhador irá receber será muito menor do que o valor que a empresa receberá com o produto que ele ajudou a fabricar.

E isso vira uma grande bola de neve, dessas que a gente vê nos filmes de Natal, porque o vício do capital e a coisificação das relações sociais acabam potencializando a alienação do indivíduo, e o trabalho humano que deveria distinguir o homem do animal, passa de livre a algo ligado somente a sobrevivência. Marx, em sua vida, usou os objetos a seu favor.

Clique na capa e baixe o livro em PDF
Existe um livrinho bem bacana, um pocket chamado “O Casaco de Marx”, em que o autor, Peter Stallybrass, analisa e descreve em três ensaios a relação da memória e as roupas, a relação do capitalismo com as roupas e ainda, a representação do andar em diferentes peças.

No primeiro ensaio ele traz uma questão que é pouco pensada, as roupas daqueles que morrem. Como a roupa leva consigo a marca daqueles que a usaram, com a forma ou o cheiro. Você já abriu o armário de uma pessoa e sentiu o cheiro dela ali? Stallybrass afirma, por experiência própria, que quando se veste a roupa que antes era de outro, você leva junto à memória da pessoa, quando se teve uma relação com a pessoa. Portanto as roupas carregam memórias.

O segundo ensaio, que dá nome ao livro, é uma discussão sobre a transformação das roupas em mercadoria. Acompanhamos a história das roupas no século XIX, principalmente o casaco de Marx.

Nessa parte o autor nos coloca dentro do lar dos Marx nos anos 1850 quando estava exilado em Londres. A família vivia num dos piores quarteirões, passando os maiores perreios, e durante esses anos recorrentemente viviam da penhora dos objetos familiares e de uso pessoal, uma prática generalizada de sobrevivência na classe operária inglesa da época. Usavam-se as roupas no domingo e penhoravam na segunda pra retomá-la no fim de semana seguinte.

Marx, enquanto escrevia “O Capital” ia e vinha à loja de penhores, e dentre os objetos que iam e vinham estava o seu casaco, porque para frequentar o Museu Britânico, onde fazia suas pesquisas precisava estar bem vestido, e ele sabia o valor que seu casaco tinha. Coincidência ou não, todo o primeiro capítulo de “O Capital” traça as migrações de um casaco, visto como uma mercadoria, no interior do mercado capitalista. Foi então que escreveu coisas do tipo: "Penhorar um objeto é desnudá-lo da memória, pois, somente um objeto desnudado de sua particularidade histórica pode novamente se tornar uma mercadoria e um valor de troca”. “O que fizemos com as coisas para devotar-lhes tal desprezo? E quem pode se permitir ter este desprezo? Por que os prisioneiros são despojados de suas roupas a não ser para que se despojem de si mesmos?”. A memória que o casaco carrega e a relação do seu dono com o mesmo acabam gerando reflexões sobre consumo, valor dos bens de consumo e a relação deles com as pessoas.

Já o último ensaio de Stalybrass trata sobre a noção de caminhar em diferentes peças clássicas. Racionaliza sobre peças de diferentes séculos, como Édipo e Lear. Compara a forma de caminhar de cada um dos personagens e a sua importância e sua época. Édipo não pode caminhar direito pela mutilação que sofreu, enquanto Lear não precisa andar pelo poder que tem. O autor levanta um importante ponto sobre a dificuldade de se caminhar e como desvalorizamos esse ato quando conseguimos realizar naturalmente depois de aprendido. Reflete sobre o fato de que muitas atitudes que tomamos são tão naturalizadas em nossas vidas que não percebemos mais como devemos valorizá-las.

Tá aí nossa indicação de presente, para qualquer época do ano, não necessariamente para o Natal. Repensar sobre o valor que os objetos têm em nossa vida, e que a nossa vida tem para eles.

Carolina Vitorino cursou Produção de Vestuário e atualmente se aprofunda em Modelagem. Priscila Tâmara estuda e trabalha com Modelagem Geométrica e cursou Merchandising p/ Varejo de Moda.
Share:

Sai livro sobre obra de Saul Bass: A Life in Film & Design

Capa do livro escrito por Pat Kirkham
 Este é o primeiro livro completo a ser publicado sobre um dos maiores designers americanos do século 20, que foi tão famoso por seu trabalho em filmes como nas artes gráficas. Saul Bass (1920-1996) criou algumas das imagens mais fortes da cultura do pós-guerra americano. Tendo extrapolado seu trabalho de design gráfico para incluir títulos de filmes, e ele transformou o gênero. 

