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Liquidificador - O andarilho da Ilha

Por Rodrigo Roah

Chegada a Floripa. Do alto já se vê uma cidade muita mais planejada que a selva de Sampa. O sol brinda a pele com um lindo céu de brigadeiro.

No caminho até a Beira Mar Norte a beleza das gajas impressiona. Não que em Sampa não tenham belas mulheres. Acreditem! Mas o que em SP é exceção, em Floripa é regra.

Hospedado no Albergue do centro tratei logo de fazer uns camaradas na recepção do estabelecimento.

Vai a dica! Quer conhecer o que rola de melhor e mais barato numa cidade? Pergunte na recepção dos albergues. Os caras manjam.

Entre praias, baladas e afins fiquei sabendo que próximo ao meu repouso existia uma casa de lanches. O famoso grande e barato, manja? Ainda contava com uma bela vista iluminada da ponte Hercílio Luz. Perfeito pra matar a fome a baixos custos.

Na segunda vez que estive no recinto, fui acompanhado de dois camaradas que fiz no albergue. Pedimos e começamos a puxar assunto com o garçom que tinha um sotaque peculiar. Não se tratava de um Catarinense. Tratava-se de um gaúcho representante da famosa cidade de São Borja, terra de Getúlio Vargas.

O tomador de chimarrão dizia que já havia morado em vinte e oito cidades nos idos de seus 26 anos. Que fez tal peregrinação anotando causos e peculiaridades em escritos que gostaria de transformar em livro.

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Liquidificador - Escrevendo varandas em terceira pessoa e multidão na primeira pessoa

Por Rodrigo Roah

Da varanda a vida passa, mas não passa despercebida.

Quem observa a vida com o olhar de espectador aprecia os detalhes. A vida se apresenta colorida e triste com os sorrisos e lágrimas daqueles que vivem intensamente tal dádiva.

O varandista realmente não se entrega. É um voyeur em busca de sua próxima dama de cabaré. É um escritor em terceira pessoa, manja? Faz uso dos detalhes, do riso, do choro, da reza, da vela do outro. Seu interior é preenchido pelas observações do exterior. O outro é o que lhe move. Observa a distância o sofrimento, a dor, o amor, a amizade.

Da varanda tudo é belo. Tudo parece fazer sentido e cria histórias que conta como se fossem vividas por ele. É namoradeira de janela a procura de mais uma vítima para preencher um espaço em seu interior de que não é capaz com suas próprias pernas. É usurpador da vida alheia.

A vida é mais tranqüila, diria, mais fria.

Mas quem exatamente o varandista observa?

Digamos que existam duas formas de viver. A forma varandista e a forma perdido na multidão.

Na multidão, mesmo perdido, algo é vivenciado intensamente. A vida é colorida e brinda com a sapiência de conhecer seu próprio interior para exteriorizar aquilo que mais lhe agrada. O homem da multidão é escritor em primeira pessoa. Vive intensamente os sentimentos desse mundo de meu Deus. Da a cara a tapa. Se bobear oferece a outra face.

A vida só faz sentido se estiver vivendo tal dádiva.

Na multidão quem está perdido pode ou não se encontrar. Essa é a graça da vida.

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Liquidificador - Lembranças molhadas de um revellion

Por Rodrigo Roah

Molhado. É assim que começo os primeiros minutos do aguardado 2013.

Um banho de piscina lavou minha alma atormentada que desejava desesperadamente por um novo ciclo de oportunidades favoráveis. Como disse em escritos anteriores 2012 foi o ano da veia, Dona Zica.

Passei a virada empanturrado, não pensei que fosse diferente, normalmente passo as tais entradas com um sobrepeso no estômago.

Esse ano voltei a passar o revellion com minha mãe e, no seu reduto os populares se unem para uma famigerada ceia coletiva. Coisa linda!

Cada um leva um prato e o que quiser se embriagar. Ta feita à festa de fartura, gordura e como diria minha amiga Carla Lana, gordices!

Poderia aqui falar sobre mais do mesmo, cenas que se repetem em todo festejo de  entrada, mas esse realmente foi diferente de todos os outros que me entendo por gente. Por um simples e único motivo. Fiquei sóbrio. Mantive minha decisão firme e irrefutável de ver a virada com os olhos da sobriedade.

