Mostrando postagens com marcador entrevistas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador entrevistas. Mostrar todas as postagens

Repórter Elsa - O Universo de uma anônima do universo


Por Elsa Villon | Repórter Elsa | Entrevistas |

“Eu sou do Universo” – assim se define Verônica, a entrevistada da vez pela série Repórter Elsa. Sucinta, discreta, reservada e quase anônima, a moça de 18 anos é autora dos tumblrs “Inventário de Tipos Humanos” e "Valsa dos erros".

Lá sim, personas contam os detalhes mais secretos de sua vida, como o avô que fuma a maconha do neto escondido enquanto ele está na faculdade, ou a moça que gosta de dormir embaixo de pianos tocando. E ainda o garoto que gosta mais de comer cola que de gente. É um mundo cheio de perfis interessantes por suas banalidades e segundo Verônica com voz, trejeitos, manias e segredos.

Share:

O guia básico de sobrevivência de Bo Diddley


Essa pequena pérola vem de um recorte de jornal. Nele, ninguém mais, ninguém menos que Bo Diddley nos brinda com alguns sábios conselho para um bom convívio social:

Álcool e drogas: beba somente "Grand Marnier" (licor). Isso impedirá que sua garganta seque, afinal é um lugar onde passa uma grande quantidade de fumaça. Um grande NÃO para as drogas!

Share:

Repórter Elsa – Um livro de oito graus na Escala Richter


Por Elsa Villon 

Começou assim: estava a repórter que vos fala navegando pela web quando recebe um tweet de um tal Hugo Rodrigues. Curiosa, respondi e tamanha não foi a surpresa quando ele me disse que lia o site do Pastilhas Coloridas e estava lançando um livro. E claro, tinha lido minhas matérias, gostado e queria ser entrevistado.

Share:

Repórter Elsa: a arte do contato e do malabarismo de Otavio Fantinato

Por Elsa Villon 

Quem assiste aos vídeos ou confere a página de Otavio Fantinato, não imagina que ele tem 1,90 de altura, mas a leveza de um pássaro para falar sobre as coisas. E isso já é notório em seu trabalho: malabarismo de contato. Para quem não conhece, seguem alguns vídeos aqui e aqui. Em resumo, equilibrar duas esferas com as "juntas" do corpo demanda um controle - físico e mental - deveras elevado.



Mas o Otavio faz isso parecer fácil, como se fosse parte dele mesmo e não sei vocês, mas eu sequer pisco com medo de perder as esferas de vista, como se por conta do meu olhar e não de toda a técnica e talento do malabarista elas não caíssem. O que poderia ser uma carreira artística deveras promissora - está sendo, aliás – Otavio Fantinato está muito bem, obrigado, posicionado entre as referências sul-americanas de malabarismo, mas sua aptidão também se envereda por outra vertente: as artes plásticas.

Quem vê o esbelto artista, não tem ideia do talento para os desenhos e gravuras que ele carrega sempre consigo em um caderno que alguns chamariam de surrado, mas eu chamo de sagrado. É lá, em cada folha, em cada mancha de tinta, café ou lápis de cor, que entendemos: o artista é pequeno diante da arte, mas gigante diante do cotidiano. E Otavio não é exceção - seja no malabarismo, seja com seu surrado caderno sagrado. Confira abaixo a entrevista completa, mais o nosso já conhecido "Pingue-Pongue", no qual cada entrevistado responde com o próprio trabalho a termos únicos. E tratando-se de um artista pluriapto (termo esse que ele não assume), você confere uma galeria exclusiva com um pouco mais sobre o gajo.

Qual o nome completo e a idade?

Otavio Augusto Fantinato Bordin, 31 anos.

Você é de onde - onde nasceu, onde cresceu?

Sou paulistano, mas minha primeira lembrança é estar no colo de minha vó e ver flores sobre o canal de Águas de Lindóia. Permaneci nessa cidade até os 17 anos, quando a necessidade de conhecer o mundo foi maior que o medo de romper a bolha de segurança que me envolvia. Da pequena cidade do interior
de São Paulo fui para Florianópolis e de lá pra cá posso dizer que minha casa é onde estou.

Como começou no malabarismo?

Ao chegar a Florianópolis tive de conseguir um meio pra sobreviver. Foi então que por indicações acabei indo trabalhar em um bar que mais parecia uma torre de Babel para um menino recém-saído do interior de São Paulo. No bar havia um espanhol que era garçom, um barmen chileno, um equatoriano e uma argentina na cozinha. Era administrado por um uruguaio e seu filho chamado “Leo”, nascido nas Ilhas Canárias. O Leo foi meu primeiro “mestre” e entre a produção de drinques e cafés, me ensinava os primeiros truques com três bolas e deste momento em diante fui infectado pelo malabarismo de tal forma que em questão de uma semana já afirmava que o faria pra sempre.

E a desenhar?

Desde bem pequeno já me era comum passar um tempo a mais do que as outras crianças em cima dos papéis. Mas foi por volta dos seis ou sete anos que o meu avô, Hélio Fantinato, um multiartista que considero como minha maior referencia, me ensinou as bases da perspectiva. Depois de algumas aulas ele me disse que havia me passado o que sabia daí passei a buscar outras informações na Biblioteca Municipal a qual havia muito pouco sobre arte em geral. Durante uns anos reproduzi em desenho obras clássicas de grandes mestres e algumas paisagens. Com o tempo, na metade da reprodução começava a criar em cima delas e pouco depois passei a criar minhas imagens.

Sua família te deu ou dá apoio ou batalhou uma trilha solitária para trabalhar com o que gosta?
Minha família sempre se postou de forma neutra dentro de minhas escolhas o que me facilitou em muito a desenhar meu próprio caminho. Às vezes deixar com que as coisas sigam seu rumo funciona melhor que empurrá-las em determinada direção. Sou muito grato a Dona Sônia por simplesmente deixar que o rio corresse.

Há quanto tempo trabalha com malabarismo? Como é esse nicho artístico no Brasil?

Desde que conheci “Leo”, que mudou minha vida, 12 anos se passaram. De Florianópolis segui para Monte Sião, Serra Negra e aportei em São Bernardo do Campo onde efetivamente conheci o meio profissional do circo e do malabarismo. Já haviam se passado quatro anos em que me dedicava até 10 horas por dia aos treinamentos. Foi quando meu até então professor de malabarismo, Jeisel Bonfim da Cia Diálogos Acrobáticos, me chamou para realizar um evento. Pouco depois, fiz um trabalho que perdurou por seis meses junto à outra companhia que percorreu 40 escolas periféricas da grande São Paulo realizando espetáculos e daí pra frente foram surgindo outras coisas. O Malabarismo no Brasil tem mudado muito. Quando me iniciei neste universo, eram pouquíssimas as informações disponíveis. Cheguei a demorar anos para descobrir sozinho truques que já eram feitos há 5 mil anos. Hoje, se pesquisar, a palavra juggling no Youtube terá como acabei de constatar 764.000 vídeos que lhe podem servir de referência. O nível artístico do malabarismo tem crescido, porém, de forma lenta. Uma, porque se em questões técnicas se pode construir um bom malabarista no período de um ano, para se construir um nível artístico pode se levar uma vida.