 Seus mais conhecidos trabalhos incluem uma série de cartazes e sequências inesquecíveis para filmes como "Vertigo" de Alfred Hitchcock e Otto Preminger, "The Man with the Golden Arm" e "Anatomy of a Murder". Ele também criou alguns dos logos mais famosos e campanhas de identidade corporativa do século, incluindo os de grandes empresas como a AT&T, Quaker Oats, United Airlines e Minolta.
Bell (1969); AT&T (1984); Quaquer Oats (1971); Kleenex, United Airlines (1973); Avery Int.; Exxon; Warner (1972)
 Sua esposa e colaboradora Elaine, entrou para o escritório no final dos anos 50. Juntos, eles trabalharam numa série impressionante de premiados curtas-metragens, incluindo "Why Man Creates", este premiado com o Oscar, bem como uma série igualmente impressionante de títulos de filmes, que vão desde Spartacus de Stanley Kubrick no início dos anos 60 até "Cabo do Medo" e "Cassino" de Martin Scorsese, na década 90.

Share:

120 livros acadêmicos para download gratuito

 A editora Cultura Acadêmica, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) disponibilizou 120 livros acadêmicos para download gratuito. 

 A divulgação do material tem como objetivo auxiliar estudantes de graduação e pós-graduação que precisam de material didático para pesquisar e realizar trabalhos acadêmicos.

 Confira a lista dos livros disponíveis: Artes, Biologia, Ciências, Ciências Humanas, Ciências Sociais, Comunicação, Design, Direito, Economia, Educação, Estudos Literários, Filosofia, Geografia, História, Letras , Linguística, Literatura, Matemática, Música, Política, Psicologia, Sociologia, Tecnologia.

via catracalivre
Share:

Fela Kuti em livro

O livro “Fela - Esta Vida Puta”, que conta a trajetória da vida tumultuada, provocadora e exuberante do musico nigeriano Fela Kuti (1938 – 1997), será lançado na Matilha Cultural, no dia 25 de junho.

O autor da biografia Carlos Moore, estará presente no dia, que ainda terá shows das bandas Bixiga 70, Frente 3 de Fevereiro, além da exibição do documentário "Music Is The Weapon", dirigido por Stéphane Tchal Dadjieff e Jean-Jacques Flori, em 1982 e essencial para conhecer melhor um dos principais artistas da história musical africana. 

Nesse dia, a entrada é um agasalho.

Serviço:
Onde: Matilha Cultural – R. Rêgo Freitas, 542, Centro
Quando: 25 de junho as 18h30
Quanto: um agasalho

Via
Share:

David Byrne virá à Flip 2011 (confira a programação)

David Byrne é uma das atrações da FLIP 2011 
Autor do livro "Diários de bicicleta" (2009, o vocalista da extinta banda "Talking Heads" mostrará um outro lado de seu trabalho: o estudo sobre o uso de bicicletas como solução urbanística, além é claro, de falar do seu envolvimento com música. Byrne participará da mesa no domingo, dia 10.

A Festa Literária Internacional de Paraty será realizada  entre os dias 6 e 10 de julho e tem como homenageado o autor brasileiro Oswald de Andrade.

A programação conta ainda com o quadrinista Joe Sacco, os romancistas James Ellroy, Antonio Tabucchi (em mesa com Ignacio Loyola Brandão), João Ubaldo Ribeiro, o crítico Antonio Cândido de 92 anos e o professor José Miguel Wisnik.

Os ingressos custam R$ 10 (tenda dos telões) e R$ 40 (tenda dos autores) e começam a ser vendidos no dia 6 de junho. As entradas poderão ser compradas no site e pontos de venda da Tickets For Fun, e pelo telefone 4003-0848.