Coisa inédita dos idos de meus 32 anos. Bem, não sei se foi por isso que achei a passagem tão sem graça. A meu ver os fogos eram muito mais intensos em anos anteriores, as mulheres que ficavam ao meu redor muito mais belas e eu muito mais charmoso. 

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Liquidificador - 2012, Dona Zica e a reentrada

Por Rodrigo Roah

Nessa época do ano passamos pelo mesmo perrengue. A porra da retrospectiva. Avaliamos o que fizemos e o que deixamos de fazer no ano que passou e começamos a planejar o ano que mal começou. Se você é desses que participa dessa doidera, parabéns!

Você é um bom administrador.

No meu caso...

Sou péssimo em planejar. Mesmo que tentasse tenho certeza que a Dona Zica daria um jeito de estragar meus maravilhosos planos para a reentrada. Prefiro a doce vida do “Não tenho a mínima idéia!”

Não faço planos, apenas procuro pensar que o próximo não será tão ruim como esse e, sucessivamente.

Claro que houve bons momentos em 2012, mas confesso que a cada ano me sinto menos motivado com a reentrada.

Talvez seja o fato de estar sóbrio. Larguei a marvada sem previsão de retorno.

Talvez seja a tácita realidade que invade a minha alma cobrindo sentimentos e desejos para algo melhor.

Mas vejo algo positivo...

Anos ímpares são melhores pra mim. Sempre foi assim, mesmo duvidando da tal numerologia. Espero que continue assim.

É... Dona Zica, terás que bolar muito mais bizarrices que em 2012. Mas fique tranqüila!

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Liquidificador - C'est fini

Por Rodrigo Roah

Nesses dias tenho pensando sobre o fim. Não que isso seja novo pra mim. Na verdade, já pensei nisso muitas vezes, mas com a possibilidade dos Maias estarem certos confesso que isso passou com mais freqüência pela minha caixola.

Po... por hoje é só pessoal!
Para quem acredita na bíblia cristã é a chegada do arrebatamento e da Terra se ardendo em fogo. Alguns acreditam num novo Big Bang ou um meteoro (ainda não identificado pelas agências espaciais) que fosse capaz de um extermínio como aconteceu com os pobres dinossauros.

Seja lá como for o momento de nossa morte uma coisa é certa. Ela virá. Seja dia 21 de dezembro de 2012 ou em outra data qualquer.

Essa verdade irrefutável é a certeza de que não temos para onde correr. Será o jogo sem a possibilidade do continue, manja?

Muitos devem estar preocupados se perguntando como irão morrer. Minha preocupação é oposta.

Como vivi?

Será que fui correto, justo e honesto com as pessoas? Será que é isso que seria o certo a fazer? Será que meu choro, meu riso e minhas lamentações foram suficientes nesse curto espaço de tempo?

Confesso que não sei. Não sei também se tudo isso terá algum valor quando o pó me corroer.

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Liquidificador - Nos porões da educação

Por Rodrigo Roah

"Brasil, um país de todos!"

Quem é que nunca viu ou ouviu esse slogan do Governo Federal?

Acredito que por falta de tempo, por estarem trabalhando demais ou por falta de verba o slogan não saiu completo.

O correto seria...

Brasil, um país de todos... os ricos!

Você é rico? Bem vindo ao pais do samba e do criolo doido. Da ginga sem igual, das mulatas faceiras que fazem do samba sua religião e de quebra com Cristo Redentor de braços abertos sobre a Guanabara só pra te receber com toda a pompa e circunstância.

Agora se tu for pobre...

No português mais claro das bandas de onde venho... Tu ta é fudido cumpadi!

Essa relação de poder permeia toda a nação, onde pobre é jogado embaixo do tapete. Tipo o lixo incômodo que não vai embora. O resto escondido nos porões sujos e fétidos da natureza outrora exuberante do Brasil que parece ainda colônia. Mais americana que portuguesa é verdade, mas colônia.