Já viajou para algum lugar por conta do trabalho? Qual? Como foi?

Por conta do malabarismo conheci muitos lugares. Com exceção das capitais do norte do Brasil, as quais ainda não tive a oportunidade de conhecer, estive no restante das capitais brasileiras e em mais dezenas ou centena de cidades. Na America do Sul, conheço a Argentina, Paraguai, Chile e Uruguai. Por meio do malabarismo ganhei histórias, amores e compartilhei em palco os mais diversos sentimentos. Recebi as mais diversas respostas. Já as artes plásticas me serviram como potencializador desses encontros. Sempre fiz questão de deixar desenhos e pinturas com os amigos que ganhava dentro destas viagens.

Dos lugares que já visitou, qual foi o mais a cidade (e país, se for o caso) mais promissora (a) para artistas - independentemente de qual arte - que encontrou?

Buenos Aires me tocou profundamente, principalmente pelo nível cultural de seus habitantes e sua forma independente no fazer arte. No Brasil, vejo que estamos muito condicionados a receber de editais para darmos vazão as nossas criações, mais ver que é possível juntar pessoas que amam o que fazem e
pensarem a arte de forma menos governamental me foi muito enriquecedor a tal ponto que saindo de lá no final de 2009 regressei ao Brasil com gana de montar meu primeiro espetáculo solo.

Há algum nome - ou alguns nomes - que te inspirem? Quem?

Sim, muitos, nas artes plásticas sempre me identifiquei com os surrealistas. Fui tocado primeiramente por uma obra chamada “The Arrival”, de um ilustrador americano chamado Cliff McReynolds, por um pôster que enfeitava a parede da casa de um amigo ainda em Águas de Lindoia. Depois, mergulhei nesse mundo
sonhado, pintado e desenhado desde os mestres que ainda nem cogitavam o manifesto até René Magritte, uma referência das minhas maiores, que não só influência dos meus desenhos, mas também meu “eu” em cena. Dentro do universo circense e teatral cito artistas que dão sentido a suas virtuoses como Leandre Ribeira e James Thiérrée, além de grupos como Acrobats, Les Apostrophes e Hugo & Ines,

Você se imagina mais no malabarismo ou mais nas artes plásticas nos próximos anos? Ou apenas prefere seguir o ritmo, sem muitas expectativas?

Se no inicio elas conflitavam dentro de mim, nos últimos anos não só vejo elas se aproximarem como se fundirem. Um exemplo: considero meu espetáculo extremamente fotográfico e essa construção existe muito por conta de meu envolvimento com artes visuais já no viés contrario a noção espacial do malabarismo e me ajuda e muito nas composições de meus desenhos e pinturas. Dependendo da minha vontade não deixarei nem meu lápis, tão pouco o palco pelo resto de minha vida. Por fim costumo dizer que as artes visuais me jogam para dentro de mim e me tornam mais introspectivo. Já as artes cênicas e o malabarismo me regatam de lá de dentro e me jogam pra cima, juntas, as duas me colocam não só em um lugar confortável, mas no lugar onde acredito que deveria estar.

Está em cartaz com algum espetáculo? Onde e qual?

Sim, com meu espetáculo solo chamado “O Descotidiano”, que é uma junção de cenas curtas e envolvem manipulação de objetos do cotidiano somados ao malabarismo, com objetos clássicos e a utilização de aparelhos criados por mim. É um trabalho ao qual tenho dedicado meus últimos três anos e vem se metamorfoseando no decorrer do tempo. Enfim, é um espetáculo qu acredito apresentar por muitos e muitos anos. Quanto às datas específicas, estão disponíveis na agenda da página no Facebook ou o próprio Blog da Companhia do Relativo.

Tem previsões de expor seus desenhos e gravuras?

No segundo semestre devo realizar minha primeira exposição individual, mas ainda requer confirmação. Tenho muita vontade de abranger o acesso ao meu trabalho visual, porém isso é algo que não tenho pressa.

A internet tem te ajudado a conseguir ingressar nessa área, que até pouco tempo era bem restritiva e considerada "erudita"?

Posso dizer por hora que a internet tem me ajudado e muito com a facilitação do acesso a meus desenhos e pinturas, o que me faz muito feliz. Embora tenha meu trabalho como malabarista amplamente difundido, como artista plástico foi apenas em janeiro deste ano que passei da divulgação pessoal para o livre acesso
na rede de boa parte do que produzi nos últimos 10 anos. Mas acredito e tenho investido meu tempo e energia nessa forma de exposição, vejo que começam a aparecer os primeiros frutos como encomenda de trabalhos e essa matéria por exemplo.

E como já é tradição, agora começa a parte da entrevista Pingue-Pongue: por meio de seus trabalhos, Otavio diz o que cada termo representa:·.

- Artes.


- Malabarismo.


- Família.


- Circo.


- Infância.


- Café.


- Amor.


- 2013.


Confira a galeria de fotos...














Elsa Villon é colaboradora do Pastilhas Coloridas, jornalista e fotógrafa viciada em café, cinéfila, adora Beatles e cheiro de pão saindo do forno. Twitter: @elsavillon
Share:

Repórter Elsa - O som e alma de Kaic 'Bo' Alkmin

Por Elsa Villon / Fotos de Priscilla Cabett

Tudo começou assim: meu amigo (está mais para irmão) Daniel Móri, jornalista preferido de Guaratinguetá, me mandou um link pelo famigerado Facebook com os seguintes dizeres:

"Elsa, encontrei um talento em Guaratinguetá, SP. Kaic Bo Alkmin, Look."

Seguido à mensagem, estava "Passeando Como Camelo", do então artista. Ouvi e pirei, mas antes que pudesse terminar de ouvir, Vinicius Alves, o Capitão Kirk do Pastilhas Coloridas, me manda inbox:

"Ouvi o som que teu amigo te indicou. Pastilhas Coloridas?". Como negar?

Entrei em contato com esse jovem que é de fato, um artista "amador" (definição dada pelo próprio). Ele toca, canta, filma, edita, sonoriza... e ainda escreve poesia, faz artes esculpidas, e usa quase que exclusivamente a internet pra divulgar sua arte. O sujeito é quase um rastafari sem erguer bandeira alguma: apenas com sua arte. Interessadas meninas? Pois podem tirar o equino das águas pluviais de março, pois o moço tem uma namorada à altura. Priscilla foi a autora do ensaio, está no último ano de Rádio, TV e Internet e comanda 3 programas numa rádio em Lorena e é bonita que só vendo (confira o perfil completo dela abaixo e aproveite para conhecer o trabalho da gaja).

A jornalista que vos fala - agora com diploma - saiu de São Bernardo e viajou quase 200 km para entrevistar Kaic "Bo" Alkmin (não, não é parente do Geraldo Alckmin). Aproveitando que "a banda de um homem só" também filma, dividimos a entrevista em áudio, foto, vídeo e texto. Um mix de tudo, porque é por meio da arte que Kaic formula a sua identidade. E nós também.

