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Roendo o próprio osso - Bate-papo furado com a Pastor Rottweiler


Por Elsa Villon |

O texto a seguir contém vários lapsos temporais e o volume de informações pode parecer desconexo aos leitores de primeira viagem. Recomendo uma sessão de “De Volta para o Futuro” e alguns fóruns temáticos sobre o capacitador de fluxo e teoria das cordas para pleno aproveitamento.

Era maio de 2011, um frio de cortar até bochechas do Fofão e surgiu o convite para ver um ensaio da Pastor Rottweiler. Localizado em Santo André, o ponto de encontro era a residência de Fabiano Harada, baterista da banda, gestor ambiental e futuro embaixador da ONU por honoris causa. Contrariando clichês e por conta da baixa temperatura, o som rolaria na dispensa da casa e não na garagem.

Com minha Sony Alpha recém-adquirida e uma vontade inenarrável de fotografar, acompanhei a experiência sonora de perto. As primeiras fotos não fazem jus ao som, mas só se aprende a fotografar fotografando. E só se aprende a tocar bem tocando muito. E eles tocam.

Vamos à escalação: Bruno Ribeiro e Bruno Vasco (ou só Vasco) não apenas compartilham do nome, mas também do instrumento: ambos na guitarra, sendo que o primeiro também trabalha as outras cordas - as vocais. Caio Luiz segue com vocal e gaita, seguido de Fabiano Harada na bateria e o polivalente Paulo Akio no baixo - e em todo e qualquer objeto que possa produzir música. Eis a escalação da banda andreense Pastor Rottweiler.

Na época, o projeto Pastor começava a ganhar forma e elas vinham travestidas de ondas sonoras com alto potencial em decibéis. Entre frascos de desinfetante, prateleiras de ferro, baldes e outros tipos de coisa, um baixista, um guitarrista, um baterista e um vocalista se apertavam para tocar rock. Enquanto isso, do lado de fora, distante da luz amarela fornecida pela solitária lâmpada incandescente dentro da dispensa, eu subia em baldes de massa corrida sem enxergar um palmo à frente do nariz.

Só havia um espaço viável para fotografar: a fresta da janela. E foi assim que eu cliquei os então quatro rapazes (Bruno Ribeiro ainda estava em solo portenho na época) e pude ouvir o barulho feito no ensaio. Barulho sim, porém ritmado. Entre acertos, apertos e afinamentos, nascia o que viria a ser “Manhã do Caolho”, primeiro álbum do grupo. Lapso de tempo.

Fim do lapso: o ano era 2014, abril para ser mais precisa. Dessa vez na casa de Akio, o encontro tinha uma finalidade específica: entrevistá-los sobre o recém-lançado disco. Em uma das suas empreitadas sociais, Harada infelizmente estava desativando algum reator nuclear em um país da extinta União Soviética e não pôde participar da conversa. Mas foi muito representado pelos parceiros de banda.

A ideia geral: falar do nascimento da banda, das influências seguidas e de como tudo isso virou um disco - e mais, como virou uma banda. A realidade: entre shows, ensaios, turnês e experimentações, houve um intervalo de dois anos. Lapso de tempo.

Fim do lapso de tempo. O ano é 2016 e a banda já acumula dois discos, muitas participações e um fã clube oficial em Salesópolis, um dos primeiros palcos em que tocaram (fora da dispensa em Santo André, vale enfatizar). Sigamos por partes: como tudo começou.

Apresentação do segundo disco, no 74 Club, o estúdio mais assombrado do ABC

Prelúdio

O ano era 2009 e o então formado jornalista Caio ingressara no ABCD Maior. Paralelamente ao ofício de Clark Kent, pairava o desejo de criar uma banda de rock clássico, punk rock tradicional do ABC, mas com toques de blues, onde pudesse tocar gaita e fazer um som cru em essência, mas trabalhado de maneira autêntica.

Foi quando se uniu a Renan, que também trabalhava no jornal e tocava guitarra. Juntamente a Akio e Harada, iniciaram os trabalhos e nascia, assim, o embrião do cachorro musicado. Enquanto isso, Bruno Ribeiro estava em viagem, tocando tangos na Argentina desde 2008.

Toquinho disse certa vez, quando questionado sobre as parcerias com Vinícius de Morais: “Era como um casamento sem sexo”. Uma banda segue a mesma premissa (ao menos, ao que parece), e algumas funcionam, outras nem tanto. E há as que se separam (vide os Beatles). Não foi diferente quando Caio e Renan encerraram a parceria musical para que o grupo tomasse outros rumos.