Esse panorama do demônio só pode ser mudado através da formação de cidadãos críticos e, portanto, que reflitam sobre as questões que envolvem nossa sociedade sem que aceitem como verdade absoluta. Para isso, a educação seria a base para tal reforma de pensamento refletindo que tipo de sociedade queremos formar. Mas isso dá um trabalho da porra!

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Liquidificador - O último beijo

Por Rodrigo Roah


Viver nunca é comum. Não é banal. Mesmo que possa parecer.


A vida prega peças. Engana o coração. Faz bater desritmado, violento e forte.

Nesse momento é que a paixão se apresenta.

Parecia mais um dia. Mas foi o dia. O dia que te conheci.

As sensações explodiam enquanto meu sangue borbulhava. A minha cara de bobo revelava o que minha cabeça insistia em negar.

Apaixonado.

Os olhos me sorriam com uma simpatia ímpar. Jamais vista igual.

Admiração foi tanta nos primeiros instantes que seria profano tocar. Bastava admirar sua beleza e simpatia.

Tua pele brincava com a minha quando nos aproximamos. Uma sedução tão intensa e ao mesmo tempo sem pretensão. Você fez arder o fogo sem precisar

Afrodite certamente enciumou-se com tal concorrência.

Agora estou aqui. Escrevendo essas linhas. Tentando explicar o inexplicável.

Atingir o inatingível.

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Liquidificador - Sympathy for the Devil

Por Rodrigo Roah

Quando eu era criança, bem moleque mesmo, achava que se eu não fosse um bom menino Deus iria me castigar e me mandar direto para os braços do capeta.

Sempre andava na linha. Mas chega o dia que de tanto andar na linha o trem te pega.

Esse trem não é tão bonito como na canção “Trem azul”, manja? Tava mais pra “Trem das 7” do Raulzito. O último do sertão!

Fodeu!

Azar da porra ser pego pelo último trem.

O fato é que o trem me pegou. Como?

O bom e velho Rock and roll, baby!

Não que ache que o rock and roll seja coisa do Demo, mas digamos que foi dele que me libertei e dos medos que tinha do inferno desde criança.

Como diria meu amigo e filósofo lá das bandas de São Caetano, Marquinhos,...

“Nessa época eu era garoto bobo da roça”

A loucura começava...

Passei a minha adolescência no “Faça o que tu queres”... (sociedade alternativa total).

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Liquidificador - Se espirrar, saúde!

Por Rodrigo Roah

Um sábado qualquer...

Saio para rua em busca de informação em formato standard. Passo por inúmeras pessoas que nem sequer me olham nos olhos. Cumprimentar então é coisa de outro mundo. De outra civilização que está galáxias de distância da nossa.

Povo mal educado!?!

Vocês vão me dizer que é a pressa das grandes cidades ou algo do tipo? Mas não justifica!

Falta de educação mesmo! O ser humano não é tão humano assim.

E acredito que Deus não se arrependa da criação do homem por um único motivo. Ele não teve como evitar.

Explico a doidera toda...

Sempre pensei que o espirro fosse uma reação, uma necessidade fisiológica para expurgar o que é de ruim nosso corpo possui. Por pra fora a maldade, o demo, o capeta, o cramunhão, ou seja, lá que nome seja.

Bem, dizem que somos a imagem e semelhança de Deus. Neste caso o digníssimo também espirra. Tá ai! O divino não teve como evitar o espirro de vida. Vidas que nem mereciam tal dádiva.

Deus fodendo, sem querer, a terra.

Mas enfim...

Alguns devem se perguntar... Deus mal? Why? Como assim?

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Liquidificador - Monólogo ao amanhecer

Por Rodrigo Roah

Terça feira.

Dia da tradicional feira limpa da vila Gilda.

Normalmente passo por ela e dou uma breve olhada no movimento. Essa semana foi diferente. A fome apertou mais cedo e resolvi parar pra comer um pastel antes de ir pro trabalho.

Chegando lá a barra ainda estava sendo montada.

Quando uma coisa assim acontece é um sinal de que algo está errado. Acordar pro trabalho antes de montagem de feira é sacanagem.

Enfim...

Restava a padaria que fica de esquina com a feira. Essa já estava aberta e bem movimentada.

Ainda não fizeram com que eu acorde antes de abrir as padarias.

O movimento era bem grande pelos trabalhadores da feira em busca do sagrado café e de outros frequentadores, que como eu, ficaram sem a opção momentânea do pastel.

Restou pedir o tradicional pingado e pão com manteiga. Não que eu não goste, muito pelo contrário, mas estava afim de um pastel mesmo.

Pela manhã costumo trocar poucas palavras, pra ser sincero, o dia todo. Sou mais ouvinte que falador.

Era hora do chapeiro me pegar pra Cristo.

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Liquidificador - Amenidades do bairro

Por Rodrigo Roah

Cada pessoa tem um lugar preferido pra passar o dia de folga, não é mesmo?

Duvido que esse lugar seja seu trabalho.

Muitos aderem às vitrines das lojas. Alguns ao famigerado futebol. E por ai vai.

Eu e tantos outros preferimos o deslumbre do mar.

Infelizmente caminhei pra outra onda.

Para quem conhece essa mente insana que vos fala, sabe da minha amante com que convivo há anos. Minha querida sinusite.

Em momentos de crise é necessária uma overdose de medicamentos para que ela fique calma.

Fui à farmácia aqui do Jardim Bela Vista em Santo André, em busca da tal mistura amenizante.

Uma lista de cinco medicamentos. Um time de futsal praticamente.

O forte atacante antibiótico é que possuía o passe mais caro.

Fazer o que...

Sem um bom atacante não se ganha jogo.

As oito da madrugada a farmácia já estava lotada. Tipo o trem das 6 da manhã, manja?

Esperei uns vinte minutos para ser atendido pela simpaticíssima atendente, que como eu, não deveria ter dormido a noite pelo calor  infernal. Dado o seu magnífico humor.

Após encontrar a escalação que eu havia solicitado a dita cuja me disse que um de meus zagueiros tinha um desconto pela farmácia popular. Para tanto, seria necessário aguardar para outro cadastro. Não entendi muito bem, mas respeitei a orientação da belezoca.

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Liquidificador - A vida que mais-valia a pena

Por Rodrigo Roah

Quatro da manhã. O escravo do sistema levanta após seis horas de sono pesado.

Não precisa de despertador.

Seu relógio biológico dispara do mesmo jeito que o sinal de fábrica.

Fábrica de carros de luxo. Entrega sua saúde, tempo e esforços na construção de um imenso lego de metal.

No fim do dia as dores no corpo são terríveis!

Tudo bem! Afinal de contas, no fim do mês recebe seu tão suado e, porque não dizer, desejado dinheiro.

Dinheiro que não conseguiria pagar nem metade da primeira parcela de financiamento de um dos carros que constrói. Mas para seus cinco filhos vira arroz, feijão e pão.

Todo esforço físico e suor desperdiçado! Ah... O sabor do dever cumprido.

O sonhador deita a cabeça em seu velho colchão. Travesseiro? Luxo que não condiz na realidade dura. Deseja desesperadamente por um futuro melhor.

Sonha que pelo menos um de seus filhos seja jogador de futebol.

Viu glória e luxo na tela em cores!

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Liquidificador - As donas da matemática

Por Rodrigo Roah

Números! Nascemos e nunca mais nos livramos deles.

Lembro-me até hoje das aulas de matemática do colégio. Dor de cabeça todo dia entre equações do segundo grau e trigonometria sem fim. Aliás, o que é trigonometria mesmo?

Bem, como podem perceber a matemática não é o meu amor. Meu coração bate em disritmia só pra provocar confusões na contagem numérica.

A verdade é que eu a odeio!

Desculpe professor Amarildo! Sua tentativa com esse ser e outros daquela época foram válidas. Mas em vão.

Uma coisa posso garantir. Os números fazem parte e sempre farão parte de minha vida.

Nasci no dia 23 de outubro. Aliás, meu aniversário r foi ontem.

Aplausos, por favor!

Primeiro dia de escorpião. Números ordinais e cardinais começam a entrar na brincadeira.

O que dizer da matemática do amor então?

Desculpem os matemáticos, mas nessa conta não tem resposta exata. Vai de acordo com a freguesa, camarada.

O que não falta é o resto. Esse sempre aparece depois de um clássico pé na bunda.

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Liquidificador - Chama o Joãozinho

Por Rodrigo Roah

Em minhas incríveis viagens pelo interior de SP fiz uma descoberta incrível!

O Joãozinho é o cara!

Precisou?

Chama o Joãozinho!

Bem, vou explicar melhor essa sandice.

Há algumas semanas antes da minha viagem ao interior de São Paulo fiz uma tatuagem. Tatuagem essa elucidada em escritos anteriores.

Por conta de tal arte a pele descama, fica seca e é necessária a utilização de uma pomada cicatrizante. A minha estava no fim e precisava de outra. Fui até o centro da cidade interiorana aproximadamente às sete da noite.

O centro de tal cidade possui uma praça rodeada por incontáveis bares e quatro farmácias, além de uma enorme igreja no centro da praça.

Chegando lá percebo que todas as farmácias existentes ao redor da igreja, ou seja, todas as farmácias da cidade estavam fechadas.

Já a igreja estava aberta e cheia. Talvez esse fosse o motivo das farmácias estarem fechadas, já que todos caboclos da cidade entravam na igreja. Provavelmente na tentativa de achar a cura através da fé, já que pelo remédio seria difícil.

Perguntei a um senhor que andava pela região, um dos poucos fora da igreja, como faziam quando alguém precisava de um medicamento com urgência.

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Liquidificador - Desbravando a ignorância do sertão entre o velho e o novo

Por Rodrigo Roah

Alguém já disse à frase que o Brasil tem coisas que o próprio Brasil desconhece. Fácil de entender, não é verdade?

O Brasil é um continente disfarçado em país. Misturas incríveis de povos, raças, crenças e outras cositas!

Em uma das minhas viagens pelo interior de São Paulo, atraquei na cidade em que meu pai resolveu se esconder da sociedade.

Bem, tive a oportunidade de prosear com um matuto daquela região, xucro mesmo! Calma! Não estou desdenhando do velho. É apenas a constatação da realidade.

Falávamos sobre preconceito. Tudo por causa de uma recente tatuagem no meu braço direito.

Para mim uma tatuagem indígena, que representa a origem do povo brasileiro. Para o matuto um forte sinal de homossexualidade.

O velho me dizia que para ele homossexualidade é sem-vergonhice. Disse que tais “sem vergonhas” não tinham apanhado o suficiente quando pequenos e que era falta de tal "corretivo".

Por alguns instantes confesso que as palavras me faltaram. Não que o preconceito, em
qualquer aspecto, fosse novidade pra mim. Mas da forma que o ancião falava, e abertamente expressava sua ignorância, me fizeram atônito por segundos.

Tentei explicar por diversas vezes que não se tratava de "sem-vergonhice". Que era apenas a natureza de cada um, e que portanto, cada um que sabe de sua vida. Disse ainda, que tenho muitos amigos homossexuais e que nenhum deles é "sem vergonha".

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Liquidificador - A primeira vez

Por Rodrigo Roah

Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece, não é mesmo?

O primeiro dia de aula, o primeiro beijo, a primeira viagem sozinho e, é claro, a primeira transa.

Todos um dia terão a chance de descabaçar!

A não ser que prefira o celibato.

Minha primeira vez em Londrina!

Calma!

Não é de minhas aventuras sexuais que me refiro.

Vamos a mais uma insanidade...

Fui visitar um amigo de longa data e fotógrafo profissional. Minha visita além de revê-lo teve cunho profissional. Estamos discutindo alguns projetos que logo menos os leitores dessa e outras bandas terão acesso.

Bem, chegando à terra do pé vermelho o queridíssimo já esperava por mim. Chegou cedo ao aeroporto.  Pensei que tivesse chegado cedo por temer a perda das horas.

Na verdade, ele havia errado o horário do vôo.

Depois de um fraterno abraço fomos almoçar.

Nada mais sugestivo para a cidade das mestiças do que comida japonesa. Peço licença pra ressaltar a beleza das gajas. Impressionante!

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Liquidificador - O azar nosso de todo dia

Por Rodrigo Roah

Ah... o azar! Por essas bandas o maledeto tem um pseudônimo. Por aqui ganha alma, ganha corpo e, pela idade avançada, certo respeito. Por aqui é mais conhecido como Zica, ou melhor Dona Zica.

Poderia dizer que Dona Zica e eu andamos de mãos dadas. Dois namorados que são mais grudados que molho vermelho em roupa branca. Mas dizer que tal pessoa anda ao meu lado daria chances para que eu escapasse de seus planos diabólicos.

Dona Zica está anos luz a minha frente.

Esses dias ela me marcou de uma forma tão peculiar. Fiquei estupefato!

Fui encontrar uma pessoa para resolver assuntos profissionais. Há algum tempo aderi à magrela para minha locomoção pelo ABC Paulista e região. Além de ser mais rápido que o ultrapassado automóvel, não polui e ainda fico em forma. Nada mal, não é mesmo?

Bem, chegando ao local combinado com o meu contato logo percebi que o queridíssimo não estava lá. Esperei por meia hora e fiquei a ver navios. Tentei o celular do dito cujo e nada.

Mas quem me aguardava ansiosa por uma carona? Ela mesma, Dona Zica.

Restava-me a volta “triunfante” pra minha bat caverna. No caminho Dona Zica veio montada na garupa daminha magrela. Automaticamente fura o pneu.

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Liquidificador - O diabo veste a pele

Por Rodrigo Roah

O sabor da carne

Suculento pedaço de sedução

Temperada a ervas finas

Pecado!

Pecado da gula

Do desejo de comer

Saciar a incontrolável vontade

Excitação pelo profano

Sofrer é que é sobre humano

Deus teria outros planos

Deus no esquecimento

O Diabo veste a pele

Pele que tateia pelo extinto

Selvagem no nascimento

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Liquidificador - Entre macacas de auditório, futebol e mulheres

Por Rodrigo Roah

Quarta feira chegou!

Dia de um novo escrito por essas bandas!

Há quem aguarde a quarta feira, não por minhas sandices, mas prefira a sandice de chuteira.

O profano futebol!

Falando no dito cujo. Convido a retornarmos a uma rodada anterior...

Domingo de muito sol no feriado de Independência. Noite agradável pra sair com uns amigos. Jogar conversa fora pra iniciar a semana com o pé direito.

Resolvemos ir a um bar no centro novo da cidade onde crescemos e, formamos a amizade que perdura até hoje.

Mas domingo não é um dia comum. Pelo menos não para os fanáticos por futebol.

Nesse dia, os torcedores vestem seu manto sagrado do time de coração e enchem a cara de cerveja. Enquanto isso, os jogadores enchem o bolso de dinheiro pelas peladas dominicais.

Até ai, nada de mais, não é mesmo? Cada um faz com o seu dinheiro e do seu fígado aquilo que bem entender.

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Liquidificador - O perfeito do imperfeito


Hoje inauguramos uma nova coluna semanal, batizada "Liquidificador". 

O motivo do nome é bem simples, ela não terá um tema específico. Aqui nosso camarada de longa data, o jornalista Rodrigo Roah, será livre pra misturar tudo o que tem na cabeça abordando os mais variados temas e assuntos, além é claro de mostrar um pouco de seu talento com as palavras.

That's it! Então vamos deixar de papo furado e ir direto ao que interessa... aproveitem!

Por Rodrigo Roah

A moda sempre marca uma nova tendência. Novos costumes trazem uma renovação da cultura. A moda inventa e reinventa o novo de novo.

Com o passar dos anos algumas coisas tornam-se démodé.

Diria que o amor está cada vez mais fora de moda. Alguns tentam desesperadamente nadar contra a contemporaneidade e permanecer fora do contexto presente. Outros abraçam a modernidade e se esquecem que tal sentimento possa existir em outras pessoas. Trocam o amor como trocam de roupa.

Há quem faça planos. Esses gostariam que uma pessoa perfeita se apresentasse na sua frente como por encanto. Uma pessoa que te entenda, compreenda e, como você, prefira o démodé do amor.

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