Confira a primeira e exclusiva entrevista do moço, só no Pastilhas Coloridas...
(Pra quem preferir, no final temos a entrevista em vídeo)

Share:

Repórter Elsa - Girafas, guardanapos e um pouco de prosa poética


Por Elsa Villon

Ele se chama Pedro. Ele se chama Gabriel. Mas foi como Antônio e por meio de sua arte em guardanapos que ficou conhecido. Ou melhor, que seu trabalho foi conhecido (e reconhecido). Autor do tumblr Eu me chamo Antônio, em quase 4 meses já conseguiu muitos admiradores. E claro, admiradoras. A sinceridade e a simplicidade dão o toque para transformar “rabiscos que qualquer imbecil faria” em algo genuíno. A retórica, simples sem ser simplória, só reafirma o conteúdo ilustrado. E a maneira inusitada de aliar tecnologia a tudo a isso já lhe renderam alguns frutos.

Sem odes a seu nome ou imagem, todos os mais de 16 mil likes conquistados com sua página no Facebook – em suposto anonimato, ou antonimato. “Eu nunca brinquei de esconde-esconde com ninguém (nem quando era criança, quanto mais agora). Também não sou o Mister M, não preciso de uma máscara para fazer o que eu faço”, pontuou o artista, atitude essa que demonstra seu real intuito: disseminar seu trabalho, não sua pessoa.

Nascido em N´Djamena, capital do país africano Chade, viveu lá até os 5 anos de idade, quando conheceu o solo tupiniquim. Regressou ao continente ainda jovem, dessa vez para Cabo Verde até voltar ao nosso país tropical. Sem fusca ou violão, é o único irmão de 3 irmãs, duas delas respectivamente na França e Bélgica e com o pai na Suíça. Antônio pode não ser brasileiro de nascença, mas domina perfeitamente um idioma universal – o dos corações partidos.

Confiram abaixo um pouco da vida desse redator publicitário que nos faz crer que essa profissão parece comercial, mas no fundo, também sofre por amor.

- Li em uma outra entrevista, para a Revista Mambembe, dizendo que você é bem tímido. Isso é verdade?

Sim. Mas é uma timidez adaptável. Depois que eu conheço a pessoa, ou a situação, começo a me sentir mais à vontade. Falar em público, apresentar trabalhos, aparecer no famoso “primeiro encontro”, tudo isso, me assusta um pouco. Um susto superável, claro. Mas não é algo que me deixa à vontade. Gosto de observar, ficar quietinho na minha, ouvindo, ouvindo, ouvindo. Minha timidez não é anti- social. É a timidez de quem gosta de observar o mundo, apenas. A timidez de quem precisa criar para se comunicar...

- No caso, essa timidez é uma das causas do anonimato, ou antonimato – como conversamos?

Não. Na verdade o anonimato não é bem um anonimato. É mais uma forma de valorizar o que realmente interessa: o conteúdo. Eu não escondo meu nome. Muitos já sabem quem eu sou, muitos já viram meu rosto. Eu só não mostro minha foto na fanpage porque não há necessidade. Ali é o espaço da minha arte, não o meu espaço. Ali, as pessoas devem gostar do Eu Me Chamo Antônio pelas palavras, pelos guardanapos, nada além disso.

O mais importante para o artista deve ser a sua arte. O artista é simplesmente um meio, uma forma humana que nasceu para dar vida à criação. Se eu sou moreno, alto, bonito, feio, homem, mulher, baixo, gordo, magro, se uso barba, se tenho 3 graus de miopia em cada olho, isso importa? Espero que não. Agora, se o que eu escrevo tem a capacidade de emocionar, de arrancar um sorriso, de fazer uma lágrima escorrer, ou causar qualquer outra reação no receptor da mensagem, isso sim deve importar. A arte precisa criar diálogos, retóricas, interações, intervenções... Senão deixa de ser arte e passa a ser monotonia.

- Você comentou também que pretende “se revelar” em breve? Pode contar algum plano ou qualquer detalhe estraga a surpresa (ou o fim dela)?

Acho que está bom como está, por enquanto.Tudo tem seu tempo para ser revelado ou escondido, para ser lembrado ou esquecido. Sou ansioso, mas não tenho pressa. As coisas estão seguindo um caminho tão bonito do jeito que estão. Não faz sentido colocar atalhos, né? Diariamente tenho recebido mensagens pedindo para que eu poste uma foto minha na página (do Facebook). Outras dizendo que já sabem quem eu sou, que me acharam (oi???). Acho graça. Eu nunca brinquei de esconde-esconde com ninguém (nem quando era criança, quanto mais agora).

Também não sou o Mister M, não preciso de uma máscara para fazer o que eu faço. Tampouco sou um foragido da justiça, pago meus impostos bonitinho. Devo um dinheiro aqui e outro ali ao banco, como todo sujeito que respira nos tempos modernos. O problema é que muita gente não entende que, ali, eu só valorizo o que deve ser valorizado: o conteúdo, não a embalagem. Mas, respondendo à sua pergunta mais objetivamente, estou em contato com 2 amigas para fazer uma gravação bem bonita sobre o projeto Eu Me Chamo Antônio.

Agora, se eu vou ou não aparecer neste vídeo, isso será decidido durante a construção do roteiro. (O que posso dizer é que estou correndo diariamente para tentar ficar elegante caso apareça no vídeo. Tá difícil, viu?).

- Acompanhando seu tumblr, vi que suas publicações começaram em outubro. Os guardanapos começaram nessa época ou foi antes e só então decidiu publicá-los?

Eu sempre rabisquei em tudo o que via, em tudo o que eu tinha em mãos, em tudo o que cabia no bolso: cadernos velhos, contas vencidas, envelopes abertos... Mas foi em outubro que eu tive o “estalo”. As frases sempre existiram. Todo mundo tem um mundo de frases mudas que esperam uma oportunidade de serem ouvidas, escritas. Eu tenho um monte delas em incontáveis cadernos espalhados pelo meu quarto, na memória do meu celular... Nós somos os deuses dos nossos ideais, das nossas ideias. A diferença é que algumas pessoas as exteriorizam (essas, chamadas de artistas) e outras as silenciam. Mas foi só no finalzinho do ano passado que eu comecei a exteriorizar essas palavras especificamente em guardanapos.

O guardanapo é o palco da minha poesia, é a plataforma que encontrei para me esvaziar. Uma plataforma carismática, democrática. Todo mundo pode pegar uma caneta preta e escrever em um guardanapo branco. Todo mundo pode se chamar Antônio. Eu não inventei a caneta preta. Eu não inventei o guardanapo branco. Eu não inventei os filtros da fotografia digital. O que eu inventei foi a forma delicada de juntar tudo isso em um mundo único, meu.

- Houve um grande “estalo” para começar a produzi-los ou era algo involuntário que acabou ganhando maior dimensão?

Estalo é uma palavra que eu gosto. Quem cria não tem início, meio e fim. Tem justamente estalo, continuação e infinitos recomeços. O processo criativo é um eterno recomeçar, com muita tentativa, muito erro e, claro, alguns poucos acertos que fazem tudo valer à pena. Eu comecei a postar conforme ia criando e outras pessoas foram gostando, curtindo, compartilhando. Sinceramente, eu nunca pensei que fosse ganhar essa dimensão.

- Você nasceu escritor e só desenvolveu ou era aquela criança que não gostava muito de poesia, de ler, se alinhava mais no desenho e acabou casando as duas artes depois de grande?