Confira a programação completa:

Quarta-feira (6)
19h - Oswald de Andrade: devoração e mobilidade. Com Antonio Candido e José Miguel Wisnik
21h30 - Show de abertura. Com Elza Soares, José Miguel Wisnik e Celso Sim

Quinta-feira (7)
10h - Mesa Zé Kleber. Com Michèle Petit e Dominique Gauzin-Müller
12h - Mesa 1, Lírica crítica. Com Carol Ann Duffy e Paulo Henriques Britto
15h - Mesa 2, Marco zero modernista. Com Gonzalo Aguiar e Marcia Camargo
17h15 - Mesa 3, Ficções da diáspora. Com Caryl Phillips e Kamila Shamsie
19h30 - Mesa 4, O humano além do humano. Com Miguel Nicolelis e Luiz Felipe Pondé

Sexta-feira (8)
10h - Mesa 5, Viagens literárias. Com Andres Neuman e Michael Sledge
12h - Mesa 6, Pontos de fuga. Com Pola Oloixarac e Valter Hugo Mãe
15h - Mesa 7, Laços de família. Péter Esterházy e Emmanuel Carrère
17h15 - Mesa 8, Noturno italiano. Com Antonio Tabbuchi e Ignacio de Loyola Brandão
19h30 - Mesa 9, A ética da representação. Com Claude Lanzmann

Sábado (9)
10h - Mesa 10, No calor da hora. Com Enrique Krauze e John Freeman
12h - Mesa 11, A história em HQ. Com Joe Sacco
15h - Mesa 12, Ficção entre escombos. Com Marcelo Ferroni, Edney Silvestre e Teixeira Coelho
17h15 - Mesa 13, Alegorias da Ilha Brasil. Com João Ubaldo Ribeiro
19h30 - Mesa 14, Lugares escuros. Com James Ellroy

Domingo (10)
10h - Mesa 15, Pensamento canibal. Com Eduardo Sterzi, João Cezar de Castro Rocha
11h45 - Mesa 16, Tour dos trópicos. Com David Byrne
14h30 - Mesa 17, Em nome do pai. Com Laura Restrepo e Héctor Abad Faciolince
16 - Mesa 18, Livro de cabeceira. Convidados da Flip leem trechos de seus livros favoritos
Share:

Dois anos de ZINISMO “on” comemorado com ZINISMO “off”

Por Ana Mesquita | 

Ao chegar em casa dia desses vi um envelope “construído”, não era um daqueles que você compra pronto em papelarias por aí, era um envelope feito especialmente para abrigar algo e tava lá, na garagem de casa. Um sorriso iluminou meu rosto a ponto das crianças se inquietarem e perguntarem “o que é isso mãe?”. Era correspondência de Flávio Grão e dentro havia a edição comemorativa de 2 anos do blog ZINISMO.
Foto : Isaa  Meneses
Junto, no envelope, havia uma cartinha do Flávio. Que felicidade besta essa de receber algo pelo correio. Devo receber uns 30 e-mails por dia e nenhum deles me comoveu tanto. Mas é justamente embrulhada nessa nostalgia que o ZINISMO impresso aparece no mundo. É extremamente paradoxal comemorar 2 anos de existência de algo na internet com um fanzine impresso, afinal a internet é cada vez mais cultuada no mundo como o futuro da literatura e a causa da morte do livro, dos jornais impressos, da vida em papel.

Mas nada supera a sensação de pegar em mãos um produto cultural. Provavelmente tenha sido essa sensação que causou minha alegria besta ao pegar o ZINISMO. Esse “revival” tem se mostrado tendência em diversos segmentos. Basta ver o crescimento de lançamentos de discos em vinil e mesmo o aumento de títulos de revistas nas bancas. Essa necessidade de “pegar fisicamente” é refluxo da vida digital. No Seminário de Jornalismo Cultural que aconteceu nos dias 8,9 e 10 de dezembro de 2010 no Itaú Cultural, o editor da publicação londrina Lound and Quiet explicou porque mantêm há 5 anos uma revista impressa de crítica musical “Nada vai substituir a sensação de pegar no papel” afirmou Stuart Stubbs, o mais jovem e modernete da mesa. No editorial Flávio Grão também manifesta suas ideias sobre o assunto “O blog ZINISMO aparece nessa compilação pela primeira vez impresso. Fruto das próprias contradições e discussões que o fanzine virtual pode e deve gerar. Em poucas palavras, se a Internet é barata e rápida, por outro lado peca pela efemeridade das informações nela publicadas. Optamos então pelo registro, arcaico e tradicional, empoeirado e amarelado... Viva o papel!”

E nada substitui mesmo. A capa toda preta com papel brilhante não me enganou.

Bastou olhar para a primeira página e ver que se tratava de um fanzine mesmo. Produto com mais qualidade técnica, sem dúvida, afinal Guilherme Theodoro assina a diagramação, além de ter sido rodado em uma gráfica (apenas 100 exemplares), mas o conteúdo é o mesmo. São texto que já foram publicamos no blog e outros inéditos. Como as “3 perguntas para o Reverendo” que Marcelo Viegas fez para Fábio Massari.

Ou a entrevista que Flávio Grão fez com Lacarmélio Alfêo de Araújo, figura que desenha, roteiriza, produz e vende seus próprios gibis – intitulado Celton -, nos engarrafamentos de São Paulo.

Mas os gêneros literários é o que mais chama minha atenção no ZINISMO on, agora no off também. Os contos e crônicas dos quatro garotos são realmente interessantes. Cada um com um estilo próprio, mas dentro do projeto em comum, que é falar sobre a vida na metrópole, o amor à música, à literatura e as artes em geral, o mundo do skate que cruza (ou convive) a vida cotidiana deles.

A maturidade e a experiência também contam muito na empreita literária. A crônica “Frutas Frescas e Vetais Podres” do Ricardo Ideia me levou de volta para o bairro Pauliceia (em São Bernardo, ali ao lado do extra) no qual vivi até os 18 anos. Também tínhamos a teoria que só havia um o disco branco (no conto eram 3 que rodavam o Ipiranga) do Dead Kennedys rodando pelo bairro, e que esse disco alimentou toda a molecada que curtia o movimento. É a briga cotidiana pela liberdade expressão e a vontade de manter um produto cultural que mantém o ZINISMO de pé após dois anos. Só desejo disposição aos garotos para continuar.

Parabéns a toda galera do Zinismo!!!
Share:

Amigo ou Inimigo Secreto

Eu não sou nada chegado nessas festas de fim de ano, principalmente o Natal. E aquele amigo secreto na empresa então, que medo! Se você não participa vão te chamar de chato o ano inteiro, se participa ta arriscado a ganhar aquela camiseta de gosto duvidoso e como se não bastasse, fazer cara de quem adorou o “presente”.

Pensando nisso, resolvi meu problema unindo o útil (fazer uma média com a rapaziada) ao agradável (pedir um “presente” que eu teria que comprar de qualquer jeito). Já faz uns 3 anos que eu proponho, na verdade eu exijo mesmo, o meu presente de amigo secreto. Sempre são livros.
Ano passado pedi a biografia do Erasmo Carlos, “Minha Fama de Mau”, e esse ano o escolhido foi a edição de luxo do “Ranxerox”.

Se você gostou dessa minha idéia genial e é chegado numa leitura, vou deixar algumas dicas, que já estão na minha lista, e que podem ajudá-lo na hora de “pressionar” o seu amigo secreto.

Vida - Keith Richards
Autores : Keith Richars e James Fox

Keith Richards conta, de maneira crua e feroz, sua história, vivida de forma intensa no meio do fogo cruzado - desde a primeira infância, quando cresceu num bairro pobre ouvindo obsessivamente os discos de Chuck Berry e Muddy Waters, até o modo como levou a guitarra ao limite absoluto e uniu forças a Mick Jagger para formar os Rolling Stones.

Bowie : A Biografia - David Bowie
Autor: Marc Spitz

Uma biografia do astro de rock/pop inglês David Bowie, desde sua infância até a recente (e aparente) aposentadoria. O livro acompanha toda sua trajetória, com sua participação no cinema e pinceladas da carreira de outros artistas que tiveram importância na história de Bowie ou foram por ele influenciados (como Lou Reed e Rolling Stones). Além da música e do contexto de cada uma das fases do artista, o livro traz detalhes da vida pessoal de Bowie, marcada pela bissexualidade, o vício em cocaína e problemas cardíacos.

Maldito - José Mojica
Autores: Por Ivan Finotti e André Barcinski

Biografia de um dos maiores e mais polêmicos cineastas brasileiros - José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Este livro conta a vida de Mojica, de sua infância humilde em Vila Anastácio, subúrbio de São Paulo, até sua consagração no exterior nos anos 90.

O gênio Pop - Andy Warhol
Autores :Tony Scherman e David Dalton

No mundo da arte, Andy Warhol é a figura que mais dividiu (e conquistou) a crítica. Mas o herói da cultura pop dos anos 60, cujas frases ambíguas causavam furor publicitário, é apenas a personagem construída para o público.

O livro se concentra no que os autores chamam "a primeira vida" de Warhol, desde sua infância na classe baixa americana como Andrew Warhola, passando pelos anos no estúdio Factory até 1968, quando levou um tiro de Valerie Solanas.
Share: