Por Xico Sá
"Estávamos em paraty, lembra, meu amor?". E uma vez cumprida a obrigação lítero-guntenberguiana-boêmia-picareta-cachacística da Flip, buscamos um barco para fugir, de ressaca, para uma ilha, quando o moço triste nos arrastou mar-adentro, tão lentos o motor e o rapaz, seguimos nada esperávamos a não ser trocar umas palavras novas como são os vocábulos inaugurais do amor sobre as águas repisadas pelos moços dos sertões e pelas mais lindas mineiras.
O moço triste nos contou tb uma história de amor sem sentido, como a nossa.
Passamos pelas ilhas dos milionários idiotas e eu gastei uns impropérios liricamente comunistas...
Passamos por um navio que lembrava uma favela romântica ou um navio igualmente milionário lindamente saqueado por piratas profissas.
Sim, amor, era Paraty, seguimos e o moço com cara de filme de Jim Jarmusch nos ancourou em um quintal de família. Parou o barco e achava que estávamos no paraíso. Nada havia lá de tão bom assim que já não esperássemos nos nossos coraçõezinhos superbonders & aralditosamente colados. Até as crianças eram chatas e não bebiam sangria como los niños de Espana. Nada para vender ou comprar, baby, nada mesmo, só uma areinha de nada, cinco metros se muito, e uma família triste, tão triste que nem havia um gordo feliz e sequer um radinho deixado por R. Crusoé ao pé de uma bananeira artificial.