Eu não me considero escritor. Sou um cara que se esvazia colocando frases curtas em pequenos guardanapos cheios de sentimentos. A grandeza de toda obra está na interpretação de quem admira, contempla. A arte por si só não é nada, não vale nada. Mas a vida do leitor, a vida do ouvinte, a vida do
receptor deste diálogo poético é que dá vida à obra.

Poesia? Hmmm... Acho que nunca gostei de poesia, poesia. Sabe? Versos metrificados, rimas estudadas,
sílabas matematicamente contabilizadas, palavras rebuscadas que quase ninguém entende. Quando começam a encher de técnica e teoria, a poesia deixa de ser poesia e passa a ser texto acadêmico. Isso sempre me incomodou. A palavra precisa ser simples, acessível (Sim, dá pra ser simples e denso!). Ler com o dicionário do lado, não é leitura, é trabalho. A poesia precisa ser igual à novela: entrar na vida das pessoas depois de um dia cansativo; ela não pode te cansar mais do que a rotina. Por isso tem tanta gente fugindo da poesia...

Sobre meus rabiscos: quem vê pode pensar “qualquer imbecil poderia fazer esses traços”. É verdade! Mas eu gosto de rabiscar essa minha imbecilidade. Ela é minha. Uma das poucas coisas realmente nossas são a inteligência e a imbecilidade. Eu nunca me esqueço o conselho de um amigo, que quando me encontra sempre diz: “Preserve sempre um pouquinho de ignorância”. Acho que a ignorância do meu desenho e a simplicidade da minha palavra dialogam muito bem juntos.

- Por que o nome “Antônio”?

Antônio é meu nome. Aliás, uma parte do meu nome. Não tem nenhum mistério, trocadilho, duplo sentido, segundas intenções... Muito menos consultei os astros ou um numerologista. Eu me chamo Antônio. Poderia me chamar Pedro. Poderia me chamar Gabriel. Mas escolhi me chamar Antônio. Eu me chamo Antônio.

- Circulam trechos desprovidos de guardanapos e ilustrações e reza a lenda, são um romance em andamento. Confere?

Sim. Não está mais adiantado porque não tenho tido muito tempo. A escrita é uma terapia, uma fuga letrada. Eu tenho meu trabalho normal, das 9h às 18h. Mas tenho muita coisa pronta na minha cabeça. Uma história bonita (não necessariamente feliz). Que eu gosto de pensar enquanto caminho aos sábados pelo meu bairro ouvindo o solo de Stairway to Heaven, Cartola, Chuck Berry e rap. Gosto muito de rap. Todo poeta deveria ouvir rap, sem preconceito. Facilita na rima, no ritmo, no encaixe das palavras.

- E se fosse um roteiro, definiria a obra em qual momento: introdução, climax ou desfecho?

O romance se chama “O romance inacabado”. O “momento” dele será sempre o ápice antes da conclusão. O fim assusta. Eu não gosto de acabar as coisas. Tudo em mim tem um pouco de inacabado, de inconcluso. Preserve sempre um pouco de inacabado em tudo o que você faz. O inacabado é a forma mais poética e sincera de eternizar um amor, uma obra, um momento, qualquer coisa que faça sentido pra você.

- Com o sucesso dos guardanapos, acha que há uma atenção especial por conta de editoras para quem sabe, publicar e socializar sua obra?

Meu sonho sempre foi ter um livro impresso com uma capa bem bonita e páginas cor marfim. Mas também tenho consciência de que isso é um sonho e que existem tantas realidades a serem vividas antes de viver o sonho. Por agora, vou vivendo um guardanapo de cada vez. E temos que entender a nova necessidade do leitor. Os leitores estão trocando as folhas pelas telas. Me dá uma dorzinha no coração pensar nisso, confesso. Até que ponto essa necessidade é criada pelas empresas ou pelo desejo real do leitor não é um debate que cabe nesta entrevista, mas o fato é que quem quiser sobreviver ou se destacar nesse meio tem que entender que tudo está mudando. Estamos vivenciando a mudança, nós somos a mudança. É bem possível que ainda nesse primeiro semestre, tenha uma linda surpresa, uma surpresa tecnologicamente bonita. Mas eu não crio mais expectativas, não me iludo mais.

Escrevi outro dia no guardanapo que meu mantra para 2013 é “Não me iludo, não me iluda”. É bem isso: vou vivendo sem ilusão as consequências dos meus dias, as incompreensões dos meus amores... Tem me feito mais feliz. Tenho dormido melhor, acordado mais leve. Amadureci muito depois de ver o quanto a gente se prende em algumas infantilidades, caprichos, carências totalmente inúteis. Não há necessidade. Temos articulações para andar sem depender de ninguém. Somos articulados para nos comunicar com o mundo sem precisar da voz de outra pessoa, né?

- Você atualmente trabalha com redação publicitária. Essa é sua formação ou faz parte dessas pessoas sagazes que conseguem ter sacadas boas sem o chamado “ensino formal direcionado”?

Na verdade sou formado em Propaganda, mas não trabalho especificamente em agência. Assim que sai da faculdade, me formei pela ESPM/RJ, meu sonho era criar títulos para as Havaianas e trabalhar nas maiores agências do país. Acabei pegando outro rumo. A faculdade me deu grandes amigos, uma ótima base e muita, muita, muita referência. Mas a "sagacidade", a "sacada", em outras palavras, o raciocínio criativo é o resultado de muita leitura, tentativa e erro; enfim: muita prática! É preciso praticar incansavelmente até o cérebro se conscientizar naturalmente que o inconsciente precisa entrar em ação.

- Você se sente um frasista, como aqueles do início da publicidade?

Olavo Bilac e tantos outros poetas tiveram sua veia criativa voltada para a publicidade na época. Acho que, de certa forma, sim. Meus guardanapos podem ser títulos, manchetes de ideias que podem ser desenvolvidas em textos maiores um dia. O que eu faço não deixa de ser publicidade. Cada guardanapo é um layout de uma ideia, que "vende" a delicadeza, a simplicidade do cotidiano. A minha sorte é que eu sou o meu cliente: não preciso pedir pra aumentar o logo, diminuir o título, trocar a imagem. O meu azar é que eu sou o meu cliente: faço tudo de graça (risos).

- Você não nasceu nesse continente, certo? Pode contar um pouco disso? Se tem irmãos, um pouco da infância.

Tenho 3 irmãs. Nasci em N´Djamena, capital do Chade, na África. Morei até meus 5 anos. Depois, fiquei 1 ano aqui no Brasil. E voltei para a África, em Cabo Verde, onde morei até meus 12 anos – quando regressei ao Brasil. Hoje, tenho uma irmã em Paris, uma outra na Bélgica e meu pai, que mora na Suíça. Estou acostumado com distância, saudade. Isso talvez se reflete de alguma forma nos meus textos. Não tem como fugir do que fomos e somos feitos, né? Somos sempre a soma de tudo o que já vivenciamos.

Isso enriquece inconscientemente as nossas ideias, o nosso banco de referências. Quando sento para começar a escrever, um mundo se abre; e esse mundo nada mais é do que uma mistura de todos os mundos que eu já presenciei. Tenho certeza que nas minhas palavras tem um pouco da solidão do deserto do Chade, um tiquinho da saudade sonora das ilhas de Cabo Verde, um bocado da criatividade do Brasil e uma dose da neutralidade Suíça.