Curioso e melódio, Akio tocava as seis cordas da guitarra como se fossem um baixo e, logo, passou a tocá-lo mesmo, com a chegada de Vasco à menina guitarra, antes empunhada por Renan. Foi assim que os cinco atingiram a sequência de Fibonacci das formações clássicas de conjuntos musicais.

Indo na contramão de covers e versões, o quinteto tem a premissa de tocar as coisas que vivem, com o conceito de um trovador. Nas letras, escritas pelo vocalista, há uma parábola, uma mensagem a ser transmitida.

Dentre as inspirações, estão Cream, ZZ Top, Creedence Clearwater Revival e Allman Brothers, para citar alguns. Em contrapartida, os garotos do ABC não negam as origens: Kubata, Sentimento Carpete, As Radioativas, Projetonave e Giallos (em breve por aqui de volta e outra vez). O projeto “Cão Faminto”, que reuniu seis bandas, foi uma das forças motrizes inspiradoras da banda.

No portfólio, já estavam apresentações no Café Aurora, Central, Tupinikim, em Paranapiacaba, a já citada Salesópolis e o Festival de Bandas da UFABC (Universidade Federal do ABC). Isso tudo ainda em 2014, ano de lançamento do primeiro álbum, “Manhã do Caolho”.

Manhã do Caolho

Se as músicas todas têm ar de parábola, então o disco deveria fechar uma narrativa. Foi assim que nasceu o primeiro trabalho, em 2014. Dividido em sete canções, contam a história de um homem que fica cego de paixão - literalmente.

Draco abre a narrativa, com som quase saído de uma ducha no banho - em parte pela qualidade da gravação do vocal - de um homem amargo. A gaita pontua a quase revolta com a dor do amor (amor?) não correspondido. Tudo pontuado pela guitarra que quase chora em longos solos. Bom para ouvir entre goladas de conhaque.

Xamã da Luxúria parece saída dos anos 1980 e quem ouve já imagina o quinteto com mullets, calças jeans coladas e aquelas bandas horrorosas que poderiam se extinguir da face terrestre. Parece um pouco com Steppenwolf? Parece. É gostosinha para a pós-cópula e um maço inteiro de cigarros? Sim.

A música homônima ao álbum traz um quê do brega de Cauby Peixoto com Luiz Caldas e Agnaldo Timóteo, com toques de sofisticação provenientes do órgão. Aquele ar de melancolia, um zeitgeist que todo mundo com quase 30 ou mais já passou. Novamente, boa entre goles de destilado daquele que te bodeia o resto do dia seguinte.

“Toda garrafa contém uma doença escrita no rótulo” soa meio pessimista, além de generalista e óbvio em Abstinência Zero, é verdade. Mas a verdade, mesmo a mais óbvia, precisa ser dita. No caso, tocada, com estilo bem similar a um Eric Clapton em “One More Car, One More Ridder”, para botar uns panos quentes nas críticas que abrem o parágrafo.

O fator mulher demônio se faz presente em Diana Diaba - Partes I e II, separadas por Bradoque. As gêmeas sonoras diferem e muito em forma e estilo. Na Parte I, palmas, assovios e “humhum” antes do vocal coletivo. Quase indígenas, aqueles cânticos que você imagina cantarolados por apaches em ritos sagrados ao redor da fogueira, amaldiçoando uma bruxa sem vergonha porque ela não deu trela para os seus papos.

Quem buscou aquele formato rock que ganhou fama nos anos 2000 com Strokes e Queens of the Stone Age pode pular direto para Bradoque. As frases de efeito exaltam “os tóxico”s (favor, ler tó-chicos), a combustão espontânea e coisas que a gente já ouviu por ai, talvez não dessa forma. O toque de Cláudio Cox com o discurso narrado e distorcido é a pitada de ABC faltante ao som que poderia ter sido feito em alguma garagem em Seatle.

A Parte II de Diana Diaba tem pegada forte, também com maldições à pobre mulher cujo nome é uma referência à deusa da caça, e que, aqui, ganhou chifres e conjurações, no maior estilo Sagrada Maldita que quadrinistas e músicos adoram enaltecer. Na vida real, quando aparece uma diaba assim, eles bebem. Aqui, virou a faixa de encerramento - e fez bem. Aposto uma paçoca como o refrão “Cigana Macabra/ Seu nome é Diana Diaba” vai chicletar seus miolos por uns bons dias. Missão cumprida, rapazes.

Harada cede a banqueta e as baquetas Álvaro Burns, de A hora do Cafezinho
O Pária, O Condenado e O Cachorro Molhado

Um intervalo de dois anos desde a manhã do caolhão nos leva ao segundo disco do Pastor. Musa de artistas variados, do rock e fora dele, a estrada (vide Sérgio Reis e O menino da porteira) ganha roupagem de blues, com toques cinematográficos dos filmes de faroeste.

Não se espante se, ao ouvir o disco, sua mente remeta aos bangue-bangues trilhados por Ennio Morricone , com direito a batalhas de pistolas num cenário de duelos separado por um feno rolante. O compositor italiano é também uma das homenagens nítidas em “O Pária, O Condenado e O Cachorro Molhado”.

Outras vertentes do rock também dão o tom, com ares caipiras em Kid Milho. Abrindo a sequência com gaita venenosa, é uma ode ao country rock regada a uísque do cereal que a batiza.

Com direito a coral em outras faixas, o folk e o bom e velho punk também dão o tom, principalmente na faixa Roendo o Próprio Osso. A mistura também ganha experimentações sonoras, e versões só tocadas, como Dante, caem como uma luva aos entusiastas da banda que almejam trilhar suas obras audiovisuais.

Caubói da Cidade (Interlúdio) é quase uma composição de Yann Tiersen parece ter saído de uma caixinha de músicas guardada há tempos numa gaveta, herdada da bisavó falecida.

Para encerrar, o Boogie da Caveira fecha a parábola quase quentin tarantiniana em forma de disco. O violão também trabalha forte e, conciliado com o órgão, dá aquela pegada de cowboyzão mesmo. A capa, feita pelo artista Caramurú Baumgartne, surpreende pela quantidade enérgica de cores vivas, ideia oposta ao cenário imaginário de desertos amarelados aos quais somos remetidos ao longo das nove faixas.

Na entrevista, eles destacaram que todos os integrantes trabalham em todas as músicas. A retórica se faz nítida, principalmente nesse segundo disco. Pesado, constante e preenchido, “O Pária, O Condenado e O Cachorro molhado” definitivamente tira o ar debutante de “Manhã do Caolho” em grande estilo. Disso e do termo “banda de dispensa”.

Banda altamente sinestésica - luz + teleobjetiva lenta = foto com blur

Abaixo, o pingue-pongue com a banda:

-Internet
Vou voando
Sem ter pista para pousar
(Papa Léguas - ainda não lançada)

- ABC
Estou cansado de ir para capital
(São Bernô City - ainda não lançada)


- Autonomia
Não sabe se hoje vai comer



- Inspiração
Dichavo um cigarro de puro delírio urbano




- Rock
Bradoque




- Cumplicidade
E só a sarna
É a minha companheira




- Expressão
Fiz o sinal da cruz
Só agora entendo o que é blues




- 2016
Todos vão saber
Que jamais pus o pé no freio




Ouça tudo:



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Documentário Resgates ganha exibição no Sesc Ipiranga


Com direção de Denise Szabo e produção de Elsa Villon e Felipe Ferreira, o projeto independente traça um paralelo entre a infância de juventude desses avós, que cresceram em quintais de piso de caquinhos, lajotas avermelhadas, jardins floridos e portas da sala que davam direto para a rua. Entre cartas amareladas, fotos em preto e branco e olhares de nostalgia, passado e presente constroem 50 minutos de história até os dias de hoje contadas por quem a viveu.

Tendo os bairros do Ipiranga, Sacomã e Heliópolis como cenário, o filme aborda as transformações dos últimos 60 anos na cidade de São Paulo. Realizado com apoio do Programa Vai da Prefeitura Municipal de S. Paulo, o projeto independente surgiu graças às ricas histórias das avós de Denise, moradoras do ABC Paulista, que contavam como eram as vilas de São Caetano do Sul ao se mudarem para a cidade. Migrantes e imigrantes buscaram oportunidades de emprego nas fábricas da região, com a promessa de uma vida melhor. O filme  foi adaptado aos bairros da região sul da cidade de São Paulo e expõe o resgate histórico contado por quem vivenciou todas as transformações.

Lançado em dezembro de 2014,  a obra reúne não somente cenas cotidianas contemporâneas, mas também material do acervo da Cinemateca Brasileira e outras instituições culturais de São Paulo, assim como documentos e registros dos próprios entrevistados.

Por meio de parcerias com espaços públicos e o apoio do estúdio E29, também do Heliópolis, o documentário “Resgates” promove  sua primeira exibição aberta ao público em 2016. O encontro ocorre no dia 19 (terça-feira), às 14h30, no Sesc Ipiranga, com entrada gratuita.

Para mais informações, acesse a página do documentário no Facebook.

Serviço:
Sinopse: Resgates é um documentário que conta a história dos primeiros moradores dos bairros Ipiranga, Sacomã e Heliópolis. Com histórias da infância e juventude desses avôs e avós, o documentário traça o fio narrativo entrelaçando memórias e registros históricos.
Duração: 52 min Após a exibição, os idealizadores também participam de bate-papo no local

Exibição:
Dia 19 de janeiro, às 14h30
Sesc Ipiranga Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga - São Paulo
Obs: retirar os ingressos na bilheteria com uma hora de antecedência
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As artes de Fabrício Urbaneja na exposição "Sobre Caminhos"

Auto retrato de Fabrício Urbaneja
Quando nos deparamos com peças de artes prontas, um novo artista surgindo ou mesmo uma exposição, o imaginário coletivo nos remete a alguém que nasceu capaz de criar todo aquele material. E parte disso vem do papo de que Picasso já desenhava pombas perfeitamente aos 5 anos de idade.


Pois bem, é fato que uma pequena parcela da população nasce dominando as artes e diversas técnicas de maneira nata. Mas a grande maioria está em constante aprimoramento, estudo, pesquisa e, claro, testando. É justamente esse o caso do Fabrício Urbaneja.

Natural de São Caetano do Sul, Urbaneja é formado em Filosofia pela Unicamp e estudou desenho, pintura, gravura, modelagem, encadernação e ilustração digital. Seu interesse por processos de criação e expressionismo o levaram à busca contínua por novas plataformas, suportes e diferentes materiais para desenvolver seu estilo,

Parte delas, inclusive, está aberta ao público na exposição individual Sobre Caminhos até 30 de agosto, no Conjunto Nacional. Vale dizer que a entrada é free. Abaixo, uma pequena amostra da mostra (eu sempre quis dizer isso).

Exposição Sobre Caminhos
De 17 a 30 de agosto, das 7h às 22h
Conjunto Nacional
Avenida Paulista, 2073 - Galeria com saída para Rua Augusta - São Paulo
Entrada gratuita







Elsa Villon é colaboradora do Pastilhas Coloridas, jornalista e fotógrafa viciada em café, cinéfila, adora Beatles e cheiro de pão saindo do forno. Twitter: @elsavillon
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Pixel, frame, Lego e Batman


Fazer um filme ruim dá muito trabalho. Para o minimamente apresentável, eu diria que o triplo. Um filme bom demanda meses de planejamento e uma equipe gigantesca, que reúna tanto profissionais com potencial artístico descomunal, quanto os bons e velhos paus para toda obra, confere? Não exatamente.

Usuário de jornalismo - e audiovisual - Caio Luiz uniu frames e peças de Lego ao apreço pelos quadrinhos para criar o curta-metragem "Batman, o Assalto". Com quase 15 minutos, o roteiro é uma adaptação da revista homônima de Matt Wagner, publicada pela Editora Abril na década de 1990.

Poderia ser apenas mais um curta-metragem com Lego, ou apenas mais uma obra de um fã do Homem-Morcego. Mas não é. A adaptação já merece menção pela experiência sacal de criar frames em stop motion. Sacal, porém genial. O trabalho de presidiário é quase invisível aos olhos destreinados, mas quem já conhece audiovisual sabe: cada frame é uma dor.

Dizem que é praticamente impossível fazer um filme sozinho. E é, por isso, a trilha musical conta com os parceiros de Caio na banda mais canina do ABC, a Pastor Rottweiler. Com direção da jukebox humana Paulio Akio, a trilha une gaitas, guitarras e baixos em tom western em meio a Gotham Desmontável.

Se por um lado trabalhar com atores inanimados com pouco mais de 4 cm parece mais simples, por outro, a direção de arte e fotografia deram um baile debutante para o idealizador do curta. Criar cenários usando poucas peças de Lego, figurinos minúsculos e pensar a luz de cada cena foram alguns dos muitos obstáculos superados. Entre cenas na mansão Wayne, o presídio, a batcaverna e demais cenários, foram ao menos dois anos de produção, 10 mil fotos e muita resiliência para finalizar.

Com referências noir, nuances do expressionismo alemão e a aura pebê que criam a atmosfera, "Batman, O assalto" reúne boas doses de nostalgia em 14 minutos e 45 segundos que valem a pena. Dito isso de maneira bem menos detalhada do que gostaria, deixo aqui o link para o vídeo e as referências e todo o processo de produção do curta, escritas por ele na Ideafixa.

Você pode não gostar do Batman. Você pode não gostar de Lego. Você pode não gostar do filme. Mas não pode deixar de ao menos notar que os três tem algo de muito peculiar - e ao menos dois já são mundialmente conhecidos.



Links relacionados:
Caio Luiz - http://goo.gl/E0cfTI
Pastor Rottweiler - http://goo.gl/g102Cb

Elsa Villon é colaboradora do Pastilhas Coloridas, jornalista e fotógrafa viciada em café, cinéfila, adora Beatles e cheiro de pão saindo do forno. Twitter: @elsavillon
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Confira 'O Ignóbil em quadrinho' até o fim do mês em SBC


Se você é de São Bernardo do Campo e nunca ouviu falar do WC, você não é de São Bernardo do Campo.

O WC - ou Dáblio C - é mais do que um cara conhecido. Ele é uma entidade, o grão-mestre varonil, uma lenda maior que o proletário metalúrgico e sindicalista dos aqui residentes. Com seu chamado Jeito Ignóbil de ser, o WC entrou na minha vida num bar e parei para prestar atenção no que ele dizia.

Acontece que, mais do que popular, ele desenha. E desenha muito - em qualidade e quantidade. Eis que um dia alguém se deu conta do talento do malungo e decidiu dar a chance das pessoas conhecerem o tal do "Jeito Ignóbil". Política, sandice, os causos amorosos, sarcasmo, o punk carniça e a loucura: tudo isso em linhas do Dáblio C.

No meio dos fanzines desde a década de 1990, o trabalho de Wanderley Coutinho está exposto até 30 de novembro no Teatro Elis Regina, de segunda a domingo, das 8h às 17h.

Abaixo, um pingue-pongue para conferir qual é a do WC?

Pastilhas Coloridas: Quando e como surgiu o convite para a exposição?

WC: Graças ao Facebook! Comecei a publicar Umas tiras e cartuns antigos que estavam engavetados e mais umas charges inspiradas em acontecimentos recentes. Assim umas pessoas do Departamento da Cultura de São Bernardo do Campo se interessaram. Me convidaram para montar a exposição e em três meses bolamos a coisa toda. O legal é que me deixaram totalmente livre para escolher os trabalhos. Não se incomodaram com nenhum dos meus temas, que são um pouco indigestos.

PC: Os trabalhos expostos datam de quando a quando?

WC: Na mostra tem material de 2004 a 2014.

PC: Há um processo criativo com temáticas para suas ilustrações ou vai na epifania mesmo?

WC: Tanto as tiras, os cartuns como as charges surgem de várias formas. Uma cena que observo, uma conversa idiota em uma mesa de bar. Uma notícia de jornal ou minhas próprias paranoias e manias mesmo. Às vezes a ideia vem prontinha na cabe a, ai é só sentar e desenhar. Em outras, passo umas horas cozinhando aquela ideia inicial até sair alguma coisa boa dela. Às vezes funciona.

PC: Quando começou a desenhar?

WC: Me lembro de desenhar desde muito pequeno. Nas paredes, no papel de pão, nos livros da escola... Como eu desenhava melhor do que as outras crianças, chegaram a pensar que eu era mais inteligente. Quando viram minhas péssimas notas na escola, pensaram "Ops! Alarme falso! Ele só é meio esquisito mesmo!".

PC: Sua arte é despretensiosa ou há intenção por trás de cada traço?

WC: Sempre existe alguma pretensão. Contar algo que eu acho engraçado, incomodar, me posicionar diante de alguma situação que eu odeio. Ou simplesmente mostrar um pouco do absurdo da existência mesmo. Umas charges retratando as presepadas da nossa eficiente polícia, que por sinal, estão na exposição e irritaram algumas pessoas. E devo confessar, me deixou bastante satisfeito!

PC: Onde encontrar mais do seu trabalho?

WC: Como fiquei muito tempo sem fazer histórias em quadrinhos por conta da falta de espaços pra publicar, comecei aos poucos a produzir mais e usar das novas ferramentas possíveis. Graças a isso, novos projetos andam surgindo. Uma charge semanal no site Subpraxis, um álbum impresso e coisas assim. Por enquanto, podem ver outros gatafunhos meus na página do Estúdio Gongolo no Facebook!

Confira alguns dos trabalhos de WC...







Serviço
Onde: Teatro Elis Regina - Avenida João Firmino, 900 - São Bernardo do Campo - SP.
Quando: Até o dia 30 de novembro de segunda a domingo das 8 às 17 horas.
Quanto: Entrada gratuita
Link do evento: http://goo.gl/oEMxHq

Elsa Villon é colaboradora do Pastilhas Coloridas, jornalista e fotógrafa viciada em café, cinéfila, adora Beatles e cheiro de pão saindo do forno. Twitter: @elsavillon
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Rock+disco+funk = Delvindelux


Por Elsa Villon | Cinema | 

Nem só de bar e futebol sobrevivem as noites de quarta-feira. Para quem quer curtir um som bacana com preço maroto, a dica é a Delvindelux, que toca pela Mostra Prata da Casa, na choperia do SESC Pompéia. A entrada custa R$ 8 e dá tempo de sair do trampo – inclusive no ABC – e colar lá até às 21h, quando começa.

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Cabra marcado para documentar


Por Elsa Villon | Cinema | 

O domingo foi ensolarado e um dos mais quentes, mas depois da notícia do suposto assassinato de Eduardo Coutinho, o humor já não era o mesmo. Segundo os tabloides, o cineasta estava em seu apartamento no Rio de Janeiro quando foi ferido por seu filho, Daniel Coutinho. Daniel sofre de esquizofrenia e, num surto psicótico, esfaqueou pai, a mãe e tentou se matar.

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Alex, Jack, Kubrick e uma fila de 80 mil pessoas


Por Elsa Villon | Cinema |

Quem passava em frente à Avenida Europa e olhava as longas filas, já sabia: eram pessoas extasiadas pela exposição “Stanley Kubrick” no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo. Dando voltas no quarteirão, a mostra teve seus horários de visitação estendidos na última semana – até às 3 horas da madrugada no último sábado.

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Repórter Elsa - O Universo de uma anônima do universo


Por Elsa Villon | Repórter Elsa | Entrevistas |

“Eu sou do Universo” – assim se define Verônica, a entrevistada da vez pela série Repórter Elsa. Sucinta, discreta, reservada e quase anônima, a moça de 18 anos é autora dos tumblrs “Inventário de Tipos Humanos” e "Valsa dos erros".

Lá sim, personas contam os detalhes mais secretos de sua vida, como o avô que fuma a maconha do neto escondido enquanto ele está na faculdade, ou a moça que gosta de dormir embaixo de pianos tocando. E ainda o garoto que gosta mais de comer cola que de gente. É um mundo cheio de perfis interessantes por suas banalidades e segundo Verônica com voz, trejeitos, manias e segredos.

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Black Mari - Feira de venda e troca de arte em SBC


Por Elsa Villon | Agenda |

Mariana Fakih é uma são bernardense de 23 anos. Estudante de animação no Centro de Audiovisual de São Bernardo do Campo, a moça também é uma artista plástica e promove sua primeira feira, "Black Mari", voltada à venda e trocas. O evento acontece nessa sexta, 13 de dezembro.

Seu estilo é demarcado por pinceladas fortes, olhos profundos e cores vivas. Fakih "conversa com as tintas" e acredita que a mescla entre expressionismo/impressionismo são presentes em suas obras.

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Com amor e sem espaço: eis o primeiro voo de Da Lua

Por Elsa Villon | Música |

RADIANTESUINGABRUTOAMOR é o primeiro trabalho solo do músico Gustavo Da Lua, percussionista da consagrada banda pernambucana Nação Zumbi.

Com 13 faixas, o disco começa forte, com “A Rede” que traz muito mais que peixes, mas também ótimos riffs de guitarras. Já “Melô do Meninão” é mais suave, romântica e fluída, enfatizando a versatilidade artística e criativa de Da Lua.

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Repórter Elsa – Um livro de oito graus na Escala Richter


Por Elsa Villon 

Começou assim: estava a repórter que vos fala navegando pela web quando recebe um tweet de um tal Hugo Rodrigues. Curiosa, respondi e tamanha não foi a surpresa quando ele me disse que lia o site do Pastilhas Coloridas e estava lançando um livro. E claro, tinha lido minhas matérias, gostado e queria ser entrevistado.

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Repórter Elsa: a arte do contato e do malabarismo de Otavio Fantinato

Por Elsa Villon 

Quem assiste aos vídeos ou confere a página de Otavio Fantinato, não imagina que ele tem 1,90 de altura, mas a leveza de um pássaro para falar sobre as coisas. E isso já é notório em seu trabalho: malabarismo de contato. Para quem não conhece, seguem alguns vídeos aqui e aqui. Em resumo, equilibrar duas esferas com as "juntas" do corpo demanda um controle - físico e mental - deveras elevado.



Mas o Otavio faz isso parecer fácil, como se fosse parte dele mesmo e não sei vocês, mas eu sequer pisco com medo de perder as esferas de vista, como se por conta do meu olhar e não de toda a técnica e talento do malabarista elas não caíssem. O que poderia ser uma carreira artística deveras promissora - está sendo, aliás – Otavio Fantinato está muito bem, obrigado, posicionado entre as referências sul-americanas de malabarismo, mas sua aptidão também se envereda por outra vertente: as artes plásticas.

Quem vê o esbelto artista, não tem ideia do talento para os desenhos e gravuras que ele carrega sempre consigo em um caderno que alguns chamariam de surrado, mas eu chamo de sagrado. É lá, em cada folha, em cada mancha de tinta, café ou lápis de cor, que entendemos: o artista é pequeno diante da arte, mas gigante diante do cotidiano. E Otavio não é exceção - seja no malabarismo, seja com seu surrado caderno sagrado. Confira abaixo a entrevista completa, mais o nosso já conhecido "Pingue-Pongue", no qual cada entrevistado responde com o próprio trabalho a termos únicos. E tratando-se de um artista pluriapto (termo esse que ele não assume), você confere uma galeria exclusiva com um pouco mais sobre o gajo.

Qual o nome completo e a idade?

Otavio Augusto Fantinato Bordin, 31 anos.

Você é de onde - onde nasceu, onde cresceu?

Sou paulistano, mas minha primeira lembrança é estar no colo de minha vó e ver flores sobre o canal de Águas de Lindóia. Permaneci nessa cidade até os 17 anos, quando a necessidade de conhecer o mundo foi maior que o medo de romper a bolha de segurança que me envolvia. Da pequena cidade do interior
de São Paulo fui para Florianópolis e de lá pra cá posso dizer que minha casa é onde estou.

Como começou no malabarismo?

Ao chegar a Florianópolis tive de conseguir um meio pra sobreviver. Foi então que por indicações acabei indo trabalhar em um bar que mais parecia uma torre de Babel para um menino recém-saído do interior de São Paulo. No bar havia um espanhol que era garçom, um barmen chileno, um equatoriano e uma argentina na cozinha. Era administrado por um uruguaio e seu filho chamado “Leo”, nascido nas Ilhas Canárias. O Leo foi meu primeiro “mestre” e entre a produção de drinques e cafés, me ensinava os primeiros truques com três bolas e deste momento em diante fui infectado pelo malabarismo de tal forma que em questão de uma semana já afirmava que o faria pra sempre.

E a desenhar?

Desde bem pequeno já me era comum passar um tempo a mais do que as outras crianças em cima dos papéis. Mas foi por volta dos seis ou sete anos que o meu avô, Hélio Fantinato, um multiartista que considero como minha maior referencia, me ensinou as bases da perspectiva. Depois de algumas aulas ele me disse que havia me passado o que sabia daí passei a buscar outras informações na Biblioteca Municipal a qual havia muito pouco sobre arte em geral. Durante uns anos reproduzi em desenho obras clássicas de grandes mestres e algumas paisagens. Com o tempo, na metade da reprodução começava a criar em cima delas e pouco depois passei a criar minhas imagens.

Sua família te deu ou dá apoio ou batalhou uma trilha solitária para trabalhar com o que gosta?
Minha família sempre se postou de forma neutra dentro de minhas escolhas o que me facilitou em muito a desenhar meu próprio caminho. Às vezes deixar com que as coisas sigam seu rumo funciona melhor que empurrá-las em determinada direção. Sou muito grato a Dona Sônia por simplesmente deixar que o rio corresse.

Há quanto tempo trabalha com malabarismo? Como é esse nicho artístico no Brasil?

Desde que conheci “Leo”, que mudou minha vida, 12 anos se passaram. De Florianópolis segui para Monte Sião, Serra Negra e aportei em São Bernardo do Campo onde efetivamente conheci o meio profissional do circo e do malabarismo. Já haviam se passado quatro anos em que me dedicava até 10 horas por dia aos treinamentos. Foi quando meu até então professor de malabarismo, Jeisel Bonfim da Cia Diálogos Acrobáticos, me chamou para realizar um evento. Pouco depois, fiz um trabalho que perdurou por seis meses junto à outra companhia que percorreu 40 escolas periféricas da grande São Paulo realizando espetáculos e daí pra frente foram surgindo outras coisas. O Malabarismo no Brasil tem mudado muito. Quando me iniciei neste universo, eram pouquíssimas as informações disponíveis. Cheguei a demorar anos para descobrir sozinho truques que já eram feitos há 5 mil anos. Hoje, se pesquisar, a palavra juggling no Youtube terá como acabei de constatar 764.000 vídeos que lhe podem servir de referência. O nível artístico do malabarismo tem crescido, porém, de forma lenta. Uma, porque se em questões técnicas se pode construir um bom malabarista no período de um ano, para se construir um nível artístico pode se levar uma vida.

Já viajou para algum lugar por conta do trabalho? Qual? Como foi?

Por conta do malabarismo conheci muitos lugares. Com exceção das capitais do norte do Brasil, as quais ainda não tive a oportunidade de conhecer, estive no restante das capitais brasileiras e em mais dezenas ou centena de cidades. Na America do Sul, conheço a Argentina, Paraguai, Chile e Uruguai. Por meio do malabarismo ganhei histórias, amores e compartilhei em palco os mais diversos sentimentos. Recebi as mais diversas respostas. Já as artes plásticas me serviram como potencializador desses encontros. Sempre fiz questão de deixar desenhos e pinturas com os amigos que ganhava dentro destas viagens.

Dos lugares que já visitou, qual foi o mais a cidade (e país, se for o caso) mais promissora (a) para artistas - independentemente de qual arte - que encontrou?

Buenos Aires me tocou profundamente, principalmente pelo nível cultural de seus habitantes e sua forma independente no fazer arte. No Brasil, vejo que estamos muito condicionados a receber de editais para darmos vazão as nossas criações, mais ver que é possível juntar pessoas que amam o que fazem e
pensarem a arte de forma menos governamental me foi muito enriquecedor a tal ponto que saindo de lá no final de 2009 regressei ao Brasil com gana de montar meu primeiro espetáculo solo.

Há algum nome - ou alguns nomes - que te inspirem? Quem?

Sim, muitos, nas artes plásticas sempre me identifiquei com os surrealistas. Fui tocado primeiramente por uma obra chamada “The Arrival”, de um ilustrador americano chamado Cliff McReynolds, por um pôster que enfeitava a parede da casa de um amigo ainda em Águas de Lindoia. Depois, mergulhei nesse mundo
sonhado, pintado e desenhado desde os mestres que ainda nem cogitavam o manifesto até René Magritte, uma referência das minhas maiores, que não só influência dos meus desenhos, mas também meu “eu” em cena. Dentro do universo circense e teatral cito artistas que dão sentido a suas virtuoses como Leandre Ribeira e James Thiérrée, além de grupos como Acrobats, Les Apostrophes e Hugo & Ines,

Você se imagina mais no malabarismo ou mais nas artes plásticas nos próximos anos? Ou apenas prefere seguir o ritmo, sem muitas expectativas?

Se no inicio elas conflitavam dentro de mim, nos últimos anos não só vejo elas se aproximarem como se fundirem. Um exemplo: considero meu espetáculo extremamente fotográfico e essa construção existe muito por conta de meu envolvimento com artes visuais já no viés contrario a noção espacial do malabarismo e me ajuda e muito nas composições de meus desenhos e pinturas. Dependendo da minha vontade não deixarei nem meu lápis, tão pouco o palco pelo resto de minha vida. Por fim costumo dizer que as artes visuais me jogam para dentro de mim e me tornam mais introspectivo. Já as artes cênicas e o malabarismo me regatam de lá de dentro e me jogam pra cima, juntas, as duas me colocam não só em um lugar confortável, mas no lugar onde acredito que deveria estar.

Está em cartaz com algum espetáculo? Onde e qual?

Sim, com meu espetáculo solo chamado “O Descotidiano”, que é uma junção de cenas curtas e envolvem manipulação de objetos do cotidiano somados ao malabarismo, com objetos clássicos e a utilização de aparelhos criados por mim. É um trabalho ao qual tenho dedicado meus últimos três anos e vem se metamorfoseando no decorrer do tempo. Enfim, é um espetáculo qu acredito apresentar por muitos e muitos anos. Quanto às datas específicas, estão disponíveis na agenda da página no Facebook ou o próprio Blog da Companhia do Relativo.

Tem previsões de expor seus desenhos e gravuras?

No segundo semestre devo realizar minha primeira exposição individual, mas ainda requer confirmação. Tenho muita vontade de abranger o acesso ao meu trabalho visual, porém isso é algo que não tenho pressa.

A internet tem te ajudado a conseguir ingressar nessa área, que até pouco tempo era bem restritiva e considerada "erudita"?

Posso dizer por hora que a internet tem me ajudado e muito com a facilitação do acesso a meus desenhos e pinturas, o que me faz muito feliz. Embora tenha meu trabalho como malabarista amplamente difundido, como artista plástico foi apenas em janeiro deste ano que passei da divulgação pessoal para o livre acesso
na rede de boa parte do que produzi nos últimos 10 anos. Mas acredito e tenho investido meu tempo e energia nessa forma de exposição, vejo que começam a aparecer os primeiros frutos como encomenda de trabalhos e essa matéria por exemplo.

E como já é tradição, agora começa a parte da entrevista Pingue-Pongue: por meio de seus trabalhos, Otavio diz o que cada termo representa:·.

- Artes.


- Malabarismo.


- Família.


- Circo.


- Infância.


- Café.


- Amor.


- 2013.


Confira a galeria de fotos...














Elsa Villon é colaboradora do Pastilhas Coloridas, jornalista e fotógrafa viciada em café, cinéfila, adora Beatles e cheiro de pão saindo do forno. Twitter: @elsavillon
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