- Depois de um tempo, por que sentiu necessidade de inserir fotos e imagens, além dos guardanapos?

Aconteceu naturalmente. Sempre tento procurar um pano, uma fotografia, um livro antigo para servir de fundo para a frase no guardanapo. É uma tentativa de surpreender, oferecer algo inédito. Acho que você precisa sempre testar coisas novas. Sem perder a essência, claro. Mesmo quando tudo parece estar diferente do que você se propôs a fazer no começo, quando há sinceridade, você consegue sempre enxergar alguma semelhança em toda sua obra. Voltando ao assunto da propaganda: uma das primeiras
coisas que se aprende na faculdade é ter conceito. Pra mim, conceito é seguir sinceramente uma ideia que parece ser a certa. E é o que estou fazendo: estou seguindo o que eu acredito ser algo que faça sentido e que tenha sentimento verdadeiro.

Confira abaixo um pingue-pongue com guardanapos exclusivos feitos para o Pastilhas Coloridas:

O silêncio...
A distância...
Os amores impossíveis...
A escrita...
A tristeza...
A infância...
O cotidiano...
A arte...
Um nó no peito...
2013...
Links relacionados:

Elsa Villon é colaboradora do Pastilhas Coloridas, jornalista e fotógrafa viciada em café, cinéfila, adora Beatles e cheiro de pão saindo do forno. Twitter: @elsavillon
Share:

Kombi 73! Agora também cores...

Para você que ouviu o nosso programa comemorativo no dia 27 de julho e não entendeu a declaração que aquele era o primeiro programa de rádio com imagens, chegou agora a sua explicação – com duas semanas de atraso, é verdade, mas por conta de problemas tecnológicos.

Tirem as crianças da sala! Senhoras e senhores, Kombi 73 com Krias de Kafka ao vivo no 74 Clube:


Share:

Entrevista - Aquiles Ghirelli (Projetonave)

Foto Atila Vilanova / Studiocria
Por Claudio Cox  e Vinicius Alves

O Projetonave está lançando neste mês de março o aguardado DVD comemorativo de 10 anos da banda. A festa será em forma de um show (ingressos esgotados!) no dia 17/03 às 20 horas no teatro do Sesc Santo André. Além de uma apresentação da banda gravada no mesmo teatro há 4 anos atrás, o DVD conta com um documentário contanto toda a trajetória dos rapazes. Coisa fina!

A banda foi formada na segunda metade dos efervescentes anos 90 em Santo André no ABC Paulista, contabiliza dois CDs, um vinil 7”, inúmeros shows e a residência no programa Manos e Minas da TV Cultura. Agora, já se contam 15 anos de carreira – independente, vale lembrar – e por conta disso, tivemos uma conversa com Aquiles Ghirelli (Akilez), vocalista e um dos fundadores da Nave, para reorganizar esse passado e celebrar a atual fase.

P C: Como foi produzir esse documentário? Profissionalmente e emocionalmente?

Share:

Ode ao poeta: Um bate-papo com Marcelino Freire

Por Elsa Villon
    Marcelino freire por  Ramon Muniz

Em meados de setembro de 2011, esta proto-jornalista que vos fala precisava de uma pauta especial para o jornal da Universidade. Sem ideias, eis que um amigo sugeriu: “Por que você não entrevista o Marcelino Freire?”. Eu, no ápice da minha perplexidade, indaguei como e se teria culhões jornalísticos suficientes para tal tarefa. Afinal, o premiado autor foi merecidamente honrado com um Jabuti. E o fato de ser fã de suas obras também me torna uma tiete, quase uma groupie literária.

“Relaxa, ele é a pessoa mais doce que eu conheço”, citou na ocasião. Já sem ideias do que produzir, aceitei a sugestão e solicitei o contato do Marcelino. E não é que ele tinha razão? O idealizador da Balada Literária é sim uma das pessoas mais doces e humildes que conheço, dentro de todo o seu talento.

A minha matéria era um especial sobre bibliotecas móveis e iniciativas alternativas de leitura e, por consequência, a Balada Literária, que chegou a sua sexta edição em 2011. Por desventuras da triste realidade jornalística, a matéria não foi publicada (vésperas antes de entregá-la, a bicicloteca foi roubada, descontextualizando toda a minha pesquisa – minha pauta foi literalmente roubada). Mas satisfeitíssima com o bate-papo, apresento-lhes a simpatia de Marcelino Freire, que além de me conceder a entrevista, pagou-me uma água com gás. Generoso ainda por cima.

Marcelino Freire é escritor, filho caçula de nove irmãos de uma família de retirantes de Pernambuco, nascido em Sertânia, ainda no Estado, em 1967. Morou em Recife e a partir de 91, adotou São Paulo.

Entre algumas de suas obras, estão “Contos Negreiros” (Editora Record), que lhe rendeu o Prêmio Jabuti em 2006; “Angu de Sangue” e a idealização e organização da antologia “Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século” (ambos pela Ateliê Editorial) e em 2011 lançou o livro de contos “Amar é um Crime”. Confira mais de seus trabalhos no blog.

Share:

Festival PIB traz formato e programação diferenciada na edição de 2011

Por Ana Mesquita | 

Inti Queiroz é uma das

idealizadoras e atual

curadora do PIB
Sim pessoas, o PIB – Produto Instrumental Bruto – terá uma edição esse ano. Acontecerá neste domingo, 27 de novembro, a partir das 14h30 num dos lugares mais charmosos e bacanudos da cidade de São Paulo: a Casa das Caldeiras. A edição desse ano terá um formato diferente dos anos anteriores e contará com diversas atividades, todas gratuitas, ao longo do domingo. Inti Queiroz é uma das idealizadoras do festival e atual curadora. Fizemos uma entrevista com a moça pra conhecer um pouco mais sobre esse festival tão importante e fundamental para a cena cultural do estado de SP, justamente por dar a possibilidade de palco para bandas pouco conhecidas do público paulistano. Neste ano o PIB está diferente. Saiba o porquê na entrevista abaixo.

Quanto tempo existe o PIB?

A idéia de fazer um festival instrumental surgiu em outubro de 2003. Estava em Porto Alegre num show da Pata de Elefante + Argonautas, numa noite incrível e senti que aquilo era novo e precisava ser mostrado. Ao mesmo tempo, algumas bandas de amigos tanto em São Paulo, como em Curitiba já traziam essa nova tendência instrumental, de mesclar estilos como rock ao tradicional instrumental. A idéia começou a crescer e aos poucos fomos descobrindo que existia uma cena se formando. Muitas bandas surgiram em nossa pesquisa. Porém naquela época não conseguimos fazer um festival. A idéia continuou crescendo, a pesquisa também, bem como a cena instrumental. Em 2006 nos inscrevemos no edital da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e dentre 200 projetos de festivais de musica levamos o segundo premio e assim fizemos a primeira edição em 2007 no SESC Pompéia.

Sempre dependeu de lei de incentivo pra acontecer?

As três edições anteriores usaram a lei de incentivo à cultura estadual. Nesta quarta edição não. Estamos fazendo o festival 100% independente, com uma pequena verba nossa e a ajuda de parceiros incríveis que estão cooperando de diversas formas. Trabalho ha mais de 10 anos com leis de incentivo e isso reforça esse uso da lei em nossas ações. Sempre acreditamos que usar verba de imposto para fazer arte seria uma forma de fazer uma revolução cultural. O PiB é um festival trabalhoso, feito com muito capricho, cheio de detalhes e que prima pela qualidade de equipamentos, profissionais, artistas, etc. Temos uma equipe grande, varias atividades além dos shows, achamos essencial termos grana para cachê de todos os artistas, oficineiros, debatedores, etc. , bem como para termos uma estrutura de qualidade. Apenas com o resultado da bilheteria seria impossível manter o PiB. Mesmo porque o valor do ingresso sempre foi quase que simbólico (nosso sonho é que o PiB fosse sempre gratuito, nessa edição estamos realizando de esse sonho de alguma maneira) Ao contrario de outros festivais que usam milhões para acontecer, a verba usada no PiB da lei é pequena. Tem gente que não entende como fazemos um festival desse tamanho com tão pouca verba. Mas temos consciência de que a verba é publica e o que importa é manter o PiB vivo.

Porque um festival de música instrumental?

Como disse antes, sentimos que existia algo de novo acontecendo. Que existia uma nova cena latejando, precisando ser mostrada. particularmente todos na equipe gostam muito de música, já trabalhavam com musica ha bastante tempo, e gostavam mais ainda de música instrumental. Já ouvíamos bastante e já frequentávamos shows de bandas instrumentais que apresentavam essa estética instrumental inovadora. Sabíamos que a música instrumental experimental e ligada à cena alternativa ainda não tinha nenhum festival. Um festival com uma estética que mesclasse sons pesados, toscos, experimentais, inovadores ao instrumental que até então só primava pela virtuose e pela perfeição sonora. O nome do projeto já mostra um pouco esse conceito. Mostrar um instrumental que vem do bruto e chega ao lapidado. Ou vice versa. Que entende a música como temas livres, passiveis de intervenções, de experimentações, de texturas, de improvisos. Uma cena de bandas e não de solistas, feito por uma geração nova, muitos deles nascidos no rock alternativo.

Qual a importância do gênero para a cena brasileira?

Nossa pesquisa indica que essa cena tem um marco zero por volta do final dos anos 90 com o surgimento das primeiras bandas. Até então eram bandas isoladas, não se usava o instrumental como conceito. Foi por volta de 2003/ 2004 que as primeiras bandas realmente começaram a adotar o instrumental como bandeira. A maioria delas era de rock, surf e de jazz experimental. A maioria, bem diferentes do tradicional instrumental brasileiro existente até então. E esse crescimento foi mais notável a partir de 2005. Dezenas de bandas PIPOCARAM pelo Brasil. Nosso acervo indica que mais de 300 bandas instrumentais existem no Brasil atualmente. Algumas em plano vapor, algumas em período de entre safra, mas existem. Não sei se posso dizer que é um gênero novo, afinal o instrumental sempre esteve aqui, desde o começo do século, desde o mestre Ernesto Nazareth, desde as valsas, choros, etc. Mas essa nova cena instrumental trouxe uma proposta que ultrapassou algumas barreiras estéticas. O tradicional aqui foi refutado de certa maneira, sinto uma revolução sonora... o que importa pra muitos é desconstruir estilos musicais. O que importa é experimentar. Mesmo as bandas que tem um estilo mais distinguível e tradicional, como o surf music por exemplo, tem ao mesmo tempo uma evolução dentro do som. Agregar novos instrumentos, novas propostas de composição. Todas buscam texturas, loucuras, expressões novas. O que importa não é a virtuose e sim agregar estéticas e integrar-se à cena com a desconstrução sonora de estilos canonizados. Acho que é essa a importância. Desconstruir criando e assim trazer novidade à mesmice musical brasileira.

Por que o festival desse ano não será como nos anos anteriores? Qual a maior dificuldade encontrada por vocês?

Esse ano não conseguimos aprovar o projeto a tempo nas leis de incentivo por conta de problemas internos na própria lei estadual. Acredito que isso ainda é nossa maior dificuldade. A burocracia e a morosidade das leis de incentivo. Ser um festival instrumental também é uma dificuldade para captarmos patrocínio em empresas. A maior parte das empresas não conhece a cena, não faz idéia da riqueza cultural da cena e de que existe sim um publico interessado. Esta edição é reduzida, mas não menos especial. Nosso projeto 2011 / 2012 ja contemplava um formato novo do PiB, onde teremos o festival + a tour pelo interior. Por isso optamos para fazer duas edições linkadas. A quarta edição acontece agora neste domingo, lançando o novo formato do Projeto, O "PIB Tour São Paulo" que tem inicio agora e acontecerá mesmo a partir do ano que vem. Além disso, essa edição no domingo, será uma boa forma de realizar um antigo sonho nosso, que é de juntar as bandas madrinhas no mesmo dia, as 4 bandas são vencedoras da edição anterior. E estarão juntas na grande festa na Casa das Caldeiras neste domingo.

Como foi a escolha das bandas que tocarão nessa edição? Quais os critérios de escolha?

Esta edição buscamos fazer um line up ideal. Trazer bandas que ha muito tempo estavamos de olho, trazer bandas bem novas e com propostas reveladoras, trazer bandas que agregassem à cena instrumental de alguma forma. O critério principal sempre foi e sempre será a música. Mas achamos importante observar as bandas como um todo. O festival chama-se Produto Instrumental Bruto não é por acaso. Entendemos as bandas atualmente não apenas como uma expressão estética, mas como um produto cultural. Para a curadoria produto não está ligado a mercadoria banda, muito pelo contrário, mas a forma que é produzido mesmo. Por isso observar tudo, não apenas o som é essencial. O material enviado, juntamente com a pesquisa que fazemos tanto na internet quanto vendo shows, perguntando a diversas pessoas de todo Brasil sobre cada banda é um ponto. Observar como a banda se produz é outro ponto. Observar como o publico recebe a banda é outro. Se a banda toca por ai, onde toca, com quem toca é mais outro. Enfim é uma somatória de vários pontos. Tem bandas que observamos desde 2007 e que finalmente entrarão na lista. Bandas que evoluiram muito em todos os pontos. Isso é muito gratificante!

Fale sobre a programação do dia 27 lá na casa das caldeiras.

A programação é bem variada. Teremos os shows das 4 bandas madrinhas: MAMMA CADELA, TRÊS CRUZEIROS, THE MULLET MONSTER MAFIA, HUEY. A partir das 15h30 acontece o debate sobre a musica independente com a presença dos Debatedores: Alex Antunes (jornalista e musico), Erick Cruxen (Banda Labirinto), José Júlio do Espírito Santo (jornalista), Bruno Kaskata (produtor), Amadeu Zoe (Espaço Serralheria). Além disso teremos exposições de vários artistas em diversas linguagens artísticas: Fotografia(Marília Vasconcellos), Xilogravura( Manuela Romeiro), Colagens (Bel Falleiros), Paisagismo(ACATU - Atelie de Cultura Ambiental e Tratamento Urbano), Skate(Zapata Boards), Escultura Cinética/Móbiles(Guga Landi), Escultura em Papel Marchê (Clau Carmo), Ilustração(Alex Senna), Video mapping (O Jardim elétrico). E pra rechear uma grande feira cultural o dia todo, com diversos tipos de produtos de arte, artesanato, moda, etc. 

Se quiser acrescentar mais alguma coisa fique a vontade!

Inti Queiroz: Pra terminar acho importante falar sobre a PiB tour São Paulo que acontece no ano que vem. Teremos shows em diversas cidades. Já fechamos 8 cidades até agora, mas isso deve crescer. Se alguma prefeitura, Secretaria de Cultura, etc de alguma cidade estiver em interessada em receber / apóia o festival entre em contato com a gente a partir de dezembro! festivalpib@gmail.com

Ana Mesquita é colaboradora do Pastilhas Coloridas e jornalista freelancer amante de cinema. Twitter: @anamesquitafoto
Share:

Entrevista - Tiago Silva (Poucas Trancas)


Poucas Trancas: João, Tiago, Rodrigo e Leandro
A banda andreense Poucas Trancas faz show de lançamento do mais recente trabalho, o CD/DVD “Pare! Olhe! Escute!”, no teatro Lauro Gomes em São Bernardo do Campo nesta sexta-feira, dia 29 às 21hs. Por conta disso, tivemos uma conversa com um dos integrantes do grupo, o guitarrista Tiago Silva.

Pastilhas: Reza a lenda que o termo rock psicodélico surgiu no final de 1966 impulsionado pela relação escancarada de alguns músicos com drogas alucinógenas, o LSD principalmente. O fato é que alguns dos álbuns mais importantes da história saíram dessa relação, mas é fato também que esses álbuns saíram das cabeças de grandes compositores como Paul McCartney, Lennon, Brian Wilson, Sid Barret, Bob Dylan e alguns mais. Qual a impressão de vocês sobre o “rock psicodélico” de ontem e de hoje?

Tiago: Na história existem paralelos que explicam por que essa geração é tão marcante para nós hoje. Aquele momento veio de tantas situações que levaram seus compositores a explorarem mais e além da mente – daí o termo psicodélico. Nossa geração, que tem aí seus vinte e muitos anos, crescida nos anos 90 ouvindo uma dor de cabeça de adolescente estadunidense chamado grunge, vive algo parecido. Sempre que o mundo fica chato surge um movimento contrário para dizer que há essência nessa existência. Foi assim quando o Renascimento pôs curvas e cores nas coisas, ou quando vieram os anos ’60 opostos à Cruzeiro que ensinava a moça ser uma boa dona de casa. Eles buscaram expansão e liberdade. Nós, hoje, estamos nos perguntando que liberdade é essa que o mundo deixou para nós. Assim, como aqueles compositores discutiam coisas de sua época, estamos “expandindo a mente” para tratar dos nossos dias. Na capa do Sgt. Peppers tem todas aquelas personalidades. Hoje imaginamos um Obama tomando cachaça na Bahia porque também está de saco cheio e quer sambar. Cada época constrói e desconstrói seus heróis.

Pastilhas: Foi também dessa mesma época uma mudança no mercado para os chamados álbuns “conceituais” – até então os LPs eram basicamente coletâneas de singles, não era tão comum uma banda entrar num estúdio para gravar um disco com 12 faixas –, e hoje passados quase 50 anos, essas novas mídias trazem de volta a era dos singles e por conta disso o interesse pelos álbuns “conceituais” vai ficando cada vez mais distante. E aí? Como a banda está se adequando nessa “nova” onda?

Tiago: Sempre fomos ligados nos discos que trazem um conceito. Além disso, é possível ler apenas um capítulo de um livro e dizer que realmente conhece a obra? Havia condições culturais para aquilo. Hoje nem amizade dura muito porque é tudo em velocidade de megabits por segundo. Pare! Olhe! Escute! é um disco conciso, as letras têm um tema, apenas não amarramos as músicas de um jeito que se tornasse impossível ouvir cada uma separadamente. É sobre as relações pessoais, uma animosidade, o homem pós-moderno do Zygmunt Bauman, a falta de resolução que a velocidade dos nossos dias trouxe. Quem dispõe de 40 minutos para ouvir o disco inteiro, reconhecer as inferências, as vozes da filosofia existencialista e dialogar com os temas? Não poderíamos pensar hoje em um disco no qual as músicas não fossem partes autônomas, mas que, em conjunto, formam algo muito maior.

Pastilhas: Estou errado ou há uma influência de cabaré na banda? Falem um pouco sobre ela, se existe mesmo, e também sobre o processo de composição de vocês, sei que não existem regras pra compor, mas existem métodos inventados ou adequados por cada individuo, qual é o da banda?

Tiago: Existe, mas mais interessante é que vem por outros caminhos, outros artistas nos quais buscamos as referências para compor nosso trabalho. Temos referências variadas e algumas formam uma intersecção, pode-se dizer. Banda de rock tem mania de falar em “influência“, o que faz parecer que ele recebe um espírito quando ouve um solo de guitarra e começa a reproduzir música. Pode parecer pedante, mas eu acho que se faz é pesquisa.

Este disco é um disco transitório, pois marca o retorno da banda original, então grande parte do material foi escrito pelo Rodrigo e o Leandro, que carregaram a banda entre 2008 e 2009. Tivemos experiências anteriores onde cada um trazia seu material e a banda parecia uma plenária onde nenhum partido tem maioria e dependia da persuasão para por a música dentro. Depois de aprovado, todo mundo contribuía na composição. No Pare! Olhe! Escute!, eu e o João não pudemos contribuir muito além da produção final do álbum, pois as músicas já estavam prontas. Já o show foi todo trabalhado pelos quatro. Com o tempo, você começa a antecipar o que o outro pensa, então vira um processo telepático, pois todo mundo se conversa sabendo uma língua interna. Produzir o show tem agradado muito porque, desta vez, não procuramos métodos, apenas fizemos ligando ponto A ao ponto B. Havíamos experimentado muito sobre o palco, a comunicação visual, mas cada um seguiu uma linha e, no final, a costura deu num tecido que é o Poucas Trancas ao vivo, e cada um leva ao o palco o que gostaríamos de ver.

Pastilhas: A música é “independente” hoje, as facilidades para se produzir e divulgar uma banda são infinitas. Daí muitas vezes o processo inverte-se, as “grandes” gravadoras vivem de pescar fenômenos (autênticos ou não) na Internet – vide o caso da “Banda mais Bonita da Cidade” –, tornando-os descartáveis (dependendo da banda) da mesma maneira que trabalhavam no passado. Vocês assinariam um contrato com uma dessas “grandes” hoje em dia?

Tiago: Há controvérsias sobre essas facilidades – principalmente sobre fenômenos da internet. Nós assinaríamos um contrato, mas dizem que esses vêm com mil poréns, determinações e limitações. O nome da banda sugere maior abertura para criação, que não se prende às convenções e exigências. Nosso produto não é descartável, mas somos muito acessíveis e não existem muitas trancas para nós.

Pastilhas: As influências musicais da banda são explicitamente setentistas, principalmente as brasileiras, mas vocês defendem que nas apresentações ao vivo até a música eletrônica mais moderna pode entrar na dança. O que vocês escutam de “novo” (leia ultima década), nacional ou gringo?

Tiago: Escutei pouquíssima coisa recente e arrisco dizer que o Leandro e o Rodrigo idem. Converso com o João sobre Muse, Arcade Fire, e outras coisas que eu vejo com bons olhos, mas não tenho no meu player. Até pensei em por, mas teria que apagar o disco da Grace Jones para caber, então deixei para lá. Quando virou o século eu pensei que a música pop tinha se perdido na estrada e resolveu fazer o caminho de volta, mas nos dez últimos anos coisas boas apareceram, em todos os gêneros. Chato mesmo é lembrar mais das coisas que me irritaram profundamente, como CSS e Mallu Magalhães, do que das coisas boas.

Pastilhas: Esse show que vocês vão apresentar no dia 29 é o de lançamento do DVD/CD “Pare! Olhe! Escute!”, como foi o processo de produção desse trabalho, existiu alguma “força” externa, um patrocínio ou foi tudo bancado pela própria banda?

Tiago: Desde quando a banda se formou em 2004, tentamos muitas coisas até então, tomamos tombos, tivemos escoriações e luxações desnecessárias. Antes de gravar o Pare! Olhe! Escute!, já sabíamos que só teríamos que tomar uma atitude mais firme com o trabalho – em outras linhas, tornarmo-nos profissionais – e isso só foi possível porque a banda se reformou, engordamos alguns quilos, alguns se tornaram pais, e agora temos a Telma (Molina) nos apoiando no que sempre tropeçamos, que é justamente a exposição do nosso trabalho, o que envolve uma série de ações que não conseguiríamos gerenciar. Essa é uma experiência vivida por muitas bandas. Fora disso, não tivemos nenhum apoio financeiro, contando apenas com nossos recursos e muita camaradagem, o que não nos faz uma banda realmente independente, se é que existe alguma.

Pastilhas: O que podemos esperar do Poucas Trancas daqui pra frente?

Tiago: Esperamos abrir algumas portas que antes não conseguiríamos com esse trabalho e levá-lo muito à frente. Se há alguma coisa que os quatro têm convicção é que nosso trabalho tem muitas possibilidades, não está fechada a uma classe ou outra. Lembro de o Rodrigo dizer que o que ele mais gostava do Zé Geraldo era o fato de, nos shows, encontrar crianças e velhos, “de 8 a 80 anos”. Sem querer, mas querendo, caminhamos para isso. Temos agora um ótimo show. E que está crescendo cada vez mais. Não nos livramos de todas as regras, não temos intenções anarquistas dentro da banda. Uma das poucas é que sempre queremos trazer uma surpresa, a cada espetáculo. Sempre nos perguntamos o que gostaríamos de ver e a chance de criar uma expectativa nova a cada pessoa que segue a banda é, como vovô já dizia, dar banana para o macaco.
Share:

Noite Marakasi recebe Liquidus Ambiento

Formada em 2003, o Liquidus Ambiento usa e abusa de identidade em suas performances, uma combinação de música instrumental e eletrônica com influências de Dub, Nu Jazz, Afrobeat, Downtempo e Funk.

O grupo, que já se apresentou nos principais festivais de música eletrônica pelo Brasil e nos principais clubes de SP, toca hoje na Noite Marakasi produzida pelos Dj’s Ciriaco e B8.

Segue uma micro entrevista com San Bass, baixista e um dos fundadores do grupo:

Pastilhas: Recentemente a banda mudou de formação, isso resultou também em mudanças sonoras, em novas composições ou ainda é cedo para esse tipo de avaliação?

San Bass: Primeiramente... Salve, salve Pastilhas Coloridas!!! Pois é mudou, o que antes era para ser um grupo só de contra-baixo e bateria, na ocasião eu e Fernando Eguchi, e que passou por várias transformações, hoje se consolida numa formação mais envolvida com a sonoridade.

André Édipo, guitarrista que toca com Lulina e China, chegou junto com suas influências da cartilha Musical Pernanbucana e do Movimento Mangue Beat. Gil Duarte, tocávamos juntos no SoulZé, adora escrever e arranjar as composições, então, ele é a chave do grupo hoje tocando trombone e flauta trasnsversal e literalmente aDUBando no palco. Asnésio Bosnic, que toca sax barítono, acrescentou peso e idéias nesta sonoridade. O Pedro "Carioca", batera formado em Berklee, vem tomando frente nas composições também e pra completar o Heitor Matos tocando sitar sensibiliza com sutileza e idéias nesta atmosfera sonora.

O grupo com essa formação já tem sete composições novas entre outras que estão fluindo, e a nossa avaliação é que até o final do ano o grupo tenha pelo menos quinze músicas, que serão selecionadas pelo novo produtor musical para a gravação de um novo álbum no início de 2012.

Pastilhas: Houve um “boom” da música eletrônica em meados da década de 90 no mundo, o Brasil não ficou de fora e além de formar um circuito, principalmente em São Paulo, exportou DJ’s e etc. Como anda esse cenário hoje?

San Bass: “Boom” nas nossas cabeças, né mafreenn?!! Mas o cenário vive um momento interessante onde muitos produtores se destacam nessa E-Music. Estive gravando uns baixos para o disco do N.A.S.A. dos produtores e DJ's Zé Gonzales e Sam Spiegel, e eles são exemplo dessa nova fase no cenário dos grandes festivais, diria a diferença. A música é algo que não se define muito bem com tantas influências, gosto disso. Os produtores do Killer On The Dance Floor, que tocaram no SWU e que vão tocar no Rock in Rio, são fantásticos. Também tem as bandas que fazem essa fusão dos instrumentos eletro-acústicos somados a música eletrônica como se fazia nos anos 90, mas hoje menos pista e mais musical, a exemplo do General Elektriks que são ótimos. No Brasil os produtores de fora entendem que nós somos a bola da vez nessa renovação da E-Music e nesse novo cenário. Então o nosso nome é trabalho e vamos continuar compondo e produzindo.

Pastilhas: Quais os planos do Líquidos Ambiento ainda para esse ano?

San Bass: Os planos são: Focar no processo das novas composições, pré-produzir e entrar em estúdio para gravar as músicas e sentir como está soando. Fazer uma seleção de tudo e daí sim, entrar em estúdio valendo com o novo produtor musical. Mas isso já tem um formato, não iremos divulgar agora, mas aguardem que vai ser animal.

Pastilhas: O que podemos esperar da apresentação de hoje na Noite Marakasi?

San Bass: Hoje vai ser na pressão, estamos entusiasmados com as ultimas apresentações que fizemos na Virada Cultural Paulista no interior. Iremos tocar músicas do álbum de estréia, #mini.MONDO, e também composições novas. Teremos participação especial do Dj Tudo que vem se destacando na Europa com seu trabalho "Nos Quintais do Mundo". A idéia é esquentar esta noite de sexta-feira ao lado dos também Djs B8 e Ciriaco. Hoje o clima é de festa. Quem quiser subir no palco com a gente é só chegar. Então, se preparem que a Noite Marakasi vai ser em brasa.

Serviço: 
Onde: Noite Marakasi/Tupinikim Bar / Rua das Monções, 585 -SA 
Quando: 20 de maio às 23hs 
Quanto: $13 / primeiras 20 mulheres free
Share: